Saúde

Agachar e ajoelhar reduz risco de doenças cardíacas e metabólicas

Cientistas descobriram agora que essas duas posições são importantes para a saúde humana moderna, inclusive para combater o sedentarismo das pessoas que passam horas sentadas no trabalho

14 Mar 2020 - 15h00Por Da Redação
Agachar e ajoelhar reduz risco de doenças cardíacas e metabólicas - Crédito: Christopher / CC / Pixabay Crédito: Christopher / CC / Pixabay

Antes da invenção da cadeira, o ser humano se agachava e se ajoelhava para repousar o corpo. E estava certo, sabia?

Cientistas descobriram agora que essas duas posições são importantes para a saúde humana moderna, inclusive para combater o sedentarismo das pessoas que passam horas sentadas no trabalho… e podem evitar alguns riscos de doenças cardíacas e metabólicas.

Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia, publicado esta semana na revista Proceedings da National Academy of Sciences, mostra que agachar e ajoelhar envolvem níveis mais altos de atividade muscular do que sentar na cadeira e podem ajudar a proteger as pessoas dos efeitos nocivos da inatividade.

“Como os níveis leves de atividade muscular requerem combustível, o que geralmente significa queima de gorduras, as posturas de agachamento e ajoelhado podem não ser tão prejudiciais quanto sentar em cadeiras”, disse David Raichlen, professor de ciências biológicas da Faculdade de Letras, Artes e Ciências da USC Dornsife.

O estudo

Para entender melhor a evolução dos comportamentos sedentários, os cientistas estudaram a inatividade em um grupo de caçadores-coletores da Tanzânia, os Hadza, que têm um estilo de vida semelhante à maneira como os humanos viviam no passado.

Para o estudo, os participantes do Hadza usavam dispositivos que mediam atividade física e períodos de descanso.

Os cientistas descobriram que eles tinham altos níveis de atividade física – três vezes mais que os 22 minutos por dia recomendados pelas diretrizes de saúde federais dos EUA.

Mas os cientistas também descobriram que eles tinham altos níveis de inatividade.

De fato, os Hadza são sedentários tanto tempo – cerca de 9 a 10 horas por dia – quanto os humanos nos países mais desenvolvidos.

No entanto, eles parecem não ter os marcadores de doenças crônicas associadas, nas sociedades industrializadas, a longos períodos de trabalho.

“Embora tenha havido longos períodos de inatividade, uma das principais diferenças que notamos é que os Hadza estão frequentemente descansando em posturas que exigem que seus músculos mantenham baixos níveis de atividade – agachados ou ajoelhados”, disse.

Além de rastrear atividades e inatividade, os pesquisadores usaram equipamentos especializados para medir a atividade muscular nos membros inferiores em diferentes posturas de repouso.

Agachar envolveu mais atividade muscular em comparação com a sessão.

Os pesquisadores sugeriram que, como o Hadza se agacha e se ajoelha e tem altos níveis de movimento quando não está em repouso, eles podem ter atividade muscular mais consistente ao longo do dia. Isso pode reduzir os riscos à saúde associados ao comportamento sedentário.

Mudança de hábitos

“A substituição da cadeira e a inatividade muscular associada por posturas de repouso ativas mais sustentadas podem representar um paradigma comportamental que deve ser explorado em futuros trabalhos experimentais”, dizem os cientistas envolvidos na pesquisa.

Resolver essa incompatibilidade de inatividade com o nosso passado evolutivo poderia render uma saúde melhor hoje.

“Agachar-se não é uma alternativa provável”, ponderou Raichlen, “mas passar mais tempo em posturas que exigem alguma atividade muscular de baixo nível pode ser bom para a nossa saúde”, concluiu.

Fonte: SóNotíciaBoa


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