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Advogado de dono de boate diz que operação de resgate dos bombeiros foi “desastrosa”

30 Jan 2013 - 20h09

O advogado Jader Marques, que representa Elissandro Callegaro Spohr, um dos sócios da Boate Kiss, disse hoje (30) que o estabelecimento estava em "plena condição" de funcionamento no momento do incêndio. Para ele, o que ocorreu na noite da tragédia foi uma "desastrosa" operação de resgate por parte do Corpo de Bombeiros.


"Foi uma desastrosa e deficiente operação dos bombeiros. Os bombeiros estavam com máscaras devidas, estavam com equipamento? Não. Mais grave do que isso, eles próprios, se sentindo impotentes, usaram os civis [para auxiliar no resgate]", disse em entrevista coletiva.

Marques destacou, no entanto, que vários fatores contribuíram para o episódio, além da deficiência dos bombeiros. "Desde as autorizações, a banda [que usou os fogos], os bombeiros, não foi uma só causa, estamos diante de um fato que poderia ter acontecido em qualquer casa aqui em Santa Maria", disse.

Ontem (29), o delegado regional da Polícia Civil, Marcelo Arigony, que coordena as investigações do incêndio, disse ter certeza de que o funcionamento do estabelecimento era irregular. De acordo com ele, uma série de circunstâncias possibilita "até a uma criança" concluir que a casa não deveria estar funcionando.

Segundo o advogado, a documentação estava em dia, e a boate tinha um Alvará de Prevenção e Proteção contra Incêndio que comprova que o Corpo de Bombeiros foi ao local e fez vistoria. Questionado sobre a validade do documento, Marques reconheceu que estava vencido.

"O alvará venceu, mas o que isso provoca? Nenhuma consequência. Em agosto [de 2012] expirou o papel do alvará. Mas nas condições da casa não houve alteração de nada. Não houve uma sequer alteração da casa. O que havia era um problema documental."

De acordo com ele, o alvará emitido pelos bombeiros venceu em agosto de 2012 e, em outubro, foi feito o pagamento do pedido de um novo documento.

Em nota, o Corpo de Bombeiros diz que, mesmo com o alvará vencido, a boate poderia funcionar, pois não há previsão legal para interdição imediata. "De acordo com o alvará anterior [vencido em agosto de 2012], os sistemas de prevenção de incêndio previstos na lei estavam instalados e operantes. Assim, enquanto tramita o pedido de renovação do alvará, não há previsão legal para interdição imediata determinada pelo Corpo de Bombeiros, cuja competência é limitada às questões relacionadas ao sistema de prevenção de incêndio", diz o texto do documento, divulgado no final da noite de ontem (29).

Segundo o advogado, a casa noturna não estava lotada. De acordo com ele, havia uma dinâmica de funcionamento da boate: deixava-se entrar cerca de 600 pessoas e depois só eram autorizados novos ingressos quando uma pessoa saía. Foram postos à venda 850 convites para a festa.


"O meu cliente pediu que fossem buscadas as câmeras [de segurança] do Carrefour, que fica em frente à casa. Porque se pegarmos desde o momento que [a boate] abriu e a movimentação, vai ser comprovado que não havia mais de 650 pessoas na casa."

O advogado disse que o uso de fogos de artifício pela banda, dentro da boate, foi uma "surpresa". "A banda fez isso de surpresa, para causar um frisson. Eles inovaram, inventaram uma nova apresentação naquele dia. Houve detonação do equipamento na mão do gaiteiro, não houve isso em outros shows", destacou.

Marques disse que irá apresentar à polícia uma prova de que a casa estava sem as câmeras de segurança no momento do incêndio. "É uma declaração assinada pela empresa que está com esse equipamento há meses. Existe até uma troca de e-mails com reclamação da boate sobre a demora da entrega. Já desde antes as câmeras não estavam no local."

Ele falou ainda sobre a atitude dos seguranças que, segundo relatos de sobreviventes, teriam impedido as pessoas de sair. "Talvez algum funcionário tenha perguntado o que houve, não mais do que isso."

O incêndio na Boate Kiss, ocorrido na madrugada de domingo (27), deixou 235 mortos e dezenas de feridos.

AGÊNCIA BRASIL

 

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