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México ainda briga por liderança regional com Brasil, diz 'FT'

24 Jun 2011 - 11h05

Após uma década na qual passou de maior economia latino-americana a observador do protagonismo brasileiro na região, o México possui hoje "as bases assentadas para surpreender muitos", na avaliação de artigo publicado nesta sexta-feira pelo jornal britânico "Financial Times".


O texto, intitulado "Com tudo ainda a jogar na disputa com o Brasil", é assinado pelo ex-correspondente do jornal no México, John Authers, e faz parte de um caderno especial de quatro páginas sobre investimentos no país.

Authers comenta que há uma década, quando chegou ao país, o debate em voga na época, sobre quem era o verdadeiro líder econômico da América Latina, "parecia desnecessário para os mexicanos".

Na ocasião, o país se mostrava totalmente recuperado da chamada Crise Tequila, de 1994, havia passado por uma transição democrática que acabou com mais de 70 anos de governos ininterruptos do PRI (Partido Revolucionário Institucional), tinha um sistema bancário robusto e era apontado como um dos principais mercados emergentes do mundo.

O artigo observa porém, que "a história da rivalidade entre o Brasil e o México nos dez anos seguintes é dolorosa, ao menos para aqueles que gostam do México".

O texto observa que o Brasil hoje é parte do grupo BRIC e aparece apenas atrás da China na preferência dos investidores entre os países emergentes.

"POLÍTICOS ERRADOS"

O jornal aponta uma série de motivos para essa diferença, entre elas a debilidade das instituições políticas mexicanas e a "escolha de políticos errados" em referência aos dois últimos presidentes, Vicente Fox e Felipe Calderón.


Outro problema, segundo o "FT", foi o aumento da dependência mexicana em relação aos Estados Unidos após o estabelecimento do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).

Mas a emergência da China e a entrada do país asiático à OMC (Organização Mundial do Comércio) levou as empresas mexicanas a perder mercado de exportação para as chinesas. Enquanto isso, o Brasil se beneficiou do crescimento chinês e do consequente aumento da demanda por suas commodities.

O artigo também afirma que o Brasil tem uma cultura política e de negócios melhor do que o México, controlado por oligarquias e oligopólios que reduzem "cronicamente" a competitividade da economia mexicana.

Para o autor, porém, "talvez a mais profunda razão pela qual o México ficou para trás" está relacionada à aceitação, com o Nafta, de que suas empresas seguissem as normas para o resto da América do Norte".

"Companhias que agora tinham a chance de competir nos Estados Unidos ou no Canadá tinham que se comportar como seus competidores americanos e canadenses", observa o artigo.

Fonte: Folha SP

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