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Segurança

Ocorrências de tráfico de drogas em Santa Catarina crescem 428% em onze anos

Dados da Polícia Civil apontam elevação do número de apreensões de drogas e de prisões entre 2008 e 2018

06 Mai 2019 - 15h30Por Darci Debona / NSC Total
Apreensão de maconha feita pela Polícia Civil e PRF em junho do ano passado em Lages - Crédito: Polícia Civil / DivulgaçãoApreensão de maconha feita pela Polícia Civil e PRF em junho do ano passado em Lages - Crédito: Polícia Civil / Divulgação

As ocorrências envolvendo tráfico de drogas em Santa Catarina aumentaram 428% entre 2008 e 2018, segundo dados da Polícia Civil. São 2 mil registros em 2008, contra 10,6 mil no ano passado. O número de prisões por tráfico também cresceu proporcionalmente no mesmo período, em 281%, subindo de 1 mil para 3,8 mil. 

Autoridades ligadas à Segurança Pública e especialistas no tema consideram três fatores como principais causas dessa elevação: eficácia das ações de repressão policial, aparelhamento de grupos criminosos e o consumo, que alimenta a prática ilegal.

Nos 11 anos analisados pela reportagem também foi constatada alta no volume de drogas recolhidas. As apreensões de crack, que foram de 16 quilos em 2008, chegaram a 136 quilos em 2018, crescimento de 750%. 

A apreensão de maconha aumentou 36 vezes, passando de 391 quilos em 2008 para 14,1 toneladas em 2018. No período analisado, o recorde foi registrado em 2017, quando 47 toneladas da droga foram tiradas de circulação pela polícia. 

De acordo com o secretário de Estado de Segurança Pública e comandante geral da Polícia Militar (PM) de Santa Catarina, coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes, a articulação entre as forças policiais é um dos fatores para o aumento dos números, além do crescimento do consumo e do tráfico de drogas. 

— A leitura da PM é de que vem crescendo a quantidade e a variedade de drogas apreendidas. O número de apreensões tem a ver com o aumento do consumo e ação de fiscalização na ponta, nos pontos de venda, com o aumento do número de apreensões de pequenas quantidades, o que é fundamental para a sensação de segurança — destaca o secretário. 

Araújo cita o trabalho de inteligência, que evita a distribuição dos entorpecentes nos pontos de venda. 

— A ação de inteligência resulta na apreensão de cargas, como tivemos uma de 8,5 toneladas no ano passado (em Itajaí) e essa recente (nesta terça-feira, na BR-282, em Rancho Queimado), de cinco toneladas, numa ação conjunta da Polícia Civil. Então, temos uma efetividade maior das forças policiais — ressalta.

Entre as estratégias para reduzir a oferta das substâncias ilegais, o secretário afirmou que a polícia busca ter maior presença nas comunidades dominadas pelo tráfico.

Pessoas vulneráveis são cooptadas pelo tráfico
O diretor da Deic, Luis Felipe Fuentes, também ressaltou a integração entre os órgãos de segurança com um fator que tem melhorado os resultados de apreensão. Mas também acredita que há um aumento de consumo. Ele também avalia que, quando há uma piora no cenário econômico, pessoas em situação vulnerável são cooptadas pelo tráfico. 

Fuentes cita que drogas como cocaína e maconha entram pelos países vizinhos tanto tendo como destino Santa Catarina ou outros países, como o Uruguai. O Estado também é rota de passagem, com saída de drogas pelos portos. 

Já em relação a drogas sintéticas, foram identificados laboratórios de produção em Joinville e Balneário Camboriú. 

A polícia tem desenvolvido uma série da ações para combater o tráfico. Fuentes ressalta o trabalho das 30 Divisões de Investigação Criminal (DIC) regionais. Também foi criado um laboratório e uma Divisão de Investigação de Lavagem de Dinheiro. 

— Sem dinheiro as quadrilhas não podem comprar drogas nem armas. É um trabalho mais complexo, mas que tem efeitos mais fortes dando prejuízo para as quadrilhas. A nossa intenção é transformar Santa Catarina num território de difícil atuação das quadrilhas, onde eles tenham prejuízo e reduzam sua ação — afirma o diretor da Deic.

Fuentes diz que o tráfico também está relacionado a outros crimes como furto e roubo para sustentar o vício, tráfico de armas e homicídios. 

Fatores que resultam em mais apreensões
De acordo com o especialista em Segurança Pública Eugênio Moretzsohn, o incremento nas apreensões de drogas ilícitas dos últimos anos deve-se aos seguintes fatores:

- Efeito colateral perverso da grave e longeva crise econômica, que acabou por favorecer o ingresso de muitas pessoas em atividades criminosas e que terminou por elevar o número de detidos e de detentos;
- Elevação do consumo per capita de drogas ilícitas por alguns segmentos da população, especialmente os dois extremos da pirâmide social: os mais abastados consumindo drogas sintéticas e, os mais pobres, o crack;
- Elevação do nível de eficiência operacional das polícias, em especial a judiciária (investigação), especialmente favorecida com o aporte de novas tecnologias de interceptação e análise de dados;
- Aperfeiçoamento das práticas e das tecnologias de escaneamento de cargas em ambiente aduaneiro, com grandes apreensões em portos e aeroportos;
- Integração das agências de inteligência, ainda que de forma parcial, mas, que já mostra resultados positivos do compartilhamento de informações;
- Intolerância das pessoas com a impunidade e a corrupção, o que elevou a quantidade de denúncias. 

Intensificação de ações
Na avaliação do promotor de justiça Júlio Locatelli, da 2ª Vara Criminal de Chapecó, há um aumento do consumo de drogas pelo crescimento populacional, mas é bem inferior ao número de ocorrências registradas pelo tráfico de drogas. 

— O que me preocuparia é se continuássemos com os mesmos números de apreensões e ocorrências dos anos anteriores. Esse aumento ocorre principalmente pela ação mais articulada da polícia judiciária, com o uso de novas tecnologias que garantem mais eficácia e intensificação da polícia ostensiva nos locais identificados como pontos de tráfico, o que gera mais prisões — disse.

Ele cita uma investigação da Polícia Civil de Chapecó, que resultou na prisão de 31 pessoas por tráfico na região Oeste do Estado, na operação denominada Woodstook Condá. 

O coronel Araújo Gomes também ressalta que, além do trabalho de segurança, são necessárias políticas públicas de combate ao uso de drogas. Ele destaca como exemplo o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que é realizado nas escolas.

Fonte: NSC Total


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