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Bento XVI admite ter vivido momentos difíceis, mas fez questão de passear no papamóvel e estar perto do público

27 Fev 2013 - 15h15

Em meio a uma praça lotada, o papa Bento XVI fez hoje (27) sua última audiência geral. Emocionado, ele admitiu que, nos seus quase oito anos de pontificado, viveu "momentos difíceis".


Bento XVI lembrou que até o apostólo Pedro, o primeiro papa, passou por momentos difíceis, quando estava em um barco enfrentando o vento e a força das águas. "Tive momentos que não foram fáceis, senti como o apóstolo Pedro em seu barco na Galileia", disse.

Antes de sua última audiência geral, Bento XVI circulou na Praça São Pedro no papamóvel. Por alguns minutos, de pé, ele esteve próximo ao público e acenou para cerca de 200 mil pessoas, segundo cálculos do Vaticano. Ele segurou nos braços e beijou três crianças. Uma espécie de tablado foi colocada no local para a celebração.

Após a cerimônia, o papa estará presente no ritual conhecido como "beija-mão". Mas só participarão dessa cerimônia algumas autoridades, como o presidentes da Eslováquia, Ivan Gasparovic, e o ministro-presidente da Baviera, Horst Seehofer - região onde o papa nasceu, na fronteira com a Áustria.  
 
Amanhã (28) será o último dia de Bento XVI, encerrando oito anos de pontificado. Pela manhã, ele fará uma saudação aos cardeais. Ele termina seu pontificado amanhã às 20h (16h de Brasília) e passará a ser chamado de papa emérito. A previsão é que ele deixe o Palácio Apostólico (residência oficial dos papas) de helicóptero em direção a Castel Gandolfo, a residência de verão dos papas.

Bento XVI, 85 anos, anunciou no começo deste mês sua decisão de renunciar. Ele alegou problemas de saúde e a idade avançada. Após sua renúncia será aberto o período para a definição do sucessor. A escolha está nas mãos de 115 cardeais, dos quais cinco são brasileiros, todos com menos de 80 anos. Não há data para o início da eleição.

A estimativa é que a partir de sexta-feira (1º) os cardeais que chegarem a Roma iniciem o período chamado de conversas prévias ao conclave. O Vaticano anunciou que o conclave, previsto para 15 a 20 de março, seja antecipado, pois a escolha do papa ocorrerá, excepcionalmente, com o antecessor vivo, e não morto. A interpretação é que o período de luto seja dispensado. Não há um prazo fixo para a escolha do papa. Segundo especialistas, a duração do período de eleição é imprevisível.


Durante o conclave, os cardeais que participam da eleição deverão ficar hospedados no Vaticano, em uma espécie de hotel conhecido como Domus Sanctae Marthae. O atual cardeal decano é Angelo Sodano, 85 anos, mas assim que o conclave começar, o decano será Giovanni Battista Re, 79 anos - por ter menos de 80 anos e ser o mais velho entre os eleitores.

AGÊNCIA BRASIL

 

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