ECONOMIA

Brasil cede na OMC em troca de apoio dos EUA na OCDE

20 Mar 2019 - 08h08Por Beatriz Bulla, correspondente/Ricardo Leopoldo, enviado especial

Os Estados Unidos se comprometeram nessa terça-feira, 19, a apoiar a candidatura do Brasil a membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O pleito brasileiro foi encampado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que vê a adesão ao chamado clube dos países ricos como um selo internacional de confiança no Brasil. "Estou apoiando o Brasil para entrar na OCDE", disse Trump no Salão Oval da Casa Branca, onde recebeu o presidente Jair Bolsonaro.

O apoio formal dos EUA para a entrada do Brasil na OCDE é considerado crucial, mas veio com uma contrapartida. Em troca, o governo brasileiro concordou em "começar a renunciar" ao tratamento diferenciado dado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) aos países em desenvolvimento. Para os EUA, isso ajudaria a abrir caminho para a reforma que o país propõe nas regras globais de trocas comerciais.

O governo americano era contra a entrada simultânea de vários países na OCDE, alegando que isso prejudica o trabalho da organização. Embora considerado um "clube dos ricos", a organização tem membros como Colômbia e Letônia - economias bem menores do que o Brasil - e Turquia, que enfrenta uma grave crise econômica. A fila de países que já pediram para entrar inclui Argentina, Peru, Croácia, Romênia e Bulgária. Trump já se manifestou a favor da candidatura dos argentinos.

Após a reunião privada, o presidente americano confirmou o posicionamento à imprensa nos jardins da Casa Branca. "Nós vamos apoiar. Vamos ter uma boa relação em diferentes formas. Isso é algo que vamos fazer em honra ao presidente (Bolsonaro) e ao Brasil."

Motivações
Entrar para a OCDE, que reúne hoje 36 nações que estão entre as mais ricas do mundo, pode favorecer a atração de investimento internacional e a captação de recursos no exterior a uma taxa de juros menores. Isso porque, para fazer parte do clube, é preciso atender a uma série de requisitos de caráter liberal. Além de ser uma arena de debates, o organismo define políticas de boa governança e fornece plataformas para comparar políticas econômicas ou coordenar políticas domésticas e internacionais.

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, se adequar à cartilha defendida pela OCDE seria justamente o maior benefício de fazer parte da organização. Segundo ele, no entanto, é preciso fazer uma avaliação mais detalhada das vantagens que o País perderia ao deixar o status de "emergente" na OMC. "Um país em desenvolvimento pode, por exemplo, dar mais subsídios ao setor agrícola", explica Barral.

Na avaliação do economista Fabio Silveira, da Macrosector, a entrada na OCDE é um "formalismo tolo" - o País já é parceiro-chave da instituição desde 2007 - e ceder na OMC será desvantajoso. "O Brasil vai continuar a ter uma situação fiscal grave. E ainda perderia algumas vantagens por carregar." O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, reforça que a entrada na OCDE, por si só, seria um feito inócuo. "Não adianta ter melhora da posição internacional e não traduzir isso internamente, mostrar que o Brasil é uma economia interessante." / COLABORARAM LUCIANA DYNIEWICZ e BÁRBARA NASCIMENTO

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Economia

Programa de Microcrédito de Jaraguá já tem adesão de instituição financeira

Termo de credenciamento da instituição foi assinado nesta quinta-feira
Programa de Microcrédito de Jaraguá já tem adesão de instituição financeira
Economia

Mais de 70% das indústrias têm dificuldades em conseguir matéria-prima

É o que revela pesquisa feita pela CNI
Mais de 70% das indústrias têm dificuldades em conseguir matéria-prima
Economia

Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em fevereiro

Benefício terá parcelas de R$ 150 a R$ 375
Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em fevereiro
Educação

Sicredi lança plataforma digital com cursos gratuitos para associados 

São mais de cem possibilidades de cursos
Sicredi lança plataforma digital com cursos gratuitos para associados 
Ver mais de Economia