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ECONOMIA

Cenário adverso interno e externo faz Ibovespa cair e operar aquém dos 90 mil

17 Mai 2019 - 11h28Por Maria Regina Silva

O cenário externo adverso e o desânimo dos investidores com o Brasil volta a conduzir os negócios na B3, que ontem já amargou um dia de perdas (-1,75%, aos 90.024,47), sobretudo por causa das incertezas internas. Hoje, além dos temores sobre a evolução da reforma previdenciária, o quadro internacional não enseja uma sexta-feira de ganhos nas bolsas.

A expectativa mais dura da China em relação às comerciais com os Estados Unidos, além do temor de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo deixam os investidores na defensiva lá fora, o que reflete também na Bolsa brasileira.

Às 10h13, o Ibovespa cedia 0,28%, aos 89.771,86 pontos.

Se essa dinâmica negativa for confirmada, Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM, não descarta a possibilidade de o Ibovespa voltar a ser negociado perto de 80 mil pontos ainda hoje. "Aqui, está tudo ruim quanto ao político e ao econômico. A reforma da Previdência não tem avançado e o lado corporativo também não ajuda, além do exterior. Por voltar para os níveis de setembro e outro de 2018", diz.

Em 3 de outubro de 2018, por exemplo, o índice à vista atingiu 81.622,97 na mínima intraday, enquanto no dia 28 de setembro a máxima foi de 80.000,09, fechando em 79.342,43 pontos.

No campo corporativo, participantes do mercado citam que também não há notícias favoráveis, envolvendo as duas principais ações da B3: Vale e Petrobras. Em Nova York, as taxas do American Depositary Receipt (ADR) da mineradora e da estatal estão em queda esta manhã.

Ontem, os papéis da Vale caíram mais de 3%, após a informação sobre a deformação na estrutura na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), "passível de provocar a sua ruptura". Já em relação à estatal petrolífera, o presidente Jair Bolsonaro admitiu que pode rever política de preços da companhia se não houver prejuízos para a estatal, o que tende a limitar eventuais perdas influenciadas pela alta do petróleo no exterior nesta manhã. Da mesma forma, a valorização do minério pode dar impedir recuos expressivos dos papéis da Vale

Já na seara política as notícias envolvendo a família Bolsonaro se estende, colocando ainda mais dúvidas sobre a fragilidade do governo. Depois da quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro, por suspeitas de lavagem de dinheiro, agora também entram no radar das investigações ex-assessores do vereador Carlos, o outro filho do presidente.

"Já tem essa guerra entre o Legislativo e o Executivo que não ajuda a reforma avançar, e agora ainda tem essas denúncias envolvendo os filhos do presidente", completa uma fonte.

A MCM Consultores ressalta em nota a notícia de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dos líderes do Centrão buscarão proteger a pauta econômica, que faria parte de uma agenda própria do Congresso. Assim, o Congresso não seria prejudicado pela crise do poder Executivo.

"Tal junção pode levar o Congresso, liderado por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre presidente do Senado, a se comportar como o adulto na sala. Sendo assim, ainda não nos parece o caso de descartar a aprovação da reforma da Previdência neste ano. No entanto, sem o engajamento do governo, será uma reforma à moda do Congresso, isto é, tende a demorar mais e ficar mais diluída no final das contas", estima a equipe econômica da MCM.