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Saúde

Mais de mil crianças de zero a 14 anos morreram em SC em 2016

07 Mar 2017 - 11h47
Mais de mil crianças de zero a 14 anos morreram em SC em 2016 -
O ano de 2016 fechou com uma estatística triste para as famílias catarinenses. Ainda que os índices de mortalidade infantil sejam baixos no Estado, 1.187 crianças de zero a 14 anos perderam a vida. A questão se agrava quando causas da morte decorrem de situações evitáveis, como as condições ambientais insalubres, falta de saneamento, higiene inadequada, água não potável e diferentes tipos de poluição. Em Florianópolis, a cobertura com rede de saneamento é de 55%, segundo a Casan. No Estado, 25% de rede de saneamento passa por tratamento, conforme o instituto Trata Brasil.

Fatores assim interferem nos órgãos e sistemas imunológicos em desenvolvimento das crianças, tornando fatais doenças controláveis, como as infecciosas, parasitárias, respiratórias. Situações semelhantes são destaque num mapeamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). Divulgado domingo, o relatório Inheriting a Sustainable World: Atlas on Children¿s Health and the Environment (em português, Herdando um mundo sustentável: Atlas sobre a saúde das crianças e o meio ambiente) revela que grande parte das causas mais comuns de morte de crianças de um mês a cinco anos no mundo são evitáveis.

O levantamento mostra que, anualmente, 1,7 milhão de meninas e meninos com menos de cinco anos morrem devido a problemas decorrentes da poluição ambiental. Em todo o mundo, de 11% a 14% das crianças com 5 anos ou mais relatam sintomas de asma e cerca de 44% delas estão relacionadas às exposições ambientais

Desigualdades regionais influenciam em números 

Em Santa Catarina, mesmo confirmando-se a tendência da queda da mortalidade infantil nas últimas décadas, há desigualdades sociais a serem enfrentadas. Há uma correlação direta entre acessos a serviços públicos e a incidência de mortes entre as crianças. No Planalto Serrano, a taxa é de 17,2 para mil nascidos vivos, seguida de 13,1 (Oeste) e 11,6 (Meio-Oeste). A Grande Florianópolis, por exemplo, mantém a menor taxa, com 8,6. Reflexo de itens como acesso a redes de serviços públicos mais estruturadas (água, esgoto e coleta de lixo), maior escolarização das mães e acompanhamento no período pré-natal.

Crianças também são expostas a produtos químicos nocivos (como fluoreto, chumbo e pesticidas como mercúrio, poluentes orgânicos persistentes e outros em bens manufaturados) por meio de alimentos, água, ar ou produtos  contaminados por substâncias tóxicas e isso faz crescer o número de pacientes infantis com tumores.

Outro exemplo apontado no relatório são as ameaças ambientais emergentes, como os resíduos eletrônicos e elétricos que são impropriamente reciclados e expõem a criança a toxinas que podem levar a uma redução da inteligência, déficits de atenção e até câncer.

Qualidade de vida interfere na mortalidade

Quanto melhor a qualidade de vida de uma população, menor será a taxa de morte de suas crianças. A observação é do pediatra Halei Cruz, médico da área técnica da Criança e do Adolescente na Secretaria de Estado da Saúde. O pediatra explica que a cada ano a taxa de mortalidade vem caindo e ter chegado a três dígitos (9.97), em 2014, é algo a ser destacado. Em parte, reconhece, deve-se a programas sociais, como o Bolsa Família, que melhorou a renda das famílias, e forçou a outros cuidados, como manter em dia a caderneta de vacinação.

Ainda assim, o médico chama a atenção para as diferenças regionais em território catarinense onde o empobrecimento das famílias é grande e carece de investimentos.

 

HoraSC

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