ECONOMIA

Dólar sobe com desconforto sobre articulação política e Previdência

21 Mar 2019 - 11h24Por Silvana Rocha

O dólar opera em alta no mercado doméstico nesta quinta-feira, 21. A estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, diz que apesar do tom favorável do Fed e do Copom ontem, o noticiário político mostrando insatisfação do Congresso com o Executivo e ainda a pesquisa Ibope indicando que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro caiu 15 pontos percentuais desde janeiro (de 49% para 34%) pesam na busca de proteção do investidor nesta manhã.

Em relação ao projeto de lei de mudança na carreira e nas aposentarias de militares, ele prevê uma economia líquida de R$ 10,45 bilhões em 10 anos, ante uma economia total pretendia pela equipe econômica com a Nova Previdência de, ao menos, R$ 1 trilhão.

A percepção nas mesas de operação é de que o sacrifício dos militares pode ficar abaixo do esperado em relação a outras categorias, o que pode dificultar as negociações no Congresso. Também a indicação do relator para a proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça pode ficar para a semana que vem, atrasando ainda mais a tramitação da reforma. O presidente do colegiado, Felipe Francischini (PSL-PR), ainda avalia possíveis nomes, mas enfrenta resistências e avalia o momento político.

"Qualquer coisa que abale a perspectiva sobre o pilar principal, que é reforma da Previdência, acaba contaminando o humor. O que está pegando é a sensação de que os deputados não estão tão junto assim com o governo, de tal forma que isso traz risco para a aprovação da reforma", comenta a estrategista.

O operador da corretora Renascença, Luis Felipe Laudisio dos Santos, comenta em relatório que o humor do mercado mudou ontem ao longo da tarde com a apresentação da reforma dos militares, com economia prevista de R$ 10,45 bilhões, inferior ao que o mercado aguardava.

Dito isso, segundo ele, os investidores estrangeiros mais uma vez foram o grande destaque ontem, zerando posição comprada em 29.000 contratos com Fundos Nacionais e Bancos na contraparte com 14.175 e 13.600 contratos respectivamente. Hoje, apesar das moedas de alguns emergentes seguirem em terreno positivo, ainda seguimos vendo reverberar a repercussão quanto a reforma dos militares, com diversos parlamentares criticando e também mal-estar com Rodrigo Maia.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse à BandNews, ontem à noite, que é "bem possível" conseguir a aprovação dos deputados até julho. "Se não organizar até julho, não é um bom sinal", disse o parlamentar.

Antes dessa entrevista, porém, Maia havia se reunido no Ministério da Economia com o ministro Paulo Guedes e o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho. Ao deixar o prédio, Maia afirmou que a articulação do governo com o parlamento está caminhando, mas "ainda peca".

Às 9h38, o dólar à vista avançava 0,16%, aos R$ 3,7738, ante máxima em R$ 3,7958 (+0,75%). O dólar futuro para abril estava estável, em R$ 3,7765, após tocar em máxima em R$ 3,7970 (+0,54%).

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