ECONOMIA

Dólar sobe 2,58% em fevereiro e tem maior alta desde novembro

28 Fev 2019 - 19h41Por Altamiro Silva Junior

O dólar fechou fevereiro acumulando valorização de 2,58%, a maior alta mensal desde novembro, quando subiu 3,50%. O cenário externo mais adverso e dúvidas sobre a tramitação da reforma da Previdência foram um dos principais fatores que contribuíram para o fortalecimento da moeda americana nas últimas semanas. Nesta quinta-feira, 28, declarações do presidente Jair Bolsonaro em encontro com jornalistas, de que é possível mudança na idade mínima de aposentadoria e de que há "gordura" para queimar na proposta de reforma, foram mal recebidas pelas mesas de operação, que viram na afirmação sinais de que o governo pode ceder demais para aprovar o texto. Com isso, o dólar fechou em alta de 0,62%, a R$ 3,7535, o terceiro pior desempenho entre os emergentes no mercado internacional, atrás apenas do peso da Argentina e do México.

Fatores técnicos também tiveram peso na formação das cotações, principalmente até o início da tarde, quando ocorreu a definição do referencial Ptax, que será usado na liquidação e ajustes de contratos futuros de câmbio e de swap cambial. Pela manhã, o dólar operou volátil, mas firmou-se em alta na hora do almoço, quando chegaram ao mercado as declarações de Bolsonaro. O movimento de alta continuou após a definição da Ptax, que fechou com ganho de 0,09%, a R$ 3,7385.

Para o operador especializado em dólar Jefferson Laatus, do grupo Laatus, as declarações de Bolsonaro mostram que o governo está disposto a ceder antes mesmo de começar a tramitação do proposta de reforma no Congresso. Ele ressalta que o mercado havia gostado das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi enfático ao afirmar a intenção do governo de conseguir economia fiscal de R$ 1,1 trilhão com a reforma e nesta quinta Bolsonaro já sinalizou que não deve ficar nesse valor. A fala do presidente, aliada aos problemas já mostrados de articulação do governo no Congresso, indica que não deve ser fácil a tramitação do texto, ressalta ele.

Apesar das dúvidas sobre a Previdência, os estrangeiros reduziram as posições compradas em dólar nos últimos dias no mercado futuro, aquelas que apostam na alta da moeda. Somente entre quarta e terça-feira, elas foram reduzidas em US$ 1 bilhão. Com isso, o total caiu para US$ 33,2 bilhões nesta quinta, incluindo dólar futuro e cupom cambial, segundo a B3, um dos menores volumes desde início de dezembro. A visão das casas estrangeiras é de que haverá aprovação da reforma da Previdência este ano, apesar de alguns percalços. Nesta quinta, o banco americano JPMorgan ressaltou que segue otimista com o cenário brasileiro, por conta da promessa de Bolsonaro de medidas pró-mercado, que devem ajudar a melhorar a confiança dos agentes econômicos, com reflexos positivos no crédito e no consumo privado. O JP, porém, cortou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano de 2,3% para 2,1%, após os fracos dados de 2018.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Economia

Renault, WEG e EDP fazem parceria para expandir estações de recarga para veículos elétricos

A WEG fornecerá as estações de recarga para veículos elétricos e a EDP será responsável pelas vistorias e pela instalação dos equipamentos
Renault, WEG e EDP fazem parceria para expandir estações de recarga para veículos elétricos
Economia

Presidente sanciona a Lei Orçamentária de 2021 com veto parcial

Texto também terá bloqueio administrativo
Presidente sanciona a Lei Orçamentária de 2021 com veto parcial
Política

Maioria do STF vota para manter decisão que considerou Moro parcial

Julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro Marco Aurélio
Maioria do STF vota para manter decisão que considerou Moro parcial
Economia

BC aprova obrigatoriedade de bancos ofertarem Pix por agendamento

Instituições também ganharam mais prazo para Pix Cobrança
BC aprova obrigatoriedade de bancos ofertarem Pix por agendamento
Ver mais de Economia