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Procuradoria deve investigar nova denúncia contra secretário de Agnelo

11 Jun 2012 - 17h45

A Procuradoria Geral da República deve abrir procedimento administrativo para apurar novas provas de suposto envolvimento de secretário do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), com grupo farmacêutico acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsificação de medicamentos, entre outros.


O porta-voz do governo do Distrito Federal diz que "gravações telefônicas não foram divulgadas e não podem ser levadas a sério".

Agnelo presta depoimento na CPI do Cachoeira nesta quarta-feira (13) sobre suposta ligação de seu ex-chefe de gabinete e pessoas do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

De acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (11) pelo jornal "O Estado de S.Paulo", as provas (escutas telefônicas) foram levantadas na Operação Panaceia, em Minas Gerais, e indicam que o laboratório Hipolabor recorria ao atual secretário da Saúde do Distrito Federal e ex-diretor adjunto de Agnelo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Rafael Barbosa, para acelerar demandas no órgão. O teor das gravações não foi divulgado pelo jornal.

Em março, o jornal informou que uma agenda da diretoria do Hipolabor registra supostos pagamentos ao petista durante o ano eleitoral de 2010.

Em nota, a Hipolabor afirmou que não "encaminhou pedidos ao ex-diretor adjunto de Agnelo na Anvisa, Rafael Barbosa, e que todas as solicitações seguiram os trâmites normais". A empresa também negou ter feito doação à campanha.

A Procuradoria Geral informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que se concluir que há indícios de crime, o procurador-geral, Roberto Gurgel, pretende pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de inquérito ou a anexar à investigação sobre supostas irregularidades cometidas pelo petista quando era diretor da Anvisa.

Gravações não foram divulgadas
O porta-voz do governo do Distrito Federal (GDF), Ugo Braga, disse nesta segunda que Agnelo Queiroz não tem conhecimento das gravações noticiadas pelo "Estado de S. Paulo". Segundo Braga, o conteúdo destas supostas escutas telefônicas ainda não foi divulgado.

"O jornal fala em gravações, mas não apresenta nada. O que nós sabemos é o que está lá. Nem o governador nem o governo foram informados sobre o conteúdo", disse.

Ugo Braga afirmou ainda que um lobista chegou a procurar assessores da Anvisa para que processos de certificação fossem acelerados, mas não houve "nenhum favorecimento a qualquer laboratório".

"Se o lobista e o assessor tivessem intimidade, não haveria pressão. Houve a pressão, sim, para que processos fossem acelerados em favor deste laboratório, mas nenhuma assinatura foi concedida", disse.


Para o porta-voz, as denúncias contra Agnelo fazem parte de "guerra política".

"As acusações são antigas, inconsistentes e não causam transtorno algum ao governador. As denúncias não envolvem Agnelo e surgem agora, pois ele vai depor na CPI [do Cachoeira] na quarta-feira [13]".

Segundo Ugo Braga, "as denúncias são de uma Polícia Civil de um estado governado pelo PSDB, que faz ilações baseada em uma agenda escrita a caneta e que ainda não foi periciada".

"Nós vamos examinar todas as acusações, mas elas não podem ser levadas a sério. O governador Agnelo era diretor de inspeções da Anvisa e assinava certificados para o país inteiro. Ele não se lembra precisamente deste descrito na reportagem do jornal", completou.

Outro laboratório
No final do ano passado, Agnelo foi acusado pela deputada distrital Celina Leão (PSD) de receber R$ 50 mil de propina de Daniel Tavares, ex-funcionário da indústria União Química Farmacêutica. Na época da denúncia, a empresa negou envolvimento com irregularidades.

A deputada apresentou um recibo de R$ 5 mil de uma transferência feita pelo ex-funcionário da empresa para a conta de Agnelo. O documento é de janeiro de 2008, época em que Agnelo era diretor da Anvisa, responsável por liberar a circulação de medicamentos.

Por meio de nota, o governador confirmou ter recebido o depósito, mas diz que foi "a devolução de uma quantia concedida em empréstimo à referida pessoa, realizada de forma transparente".

Em fevereiro deste ano, o corregedor da agência, Ivon Carrico, entregou a representantes do governo do Distrito Federal uma declaração informando que não foram encontradas irregularidades cometidas pelo governador quando ele foi diretor do órgão.

GLOBO.COM.BR

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