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R$ 70 bi para superar gargalos de transportes da região Sul

28 Ago 2012 - 19h21

Responsável por 17% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a região Sul do país possui gargalos em infraestrutura que podem, dentro de alguns anos, travar o escoamento da produção para o mercado interno e para exportação. Levantamento inédito demandado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelas federações das indústrias de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul (FIESC, FIEP e FIERGS) mostra que são necessários R$ 70 bilhões para investir em 177 projetos que podem destravar os nós logísticos e aumentar a competitividade dos três estados. O projeto Sul Competitivo inclui a integração internacional com países limítrofes. O projeto foi apresentado nesta terça-feira, dia 28 de agosto, na sede da CNI, em Brasília, com a presença do governador Raimundo Colombo, da ministra Ideli Salvatti, do presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, de parlamentares catarinenses e lideranças industriais do Estado.

Para o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, um dos aspectos mais importantes do Sul Competitivo é o fortalecimento da união da indústria dos três Estados em busca de uma consistente base técnica para definir quais obras devem ser priorizadas na região. "Daqui para frente buscaremos o engajamento dos parlamentares, governos estaduais, agentes financiadores e de toda a sociedade para que, como propõe o estudo, seja considerada a lógica econômica na hora de definir que obra fazer primeiro. A melhoria da infraestrutura é crucial para a competitividade da indústria e passa pela ação conjunta dos setores público e privado", afirmou ele.

Para acelerar a recuperação da infraestrutura de logística, no entanto, a proposta é que 51 destes 177 projetos sejam priorizados por gerarem maior competitividade para a região. A sugestão é que seja criada uma força tarefa entre governos, iniciativa privada e terceiro setor para garantir que esses projetos, previstos em oito eixos prioritários, sejam viabilizados no curto e médio prazo. Juntos, demandariam R$ 15,2 bilhões em investimentos.

Apesar dos oitos eixos demandarem um investimento de apenas 22% do total, a recuperação deles evitaria gastos anuais de R$ 3,4 bilhões, o que equivale a 80% das perdas totais em função do déficit de infraestrutura de transportes verificados atualmente nos três estados. A estimativa é que as perdas logísticas nos 177 projetos equivalem a R$ 4,3 bilhões por ano.

O estudo detalha os pontos em que a utilização está superior à capacidade e apresenta as áreas que devem ser priorizadas nos investimentos feitos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e dutoviários. O estudo também permite delinear qual a melhor forma de financiamento em cada caso: através do poder público, pela iniciativa privada ou a partir de Parceria Público-Privada (PPP).

USO ACIMA DA CAPACIDADE - Na região Sul, a quantidade transportada em, pelo menos, 15 rodovias do estado excede em mais de 100% a capacidade das pistas. Em uma delas, a BR 116, que liga Curitiba a São Paulo, o excedente passa de 300% e, se nada for feito nos próximos anos, em 2020, o volume que será transportado vai ultrapassar em quase 500% o limite previsto. Esse é apenas um exemplo das deficiências da região na área de infraestrutura.



Por utilizar mais do que a capacidade dos meios de transporte permite, o custo da região tende a subir consideravelmente. A estimativa é que se os investimentos não forem feitos, o custo logístico de transportes da região Sul, que em 2010 foi de R$ 30,6 bilhões, vai chegar a R$ 47,8 bilhões em 2020.

PRIORIDADES - Os 51 projetos considerados prioritários compõem oito eixos de integração de transportes. Cinco são eixos rodoviários já existentes. Os outros três são novos eixos que devem ser desenvolvidos, sendo dois ferroviários e um rodoviário. Para chegar aos oito eixos, foram avaliadas as obras necessárias para a modernização, implementação e ampliação de cada eixo intermodal, os custos de cada uma, o prazo de retorno sobre o investimento, o impacto no meio ambiente, os benefícios sociais, a geração de tributos e de empregos, além do desenvolvimento regional em função de cada projeto e de cada eixo de integração.

"Todos os 177 projetos identificados são relevantes para a região Sul, mas a escassez dos recursos financeiros leva à necessidade de priorização de investimentos. Com a seleção dos 51 projetos contidos nos oito eixos prioritários do Sul Competitivo, com possibilidade de execução em curto/médio prazo, já é possível se alcançar mais de 80% da economia potencial consolidada, investindo-se um quinto do que seria necessário para o desenvolvimento de todos os projetos e com um retorno econômico de menos de cinco anos", avalia Olivier Girard, diretor da Macrologística, consultoria contratada para fazer o diagnóstico.

PROJETO SUL COMPETITIVO - O projeto Sul Competitivo faz parte de uma série de estudos elaborados pela CNI e as federações dos estados para identificar os gargalos em cada uma das cinco regiões brasileiras. O projeto Norte Competitivo foi o primeiro a ser divulgado. Nos próximos meses o foco serão as outras regiões - Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

O projeto, que tem o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi feito pela consultoria Macrologística, que traçou o perfil, a movimentação e a condição de cada modal de transporte de cargas dos três estados da região. Também foram avaliadas as condições da infraestrutura de transporte da Argentina, do Chile, do Uruguai e do Paraguai, para compreensão de como funciona a logística de escoamento dos três estados para os países vizinhos e para o mapeamento das oportunidades potenciais de maior movimentação de cargas. Foram estudadas ainda a realidade socioambiental e a geografia da região e elaborado o perfil das principais cadeias produtivas que utilizam a infraestrutura logística existente.

Foram feitas 180 entrevistas nos cinco países com representantes de associações produtivas, de empresas e de autarquias. O Sul Competitivo detalhou as cadeias produtivas nos segmentos agrícola, extrativista e industrial, que incluem 61 diferentes produtos e compõe 86% de tudo o que é produzido, consumido, importado e/ou exportado na região.

Com a análise das principais cadeias produtivas da região, incluindo a projeção de seu crescimento e seus respectivos fluxos de escoamento, foi possível identificar os principais problemas enfrentados para a movimentação de carga, bem como os gargalos futuros que virão com o aumento da produção até 2020, caso não haja investimentos na infraestrutura logística.

O Projeto Sul Competitivo passa agora para a fase de implantação, com a criação de uma força-tarefa formada por um grupo multidisciplinar, que elaborará e implementará um plano de ação conjunto, em estreita sintonia com os programas lançados e projetados pelo governo da presidente Dilma Rousseff para ferrovias, rodovias, portos e aeroportos. O objetivo é implantar os projetos, com cronograma e responsabilidades bem definidas, possibilitando a mobilização dos atores envolvidos - ministérios, governos, bancadas e organismos estaduais e federais, universidades, organizações não-governamentais e iniciativa privada.



O QUE PENSA A INDÚSTRIA:

"O aumento da participação da iniciativa privada na economia é essencial para ajudar a região Sul a superar as deficiências em sua infraestrutura. Precisamos desses investimentos nos três estados, pois, certamente, vão dar mais competitividade a uma região tão importante para a economia brasileira". Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade



"O que o Brasil precisa, de fato, é de investimento em infraestrutura e de reformas estruturantes. Precisamos ir além de medidas meramente paliativas. O Sul Competitivo é o mais completo projeto de logística para o transporte de carga já desenvolvido para atender essa região do país em resposta a uma demanda levantada pelas federações dos três estados do Sul - Fiep, Fiesc e Fiergs. Este conjunto de obras vai permitir uma integração física e econômica entre o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e, entre essa região e outros Estados e países vizinhos. Se nada for feito nesse sentido, teremos gargalos extremamente críticos, em um horizonte de quatro ou cinco anos. Nosso próximo passo é a articulação com os governos federal e estaduais para viabilizar as parcerias público-privadas para executar os projetos". Presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Edson Campagnolo.



"Se temos um custo de logística no Brasil no patamar de 18%, todo investimento que se fizer em infraestrutura irá, logicamente, elevar a competitividade industrial. O projeto Sul Competitivo, além de valorizar a necessidade urgente de modernização no transporte de carga do País, indica os melhores investimentos, tendo ainda como característica positiva as suas interligações regionais". Presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Heitor José Müller




LISTA DOS 8 EIXOS DE INTEGRAÇÃO DE TRANSPORTE PRIORITÁRIOS PARA INVESTIMENTO:

Eixos já existentes
1 - Eixo de Integração Atual da Rodovia SP - Porto Alegre via BR-116
2 - Eixo de Integração Atual Rodoviário SP - Caxias do Sul via BR 101
3 - Eixo de Integração Atual Rodoviário Passo Fundo - Imbituba via BR 285
4 - Eixo de Integração Atual Rodoviário São Miguel do Oeste - São Francisco do Sul via BR 280/282
5 - Eixo de Integração Internacional Atual Rodoviário São Paulo - Buenos Aires via São Borja, BR 285 e BR 153
Cinco são eixos rodoviários já existentes. Os outros três são novos eixos que devem ser construídos, sendo dois ferroviários e um rodoviário.

Novos eixos
6 - Novo Eixo de Integração da Ferrovia Norte-Sul - Trecho Sul
7 - Novo Eixo de Integração Ferroviário Guairá - São Francisco do Sul - Paranaguá via Anel ferroviário no litoral e serra
8 - Novo Eixo de Integração Rodoviário da Boiadeira Porto Camargo - Paranaguá via Campo Mourão e BR 487

LISTA DOS PROJETOS PRIORITÁRIOS

RODOVIÁRIOS
Duplicação da BR-116 na Serra do Cafezal (SP)
Pavimentação da Ligação entre BR-101 e Itapoá (SC)
Construção do Acesso Rodoviário ao Porto de Itajaí (SC)
Construção do Contorno da Grande Florianópolis (SC)
Duplicação do Acesso ao Porto de Imbituba (SC)
Construção e Duplicação do Contorno Norte de Curitiba (PR)
Duplicação da BR-116 entre Curitiba e Mandirituba (PR)
Adequação da BR-116 entre Dois Irmãos e Porto Alegre Incluindo a
BR-448 (Programa Via Expressa) (RS)
Construção da BR-285 entre São José dos Ausentes e Timbé do Sul
(RS/SC)
Adequação da BR-282 entre São Miguel Oeste e Entroncam.BR153 (SC)
Adequação do Acesso Norte a Chapecó (SC)
Construção do Contorno Leste de Xanxerê (SC)
Adequação da BR-153 entre General Carneiro e Paulo Frontin (PR)
Adequação da BR-476 entre Lapa e São Mateus do Sul (PR)
Duplicação da BR-280 entre Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul (SC)
Adequação dos Acessos Rodoviários ao Porto de Paranaguá (PR)
Adequação da BR-487 entre Campo Mourão e Três Bicos (PR)
Pavimentação da BR-487 do trecho de Três Bicos a Ipiranga (PR)
Construção da BR-487 entre Porto Camargo e Campo Mourão (PR)


FERROVIÁRIOS
Adequação da Ferrovia ALL entre Mafra e São Francisco do Sul (SC)
Construção do Contorno Ferroviário de Jaraguá do Sul (SC)
Construção do Contorno Ferroviário de Joinville (SC)
Construção do Contorno Ferroviário de São Francisco do Sul (SC)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Guaíra (PR)
Construção da Ferrovia Ferroeste entre Maracajú e Cascavel (MS/PR)
Construção da Ferrovia Norte-Sul entre Panorama e Rio Grande
(RS/SC/PR/SP)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Campo Mourão (PR)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Laranjeiras do Sul (PR)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Pato Branco (PR)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Coronel Freitas (SC)
Construção do Terminal Rodo-Ferroviário em Passo Fundo (RS)
Construção do Trecho Ferroviário entre Guarapuava e Engenheiro Bley
(PR)
Construção do Trecho Ferroviário entre São Francisco Sul e Paranaguá
(SC/PR)

PORTUÁRIOS
Recuperação do Molhe Leste no Porto de Rio Grande (RS)
Modernização do Cais e da Sinalização do Porto Novo de Rio Grande (RS)
Dragagem em Rio Grande e São José do Norte (RS)
Dragagem no Porto de Imbituba (SC)
Ampliação da Área Portuária do Porto de Imbituba (SC)
Construção do Berço 401 no Porto de São Francisco do Sul (SC)
Recuperação do Berço 201 no Porto de São Francisco do Sul (SC)
Derrocagem de Lajes na Bacia de Evolução do Porto S.Francisco Sul (SC)
Construção do Terminal Mar Azul em São Francisco do Sul (SC)
Ampliação do Pátio de Triagem no Porto de Paranaguá (PR)
Construção do Novo Píer para Carga Geral no Porto de Paranaguá (PR)
Construção do Novo Píer para Granéis Sólidos no Porto de Paranaguá (PR)
Ampliação do Cais de Inflamáveis no Porto de Paranaguá (PR)
Ampliação do Pátio e Construção do Novo Berço para Contêineres no
Porto de Paranaguá (PR)
Construção de 2 Novos Armazéns Graneleiros no Porto de Paranaguá (PR)
Dragagem de Manutenção no Porto de Paranaguá (PR)
Aprofundamento canal de acesso e bacia de evolução de Paranaguá (PR)
Derrocagem no Porto de Paranaguá (PR)


OUTRAS INFORMAÇÕES
Comunicação FIESC

Dâmi Radin

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