ECONOMIA

Cautela externa e interna conduz Ibovespa em baixa pelo segundo dia

25 Abr 2019 - 12h29Por Maria Regina Silva

A cautela deve marcar o início do pregão na B3 nesta quinta-feira, 25, com investidores tentando equilibrar a queda das bolsas externas, a expectativa pela instalação da Comissão Especial na Câmara, que irá analisar o mérito da proposta de reforma da Previdência, e uma inflação mais pressionada por aqui. Às 10h45, o Ibovespa caia 0,68%, aos 94.396,30 pontos, depois de cair 0,92%, aos 95.045,43 pontos, ontem.

As preocupações acerca de uma desaceleração da atividade global continuam no radar. Na Europa, as bolsas caem, após resultados corporativos aquém do esperado.

O Ibovespa passou a renovar mínimas após a abertura já abaixo dos 95 mil pontos nesta quinta, diante da cautela do noticiário da reforma da Previdência, cuja Comissão Especial será instalada hoje. A queda das bolsas no exterior também não ajuda, apesar da alta do petróleo. Nem mesmo isso segura as ações da Petrobras, que cedem. Lá fora, a maioria das bolsas em Nova York cai e na Europa o sinal também é negativo.

Nos EUA, apenas o índice Nasdaq subia (0,24%); o Dow Jones tinha recuo de 0,83% e o S&P, de -0,25%, após balanços mistos de grandes empresas do país.

Em relação à reforma, o mercado aguarda a apresentação dos detalhes da proposta. Pouco antes do fechamento deste texto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmar que a presidência de Comissão ficará com Marcelo Ramos (PR) e Samuel Moreira (PSDB), será o relator.

Ele disse que o DEM queria relatoria de Comissão, e que não foi fácil decisão. "Começamos etapa com certeza de fazer debate sobre reforma da Previdência", afirmando que a previsão de economia com reforma aumentou em R$ 100 bi em 10 anos.

Já o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, prometeu que o Ministério divulgará o detalhamento ao meio-dia. Conforme ele, provavelmente, houve sim mudança na previsão de R$ 1,16 trilhão para a Previdência.

De acordo com o secretário, não há nenhum impacto fiscal com a retirada dos 4 pontos na CCJ. "Estarei lá defendendo BPC e rural na Comissão Especial. Vamos apresentar qual impacto fiscal conjunto da forma e de forma desagregada."

"O mercado ficará à espera da Comissão Especial, dessa nova fase da reforma da Previdência, quer tatear o que poderá ser desidratado e o quanto será modificado do texto original. Deve começar a fazer as contas e ver se será algo bom ou não para o País", avalia um operador, acrescentando ainda que a safra de balanços também segue no foco das atenções.

Neste ambiente de menor apetite ao risco, a maioria das moedas de países desenvolvidos e emergentes deprecia em relação ao dólar. Por aqui, a moeda norte-americana ante o real superou a marca dos R$ 4,00, após a postura favorável à manutenção de estímulos monetários de alguns bancos centrais do mundo.

A pressão cambial coincide com um quadro inflacionário mais forte no Brasil, ainda que reflita fatores sazonais, o que pode acender a luz amarela caso persista. "Por ora, não há sinais de intervenção do BC brasileiro. A elevação forte da volatilidade da taxa cambial pode detonar alguma ação da autoridade monetária", afirma em nota a MCM Consultores.

Nesta quinta, o mercado se depara com um IPCA-15 mais forte. A variação de 0,72% do IPCA-15 de abril ante 0,54% em março, superou a mediana de 0,67% das estimativas na pesquisa do Projeções Broadcast, e foi o mais alto para o mês desde 2015 (1,07%). Em 12 meses, acumulou 4,71%, acima do centro da meta de 4,25%.

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