Você tem passado tempo demais na academia?

O transtorno dismórfico muscular, também conhecido como vigorexia ou doença de Adonis, caracteriza-se pela distorção da autoimagem do corpo voltada para a questão da força

26 Ago 2019 - 07h00Por Cristiane Molon

Hoje, ainda existe o tabu de que os transtornos alimentares são distúrbios comportamentais tipicamente femininos, mas o tempo em que vaidade era uma exclusividade das mulheres ficou para trás. É cada vez mais comum encontrarmos homens preocupados excessivamente com a aparência física. Assim como as mulheres, muitos vêm exagerando na busca por um corpo com peso e forma ideal. 

Com o objetivo de estar satisfeito com a imagem corporal, correspondente aos ideais estéticos, há quem recorra a dietas, ao exercício físico exagerado, ao uso de diuréticos, laxantes, entre outros recursos. Consequentemente, surgem transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia nervosa, drunkorexia e a vigorexia (dismorfia corporal).

Estudos apontam que a ocorrência de transtornos alimentares é maior no sexo feminino, mas vem acometendo cada vez mais homens, o que é preocupante. A proporção homem/mulher é de um a cada quatro. No entanto, esta equação pode estar sendo subestimada. Tendo em vista que existe a crença de que essas doenças são exclusividade das mulheres, os homens não procuram ajuda médica. Por isso, precisamos ficar atentos!

Você sabe o que é a Dismorfia? Termo antigo, é usado para designar a discrepância ou diferença entre aquilo que a pessoa acredita ser (em termos de imagem corporal) e aquilo que realmente é. O transtorno dismórfico muscular, também conhecido como vigorexia ou doença de Adonis, caracteriza-se pela distorção da autoimagem do corpo voltada para a questão da força. 

Os indivíduos vigoréxicos se consideram insatisfeitos com a forma física e desejam ter músculos mais destacados. Usualmente, descrevem-se como fracos, pequenos, mesmo tendo desenvolvido musculatura acima da média. O resultado é que acabam ficando dependentes do exercício físico e possuem uma espécie de obsessão pelo corpo musculoso.  

Os vigoréxicos também adotam uma alimentação restritiva, evitam o consumo de gorduras, exageram nos alimentos ricos em proteínas, visando aumento da massa muscular, e costumam usar anabolizantes. Com o passar do tempo, podem sofrer consequências danosas ao organismo. Na lista, está a hipertensão arterial, agressividade, irritabilidade, insônia, depressão, cansaço frequente, acne, ginecomastia, aumento da frequência cardíaca ao repouso, diminuição da libido, sentimento de inferioridade, aumento do colesterol e alterações no fígado.

Quando há o abuso de anabolizantes, ainda podem desenvolver doenças cardiovasculares, disfunções no fígado e rins, câncer de próstata e diminuição do testículo. Além disso, a preocupação excessiva com a performance muscular leva a inúmeras alterações comportamentais na rotina, como grandes períodos nas academias, levantamento de pesos cada vez maiores, uso de dietas priorizando proteínas, que geram desequilíbrio nutricional e metabólico, e utilização de suplementos alimentares.