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ECONOMIA

Ibovespa interrompe sequência de quedas e sobe 1,76% com ajuda de Petrobras

26 Mar 2019 - 19h04Por Paula Dias

Depois de cinco quedas consecutivas, com as quais perdeu mais de 6%, o Índice Bovespa teve uma sessão de ganhos firmes nesta terça-feira, 26, liderados por ações dos setores de commodities. Fatores como a desistência do ministro Paulo Guedes de comparecer à CCJ da Câmara e a ida do presidente Jair Bolsonaro ao cinema geraram momentos de desconforto, mas acabaram por ser absorvidos ao longo do dia. Ao final do pregão, o Ibovespa marcou 95.306,82 pontos, com alta de 1,76%.

As ações da Petrobras foram as estrelas do dia, com ganhos de 4,18% (ON) e de 4,72% (PN). A alta dos preços do petróleo e a expectativa de um desfecho na questão da cessão onerosa impulsionaram as ações. O cenário internacional mais propenso ao risco também favoreceu os papéis de commodities metálicas. Vale ON subiu 1,47% na véspera da divulgação de seu balanço. CSN ON (+6,31%) e Gerdau PN (+2,49%) também se destacaram.

A alta da bolsa foi na contramão dos mercados de câmbio e juros, onde as preocupações com a articulação do governo na reforma da Previdência falaram mais alto. Operadores e analistas foram unânimes ao atribuir a alta desta terça a uma recuperação das perdas recentes, em um dia em que o cenário externo se mostrou mais ameno. Alguns, no entanto, afirmaram não ter visto motivo para uma recuperação firme, dada a falta de notícias animadoras para a reforma da Previdência.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da HCommcor, as oscilações mais bruscas, como as vistas nesta terça e nos últimos dias, são característica de um mercado sensível, que opera basicamente o giro de curto prazo. Na visão dele, o movimento foi uma mera correção, com alguns papéis reagindo mais que outros, em virtude do noticiário corporativo ou expectativas específicas.

"O mercado vem reagindo mais a palavras do que a fatos concretos. Foi o que aconteceu na última semana, quando um desentendimento entre pessoas ligadas ao governo gerou um movimento exagerado de perdas na bolsa. De concreto, nada aconteceu na semana passada, assim como não houve hoje (terça)", disse. Ferreira lembra ainda da proximidade do final do mês, período em que há movimentação de ajuste de carteiras.

A justificativa de Guedes para não comparecer à CCJ foi o fato de não haver um relator designado para a reforma da Previdência. O adiamento gerou desconfortos e parlamentares da oposição chegaram a formar uma fila para fazer perguntas ao "ministro fantasma". O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, ofereceu-se para ser ouvido em seu lugar, mas não foi aceito. O presidente da CCJ da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), disse que deve indicar o relator na comissão ainda nesta semana. Parlamentares do governo e da oposição firmaram um novo acordo para que Guedes compareça à CCJ no dia 3 de abril.

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