VARIEDADES

Alessandra Negrini vive jovem inconsequente

16 Mai 2019 - 08h17Por Leandro Nunes

Numa noite qualquer pela Rua Augusta, a jovem Charlotiê vê um rato saindo do bueiro e o persegue. Ela cruza com punks, clubbers e usuários de crack. O rato entra em um inferninho e ela tenta fazer o mesmo, mas é barrada pelo segurança. A dramaturgia de Uísque e Vergonha parece ter o ritmo de um grande carrossel, tendo como centro - a engrenagem principal - a jovem desbravadora de São Paulo Charlotiê, personagem de Uísque e Vergonha, da obra de Juliana Frank. Na versão adaptada pela dramaturga Michelle Ferreira, o espetáculo está em cartaz no Teatro Novo e carrega a mesma energia de uma viagem mirabolante pela cidade.

A velocidade com que a trama acontece não está apenas nas palavras, mas na infinidade de personagens e ambientes na encenação de Nelson Baskerville. Em entrevista por telefone, o diretor enumera os lugares por onde a personagem de Alessandra Negrini passa no espetáculo. "Além da Augusta, passamos pelo cemitério do Araçá, há também a casa da personagem, uma escola, restaurante, praia e boate." Cada um desses espaços está sinalizado em um painel giratório no palco, criado pelo artista visual Carcarah e que, à medida em que Charlotiê se movimento, a estrutura a acompanha.

Outros números que podem surpreender são a quantidade de personagens que a jovem menina-mulher tropeça durante sua jornada. "São 22", diz Michelle Ferreira. "Mas tem muito mais no original." Para a dramaturga, a obra de Juliana é instigante "porque há uma verborragia boa de se falar. Ela traz um sabor para as palavras que acontece quando são ditas em voz alta." Para viver tantos sujeitos urbanos, a peça ainda traz no elenco Erika Puga, Gui Calzavara, Carcarah e a atriz convidada Ester Laccava. "São figuras estranhas e que não têm limites em suas ideias, além de humor afiado e ironia", acrescenta a dramaturga. "São personagens muito contraditórios, como a própria Charlotiê, que carregam um tanto de juventude e estranheza."

A obra que inspirou a peça foi lançada em 2016 pela editora Oito e Meio, depois de outras três publicações que também têm mulheres como figuras centrais, independentes e sem pudores sexuais. O primeiro, em 2011, foi o romance Quenga de Plástico (7Letras), sobre uma ex-atriz pornô chamada Leysla Kedman e suas peripécias. Em 2013, considerada revelação da nova literatura brasileira, Juliana lança a história de Lawanda, em Meu Coração de Pedra Pomes (Companhia das Letras), sobre uma funcionária de limpeza que trabalha em um hospital e também é colecionadora de borboletas. Seu desejo é que o amado José Júnior largue a esposa e passe a viver com ela. Para atrair o rapaz, ela lança um estranho feitiçõ - costurar as borboletas em sua calcinha. No mesmo ano, e com a mesma abordagem sem meias palavras, sai Cabeça de Pimpinela, uma obra mais interativa, na qual a autora sugere que o leitor pode escolher ler tanto no tempo presente, quanto no passado. A trama bem brasileira, e marginal, revela a vida de uma personagem que busca um emprego - enquanto tenta sobreviver com R$ 20 por dia, tudo sem perder o rebolado. "Ela tem uma imaginação sem limites", conta Michelle. "Esta adaptação, por exemplo, dificilmente poderia ser feita de maneira realista. De alguma forma, a plateia saberá que o elenco está interpretando personagens."

A abordagem da escritora sobre a temática e seu estilo singular levou Juliana, em 2016, para uma mesa sobre literatura e sexo - senão polêmica, um tanto estranha - na 14ª Feira Literária de Paraty (Flip). O debate acompanhado da jornalista peruana Gabriela Wiener e do mediador, o jornalista Daniel Benevides, teve uma série de desencontros incluindo uma Juliana acenando - com o dedo do meio - aos fotógrafos, falando de costas para a plateia, frases como "escrever é sempre sobre sexo", ao explicar porque escreve sobre o tema, e que faz isso desde quando "era uma estrela."

UÍSQUE E VERGONHA
Teatro Novo. Rua Domingos de Moraes, 348. Tel.: 2155-0665. 6ª, sáb., 21h30, dom., 19h. R$ 60 / 30. Até 7/7.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Matérias Relacionadas

Jaraguá do Sul

Fujama prepara cartilha sobre as espécies nativas da região

Material será ilustrado com fotos de exemplares dos animais silvestres que habitam no Vale do Itapocu
Fujama prepara cartilha sobre as espécies nativas da região
Jaraguá do Sul

Câmara.com Você completa 10 anos nesta segunda-feira (25)

O programa leva conhecimento político para as escolas e proporciona aos estudantes uma vivência mais próxima ao Poder Legislativo Municipal
Câmara.com Você completa 10 anos nesta segunda-feira (25)
Variedades

Busca por “notícia boa” é a mais alta de todos os tempos no Google

O fenômeno internacional também se repetiu aqui no Brasil
Busca por “notícia boa” é a mais alta de todos os tempos no Google
Coronavírus

32ª Schützenfest é adiada para 2021

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (4)
32ª Schützenfest é adiada para 2021
Ver mais de Variedades