Procissão de Fé
Emoção marca procissão da Via-Sacra no Molha
Durante duas horas, cerca de quatro mil devotos caminharam e refletiram sobre a Paixão de Cristo em Jaraguá do Sul
O relógio já marcava 7h40 no dia de hoje quando o sol resolveu aparecer deixando a tradicional procissão de Via-Sacra do Molha, em Jaraguá do Sul, ainda mais emocionante e especial. Cerca de quatro mil pessoas acordaram cedo para percorrer as 15 estações que contam a vida de Jesus. A rua ficou tomada de iluminação e energia positiva.
O trajeto de 3,5 km, aproximadamente, até a Igreja Nossa Senhora do Rosário, popularmente chamada de Igreja do Molha, foi regado de muita oração e introspecção entre os fiéis que a cada parada ouviam com atenção a liturgia, cantavam e acendiam suas velas, que eram carregadas em sacolas e até mesmo na mão.
A pequena Emíli Milena Amaral, de 9 anos, faz a procissão desde os seis anos. A cada parada, a mãe entrega uma vela para a jovem que corre com entusiasmo até a capela para acender a chama e agradecer.
Já o casal José dos Santos, 79 anos, e Cecília dos Santos, de 80 anos, vem sempre ao Molha participar desse momento. José tem o mesmo nome do pai de Jesus, São José, e seguiu uma profissão muito próxima também. São José era carpinteiro e o José é marceneiro.
Em meio a sorriso e satisfação, José conta que fez um suporte de madeira para que ele e a mulher pudessem carregar as velas sem correr o risco de queimar as mãos. Em volta do suporte, o casal coloca um papel celofane que dá um charme a mais. “A gente troca só o papel quando precisa”, comenta Cecília.
Os dois percorrem o caminho há anos e Cecília conta que é o “milagre da fé”.
Quem vem pela primeira vez ou pela milésima vez, a emoção é a mesma. Gustavo Titzkuehne, de 11 anos, veio com a mãe pela segunda vez. Para ele, é um momento muito importante. “É sempre bom relembrar os passos de Jesus. É um momento de reflexão, amor à Deus. Vim agradecer pela saúde, pela vida e pedir paz ao mundo”.
Após quase uma hora de caminhada, às 5h50, o dia começava a clarear e os cachorros da rua latiam conforme as pessoas iam passando. Na frente e atrás da multidão carros da Polícia Militar, que faziam a segurança dos fiéis, e no meio uma kombi que puxava as orações que eram seguidas pelo povo que não perdia o compasso nem mesmo com o cheiro de diesel e pneu queimado.
Quando se chegava a outra estação, uma pessoa puxava a mensagem e Manuel Rosa, de 45 anos, junto com mais duas pessoas, entravam com o canto em dó maior. Segundo o músico que participa da liturgia e dos cantos da igreja há 25 anos, esse é um momento muito especial, pois ele renova o ser humano.
Já eram 6h10 quando as velas começaram a derreter, mas isso não atrapalhou quem estava carregando a mesma. Pelo contrário, reforçou a fé de cada um, pois acredita-se que quando uma vela queima até o fim, é porque o pedido ou agradecimento foi aceito. E Roberto B. da Silveira, de 30 anos, que veio de Brusque para o ato, tem um motivo a mais para agradecer além do terço que carregava entre as mãos e dos joelhos que se dobravam em cada estação para rezar. O jovem está estudando para ser padre.
Às 6h40, os fiéis chegaram a última capela e ouviram o padre Hélio Feuser falando sobre esse momento de jejum e reflexão.
Depois da procissão, algumas pessoas subiram até a Igreja do Molha para se confessarem com os três padres que estavam disponíveis e tomar o café preparado pela comunidade. Segundo Sandréia Raquel Meyer, 39 anos, que ajuda a preparar esse momento desde pequena, para essa edição foi feito cerca de 2.200 pasteis, 35 formas grandes de cuca (cerca de nove pedaços) e comprados cerca de 280 pacotes de bolacha, 1.080 garrafinhas de refrigerante e 180 de água.
Os fiéis começaram a descer por volta das 8h10 e mesmo com o sol, era possível ver muita neblina.
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Crédito: Piero Ragazzi
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