Delivery Much
GERAL

Grupo faz plano para demência no Brasil

29 Abr 2019 - 08h41Por Fabiana Cambricoli e Paula Felix

O rápido crescimento da população idosa no Brasil acendeu um alerta para um problema comumente associado ao envelhecimento: a demência. Para desenvolver estratégias para o diagnóstico e a assistência aos pacientes, um grupo que reúne cientistas, governo, cuidadores e pacientes está trabalhando na elaboração do Plano Nacional para a Demência no Brasil, previsto para ser finalizado em dezembro de 2021.

"Nosso objetivo é aumentar o conhecimento da população sobre o tema, fazer uma avaliação do que já existe com foco em demência, tanto no setor público quanto no privado, e estudar os custos dessa estratégia de cuidado", explica a psiquiatra Cleusa Ferri, coordenadora do projeto Fortalecendo Respostas à Demência nos Países em Desenvolvimento (Stride).

O projeto é liderado pela London School of Economics and Political Science e fechou uma parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no final do ano passado.

Pesquisas já apontam que, quanto maior o grau de escolaridade, mais tarde os sinais de demência aparecem. E esse será o ponto de partida do trabalho. O grupo vai elaborar estratégias para oferecer informações para a população e para profissionais sobre o tema, analisar pesquisas sobre o assunto desenvolvidas no País e estabelecer meios de fazer a estimulação cognitiva dos idosos.

"No Brasil, grande parte do custo da demência vem do cuidado informal - as pessoas que param de trabalhar para cuidar do idoso. Em outros países, há um número razoável de instituições de longa permanência com suporte público", diz Cleusa.

Foi o que aconteceu com a pedagoga Sheila Tabajuihanski, de 58 anos, que há cinco anos descobriu que a mãe estava com demência e percebeu que os profissionais de saúde e as próprias famílias não estão preparados para a situação.

"A médica deu um diagnóstico de Alzheimer em uma consulta de 15 minutos, sem saber mais detalhes sobre o quadro da minha mãe. No início, mesmo com convênio, não sabíamos a quem recorrer. Fomos a um geriatra particular que, depois de meses, disse que ela tinha outro tipo de demência, a por corpos de Lewy, muito associada à idade", conta.

No início, conta Sheila, a mãe, Bayla Tabajuihanski, de 84 anos, tinha alterações apenas de comportamento. Com o tempo, foi acumulando perdas cognitivas e motoras. Hoje, não consegue mais se alimentar nem tomar banho sozinha e precisa de ajuda para caminhar.

Sheila parou de trabalhar pela manhã para cuidar da mãe e, no período da tarde, conta com a ajuda de uma empregada. Somando fraldas, medicamentos, alimentação e empregada, a família gasta cerca de R$ 6 mil por mês com os cuidados à idosa.

"Com toda a minha formação, eu não estava preparada para o envelhecimento da minha mãe dessa maneira e não tinha uma visão de Brasil com demência, mas hoje sei que são muitos casos e tem gente que nem tem o diagnóstico." Segundo Cleusa, 1,7 milhão de pessoas têm algum tipo de demência no País e 77% não têm o diagnóstico.

Pesquisas

A iniciativa de criação do plano nacional integrou um simpósio realizado neste mês, em que foram apresentadas pesquisas desenvolvidas por brasileiros financiadas pelo Instituto Global de Saúde do Cérebro (GBHI) e pela Associação de Alzheimer.

Uma delas é a da neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais Elisa Resende, que avalia como a alfabetização de adultos pode contribuir na redução do risco de demência. "Se a gente conseguir provar que o programa de alfabetização vai evitar ou diminuir (os casos de demência), pode ser uma estratégia de prevenção, que é barata."

Outro é da doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Maira Okada de Oliveira, que desenvolve um método para diagnóstico em analfabetos. "Quando você avalia um paciente e ele apresenta um desempenho ruim nos testes neuropsicológico, fica difícil de entender se ele teve esse desempenho por não ser escolarizado ou se está com algum comprometimento cognitivo."

Procurado, o Ministério da Saúde informou que o Brasil faz parte do Observatório Global de Demência e que está na fase de coleta de dados. Disse ainda que oferece assistência para pacientes com Alzheimer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Geral

Deslizamentos de terra danificam imóveis em Jaraguá

Três casas tiveram danos ocasionados por deslizamentos. Além disso, houve registros de quedas de árvores e outras ocorrências sem gravidade.
Deslizamentos de terra danificam imóveis em Jaraguá
Geral

Participe dos grupos de WhatsApp da Rádio Jaraguá

Pelo aplicativo você tem acesso às notícias mais importantes a qualquer momento
Participe dos grupos de WhatsApp da Rádio Jaraguá
Geral

Norma de pesagem é revisada e caminhoneiro pagará menos, diz ministro

Segundo ele, peso por eixo será substituído e tolerância, ampliada
Saúde

Weg integra grupo que fará doação para nova usina de oxigênio ao Amazonas

O grupo fará uma doação para o programa Unidos Contra a Covid-19 no valor de R$ 1,6 milhão, referente a uma usina de produção de oxigênio, que deverá dar suporte aos hospitais públicos da região
Weg integra grupo que fará doação para nova usina de oxigênio ao Amazonas
Ver mais de Geral