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ECONOMIA

Dólar fecha perto da estabilidade com cautela em relação à Previdência

25 Fev 2019 - 19h25Por Altamiro Silva Junior

O mercado de câmbio terminou a segunda-feira, 25, em compasso de espera, na expectativa por detalhes da tramitação da reforma da Previdência e por uma série de eventos previstos para os próximos dias, no Brasil e no exterior. O dólar chegou a cair a R$ 3,72 pela manhã, seguindo o enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional, mas na parte da tarde chegou até a ensaiar alta e terminou o dia perto da estabilidade. Uma das notícias que não agradaram foi a confirmação de que a instalação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara, por onde a proposta da Previdência vai começar a tramitar no Congresso, foi adiada para depois do carnaval. O dólar à vista fechou em leve alta de 0,08%, a R$ 3,7437, enquanto a moeda americana caiu ante outros emergentes, como a Turquia e a África do Sul.

Nem mesmo a queda do risco-país, medida pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, ajudou a retirar pressão do mercado de câmbio na parte da tarde. O contrato caiu de 162 pontos do fechamento de sexta-feira para 158 no final da tarde, segundo cotações da IHS Markit. Desde 19 de abril de 2018 o CDS não fecha abaixo de 160 pontos. "A organização do governo ainda está lenta", disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao falar do adiamento da instalação da CCJ. Mais cedo, ele havia declarado que os pontos mais sensíveis da reforma são os benefícios (BPC), aposentaria rural e tempo de contribuição.

O sócio-diretor da Assessoria Via Brasil, Durval Corrêa, destaca que o mercado de câmbio está operando sem fôlego para firmar uma tendência, na ausência de detalhes mais concretos das articulações do governo para a tramitação da reforma. Além disso, o investidor estrangeiro segue de fora do mercado, também no aguardo pela Previdência. Sem fluxo externo forte, a moeda também tem dificuldade de firmar uma rumo. Para Corrêa, sem fatos novos sobre a reforma, a expectativa é que a moeda americana fique oscilando na casa dos R$ 3,70/R$ 3,75.

Além da reforma, as mesas de operação aguardam eventos que virão nos próximos dias, que incluem a divulgação de indicadores importantes, como o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e dos Estados Unidos, além de ter a definição do referencial Ptax de fevereiro, discursos no Congresso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, e a sabatina nesta terça no Senado do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O dólar começou o dia em queda no exterior, por conta do maior apetite por risco após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a extensão do prazo de 1º de março, que marcaria o fim da trégua tarifária com a China. "Isto marca mais um passo positivo no processo de desarmar as tensões comerciais bilaterais", ressaltam os estrategistas do JPMorgan.

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