Delivery Much
POLÍTICA

MP junto ao TCU vê excesso de Bolsonaro e pede apuração sobre propaganda vetada

29 Abr 2019 - 21h34Por Rafael Moraes Moura

O representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, pediu nesta segunda-feira, 29, a abertura de apuração sobre o veto do presidente Jair Bolsonaro a uma campanha publicitária do Banco do Brasil, estrelada por atores negros e brancos, que mostrava a diversidade racial e sexual do País. Para o subprocurador, o caso aponta para uma possível interferência do governo em decisão corporativa do Banco do Brasil, o que fere a Lei das Estatais.

Rocha Furtado pediu ao TCU que apure eventuais prejuízos acarretados ao Banco do Brasil e as responsabilidades dos gestores do BB no episódio, além de verificar as "vulnerabilidades" na governança da União em relação à instituição. O pedido será analisado pelo presidente do tribunal, José Mucio Monteiro.

De acordo com o Banco do Brasil, foram destinados R$ 17 milhões para a produção da campanha e a veiculação da peça nos meios de TV, rádio e internet.

O subprocurador ressaltou na representação enviada ao TCU que o próprio presidente da República confirmou o veto à propaganda, ao dizer no último sábado que a peça publicitária não é a "linha de pensamento" dele. "Quem nomeia o presidente do Banco do Brasil sou eu? Não preciso falar mais nada então. A linha mudou. A massa quer o quê? Respeito à família. Ninguém quer perseguir minoria nenhuma. E nós não queremos que dinheiro público seja usado dessa maneira", disse Bolsonaro na ocasião.

Prejuízos

Para Rocha Furtado, aparentemente "não há nenhuma justificativa técnica" para que Bolsonaro tenha vetado o comercial que já se encontrava em divulgação, ao contrário, "a motivação é puramente ideológica".

"É importante deixar evidenciado que o que, de fato, se questiona nesta representação é que a interferência aqui retratada fere, em última instância, a autonomia da empresa estatal em questão e isso não pode ser relevado", sustenta o subprocurador-geral.

O subprocurador aponta que as possíveis ilegalidades cometidas com o veto à peça publicitária pode trazer impactos aos cofres do Banco do Brasil e mostrar a "fragilidade na governança do governo" em relação à instituição.

De acordo com o subprocurador-geral, dois tipos de prejuízos ao erário podem ocorrer: o primeiro, o gasto com a produção da peça publicitária em si, que foi descontinuada e saiu do ar; o segundo diz respeito à estratégia mercadológica do banco para atrair novos clientes.

"Ou seja, ao deixar de atingir o público alvo da propaganda, a estatal financeira poderá ter deixado de captar número substancial de novas contas bancárias por estar ausente da disputa comercial - ao menos no nível de marketing - do público que se pretendia atingir com a propaganda abruptamente descontinuada", destaca o subprocurador.

Com a palavra

Procurada, a assessoria do Banco do Brasil não havia se manifestado até a publicação deste texto sobre o pedido de apuração apresentado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Geral

Tamanini recebe demandas de empresários de condomínio industrial em Corupá

A necessidade de uma rotatória de acesso ao condomínio e preocupação com falta de mão de obra foram os principais assuntos abordados
Tamanini recebe demandas de empresários de condomínio industrial em Corupá
Política

MPSC arquiva investigação contra Moisés na compra dos respiradores

As investigações terão prosseguimento com relação aos demais investigados.
MPSC arquiva investigação contra Moisés na compra dos respiradores
Política

Jair Pedri fala sobre início do mandato na Câmara de Jaraguá

Parlamentar participou ao vivo do Diário da Jaraguá desta quarta-feira (27)
Jair Pedri fala sobre início do mandato na Câmara de Jaraguá
Política

Luiz Fernando Vampiro será o novo secretário da Educação de Santa Catarina

A data da posse ainda será definida.
Luiz Fernando Vampiro será o novo secretário da Educação de Santa Catarina
Ver mais de Política