Câmara de Vereadores

Câmara homenageia entidades e personalidades no Dia da Consciência Negra

18 Nov 2016 - 13h02

O evento homenageou dez pessoas da comunidade pelo trabalho desenvolvido na preservação da cultura negra através de seus cultos religiosos. O grupo Afoxé Omilodê e o coral do MOCONEVI trouxeram manifestações culturais que ressaltaram a história negra no Brasil e em nossa região.


Luís Fernando Olegar, presidente do MOCONEVI - Movimento de Consciência Negra do Vale do Itapocu e Presidente do COMPIR - Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, lembrou do avanço nas políticas públicas de preservação e estímulo aos cultos afrodescendentes. Exaltou também o trabalho realizado pelo poder público nos últimos anos.

“Há alguns anos, a invisibilidade desses cultos de matriz africana era muito grande. As pessoas não se declaravam como dessas religiões nas pesquisas que fazíamos. Trabalhamos neste sentido, para que essas pessoas fossem vistas e respeitadas. Depois de tanto tempo, muita coisa mudou e esse já é o segundo evento da Umbanda nesta Casa de Leis”, recordou.

A Yalorixá na Casa da Vó Joaquina, Jacila de Souza Barbosa, disse que ainda há muito a ser feito para que as intolerâncias religiosa, racial, sexual e outras sejam desarraigadas de nossa sociedade. “Atualmente buscamos o direito à prática religiosa. Tentam calar nossos tambores. Intimidar-nos pelo uso de nossas roupas, colares e turbantes. Eu acredito e luto por respeito. Agradeço à FUCA, à população de Jaraguá do Sul e aos vereadores pelo reconhecimento do nosso trabalho. Esse trabalho busca a redução de danos causados por qualquer tipo de discriminação, seja social, sexual, racial ou qualquer outra”, ressaltou Barbosa.

O Professor José Aparecido Felix, Diretor de Cultura na FUCA - Federação da União de Cultos Afro Brasileiros, fez um discurso inflamado na tribuna da Casa para também pedir respeito aos cultos de matriz africana. Ele citou alguns ataques feitos às pessoas desta vertente religiosa na nossa região. Destacou o papel da FUCA na solução desses conflitos e na produção de conhecimento para isso. “Estamos presentes em mais de 150 cidades no Brasil e no mundo que trabalham para que isso acabe. Estaremos indo a cada gabinete desta Câmara, no início de fevereiro, para que a FUCA torne-se uma entidade de utilidade pública. Isso vai ser de grande valia para nós”, avisou.

O prefeito, Dieter Jassen, também se fez presente na homenagem e parabenizou às entidades pelo trabalho realizado. “Obrigado por tudo que vocês fazem por essa cidade. Que todos trabalhem neste sentido. Para que possamos fazer essa cidade gigante e especial. Parabéns pelo esforço”. 

CONFIRA O CURRÍCULO DE CADA HOMENAGEADO:

Antonio José Piasson

Filho de colonos nasceu em 27 de abril de 1955 na cidade de Cunha Porã – SC. Desde sua infância sofria com problemas de saúde. Buscava sua cura através da ajuda de padres e benzimentos, mas encontrou respostas na Umbanda.

Em fevereiro de 2013, fundou a Federação da União de Cultos Afro Brasileiros – FUCA. A Federação tem como principal objetivo a legalização dos templos das religiões afro-brasileiras. Leva orientação e formação para seus associados e demais interessados, atuando em 158 cidades de diferentes estados e também no exterior. 

Alvino Engelmann

Sua família passou por um longo período de dificuldades e problemas de saúde. Foram anos de consultas médicas sem respostas.

Buscou ajuda espiritual junto ao Padre Aloísio Boeing que o orientou a pedir auxílio em um centro de Umbanda. O Padre acreditava que ele tinha uma missão a cumprir. No momento a igreja não podia oferecer as respostas que procurava.

Na tentativa de solucionar seus dilemas, o mecânico começou a frequentar uma casa em Joinville.

Apesar de perceber que sua vida estava melhorando relutava bastante em seguir este caminho. De família tradicional de Guaramirim enxergava a Umbanda como uma religião exclusiva de pessoas Afrodescendentes.

Vencido o preconceito inicial começou a cumprir sua missão. Da mesma forma que foi ajudado no passado, hoje como chefe espiritual auxilia aqueles que o procuram.

Pai de Santo mais antigo de Guaramirim, atende semanalmente no centro da cidade. Para ele, a melhor de todas as religiões é a fé. 

Gilberto da Silva Muniz

Natural de Campo Erê, nasceu em 28 de novembro de 1978.  No Instituto Franciscano na cidade de Petrópolis – RJ formou-se em Filosofia e Teologia. Desenvolveu um trabalho dentro da religião católica por diversas áreas e cidades do Brasil.

Desde pequeno, a mediunidade o acompanhava. Ouviu um chamado da Umbanda e entendeu que fora escolhido para cumprir sua missão através dessa crença.

Através de seus Orixás foi guiado para Pomerode-SC. Na cidade abriu o primeiro centro de umbanda da região, denominado Tenda Caboclo Sete Flechas. Os atendimentos são feitos a qualquer hora do dia e da noite, sem qualquer cobrança. O amor e a caridade são seus princípios.

Orgulha-se dos sete anos como Pai de Santo. Acredita ter encontrado sua missão de vida. Se pudesse voltar no tempo escolheria novamente a Umbanda para guiar seus caminhos.

 Jeruse Maria Romão

Graduada em pedagogia pela Universidade do Estado de Santa Catarina e mestre em educação pela Universidade Federal.

Possui ampla experiência na área educacional com ênfase nos temas: teatro experimental do negro, ensino profissional, currículos e políticas educacionais.

Escritora de vários livros na área de educação e cultura africana, entre os quais “Africanidade Catarinense”. É bisneta da Yalorixá Mãe Malvina, fundadora da Umbanda em Santa Catarina. Yalorixá na Umbanda Almas de Angola. 

Paulo Orlandim

Nascido em 22 de dezembro de 1954 na cidade de Peabiru- PR, iniciou sua vida espiritual na Umbanda em 1968, aos 14 anos de idade.


Em 1973 passou a fazer parte de uma corrente mediúnica no terreiro de Umbanda Caboclo Tira Teima, na cidade de Cascavel – PR. Formou-se Babalorixá em 1978. Desenvolveu trabalhos espirituais na cidade paranaense até 1998. No ano seguinte, para ficar perto de sua família, mudou-se para Jaraguá do Sul.

Atualmente é chefe espiritual na Tenda de Umbanda Ogum Rompe Mato, no bairro Rio Molha. 

Israel Jesus Borges

Natural de Joinville, nasceu em uma família tradicionalmente católica. Aos 15 anos de idade, um desentendimento com seu pai o fez sair de casa. Mudou-se para São Francisco do Sul e passou a morar no porto. Acabou se envolvendo com vícios que comprometeram sua trajetória.

Anos depois, retornou para Joinville e restabeleceu sua vida. Voltou a morar com seus pais. Casou-se pela primeira vez e constituiu família. Um trágico acidente interrompeu a vida de seu filho, aos oito anos de idade. Os problemas espirituais que já enfrentava se acentuaram com esse incidente.

Várias religiões e crenças foram frequentadas em busca de respostas e alívio interior. Madalena Marcondes foi a primeira mãe de santo que o auxiliou em seu tratamento e o conduziu no início de sua vida espiritual.  

Com a sua esposa, Neuza passou a realizar atendimentos em sua casa. Juntos, perceberam a necessidade de montar seu próprio terreiro quando o espaço oferecido tornou-se pequeno.

Atualmente é líder espiritual na Tenda de Umbanda Caboclo Sente Ondas. Atende gratuitamente 60 pessoas por semana, além de distribuir cestas básicas e oferecer apoio psicológico quando necessário. 

Alvino Hinkeldey

Aos oito anos de idade, Rudolfo, seu filho mais velho sofria de problemas espirituais. Por não compreender os fenômenos que ocorriam em sua casa percebeu que precisava de ajuda.

No ano de 2001, por meio de sua irmã, foi apresentado a um Centro de Umbanda na cidade de Joinville. Iniciou um tratamento por dois anos consecutivos.  Através de orientação espiritual, conseguiu compreender o que sua família vivenciava.

Entendeu que fora incumbido juntamente com sua esposa a prestar assistência a pessoas que dela necessitavam. Atualmente, é chefe espiritual de um Terreiro de Umbanda no município de Corupá. 

Maria de Lurdes Vieira Rosa

Natural de Porto Vitória – PR, reside há 12 anos em Jaraguá do Sul. Seu filho, Jean Carlos, enfrentava problemas de saúde sem respostas médicas. Um grupo de parapsicólogos a aconselhou a procurar a Umbanda para encontrar as respostas para suas indagações. Escolheu a religião para guiar seus caminhos espirituais.

Exerce o cargo de Yalorixá na Associação Casa Umbanda Estrela do Oriente, no bairro Vila Lalau. Com sua história de vida, busca ajudar pessoas que enfrentam situações semelhantes às que vivenciou há 20 anos. 

Luiza Moreira.

Nasceu em uma sexta-feira santa, no dia 4 de abril de 1916. Foi criada ao lado de seus avôs maternos, escravos de Boa Vista, na cidade de Ilhota. Seu avô Damásio do Nascimento, escravo e curandeiro, prestava socorro a todos aqueles que dele necessitavam.

Desde pequena apresentava um dom divino. Realizava orações e curas através da imposição de mãos. Junto com seu avô, atendeu durante muito tempo em Ilhota. Aos 20 anos foi morar em Barra de Luiz Alves com seus pais biológicos.

Trabalhou no grupo escolar Honorário Mirando em Gaspar, praticava a religião e o dom que Deus lhe deu.

Pelas mãos de Manoel Fanho, em 1927 tornou-se Mãe de Santo. Abriu terreiro em Caçador onde morou por 12 anos. Em 1965, mudou-se para o litoral catarinense, onde reside até hoje. Com muita luta criou 22 filhos adotivos, sempre cuidando deles, dos amigos e da fé.

 

Jacila de Souza Barbosa

Nasceu em 18 de fevereiro de 1953, na cidade do Rio de Janeiro. Mora há 30 anos em Joinville. Pratica a fé do candomblé há 56 anos. Atualmente é sacerdotisa e chefe do terreiro Vó Joaquina.

Destaca-se pelas ações realizadas no campo do resgate da cultura afrodescendente e das religiões de matriz Africana.

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