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Prestação de contas amplia chances de captação de recursos para projetos sociais

Lives do Fundo Social podem ser conferidas no canal do SESI/SC no YouTube

04 Nov 2020 - 13h38Por Gustavo Henrique Reif
Prestação de contas amplia chances de captação de recursos para projetos sociais -

Planejamento, organização e a correta prestação de contas. Esses cuidados devem ser observados por entidades que se utilizam de recursos doados por empresas com base nas leis de incentivo. A dica é do especialista em captações Armando Appel, ao participar nesta terça-feira (3) da última live promovida pela Federação das Indústrias (FIESC), por meio do Fundo Social, com o objetivo de orientar empresas e instituições do terceiro setor quanto aos mecanismos legais de busca de apoio a projetos sociais. 

Iniciada em outubro, a série de lives reuniu profissionais que atuam no assessoramento para a captação de recursos e representantes de organizações da sociedade civil que fazem uso de legislações de incentivo à renúncia fiscal. Além de debater aspectos da legislação, a programação deu visibilidade às boas práticas, demonstrando a qualidade de projetos que impactam na comunidade e que podem servir de inspiração tanto para o aumento dos volumes aplicados com fins sociais quanto para motivar mais empresas a fazer o aporte de recursos das deduções no imposto de renda devido. Com base na legislação, até 9% do imposto de renda devido pode ser aplicado em projetos da área social.

As seis lives foram transmitidas pelo canal do SESI no YouTube, onde podem ser acessadas na íntegra. Além da participação de especialistas detalhando aspectos da captação de recursos e de apresentar projetos executados no Estado, foram detalhados legislações de incentivo à cultura, ao esporte, do Fundo da Infância e Adolescência (FIA) e Fundo do Idoso, Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas). 

No encerramento da série, Armando Appel lembrou que há muitos recursos disponíveis para captação. No entanto, com a visibilidade que os investimentos sociais têm alcançado no País, o nível de exigências também se acentua. Um dos pioneiros em Santa Catarina em consultorias focadas na utilização de recursos com base em legislação do setor, ele destaca a importância da transparência na relação entre proponentes e doadores. "Todo projeto deve ter uma aliança com a empresa, com valores que considera importantes, essa relação deve ser amigável e de confiança, porque também nas organizações há uma profissionalização, com áreas que passaram a cuidar da responsabilidade social", comentou. 

Appel apresentou na live um passo a passo de cuidados que merecem a atenção das entidades na captação de recursos, e sugeriu que busquem a ajuda de especialistas, profissionais que, segundo ele, têm condições de motivar possíveis doadores. Um dos erros mais graves, apontou, é a não prestação de contas sobre os resultados alcançados. "Não se trata da prestação de contas fiscal, essa é prevista na legislação, mas aquela demonstração do que se alcançou com o projeto", reforçou. 

Raphael Ribeiro, sócio-fundador da Incentive, empresa que atua na elaboração de projetos, também ressaltou a necessidade de muita atenção com a qualidade das propostas de captação. As empresas estão cada vez mais exigentes em relação ao uso de seus recursos. Segundo ele, há maiores chances de sucesso quando se exemplifica para a empresa doadora onde o dinheiro será aplicado. "A transparência no relacionamento auxilia muito a sensibilizar sobre a importância do projeto", pontuou, assinalando ainda que a apresentação de exemplos de outras empresas que apoiaram projetos sociais também colabora no processo de convencimento.

Na live, também foi apresentado o case do Hospital São José, de Jaraguá do Sul, que faz uso de recursos provenientes de legislações específicas como o Fundo do Idoso. Jeferson Ferrari, coordenador de captação de recursos da instituição, fez um relato dos resultados de investimentos realizados e destacou a importância de sistematizar os processos junto aos doadores. "Olhamos as demandas da instituição e a capacidade de captação de forma profissionalizada. Faz mais sentido buscarmos os recursos nas legislações onde temos um público assistido conforme as nossas necessidades genuínas", afirmou. Para ele, a capacidade de se moldar às características de possíveis doadores, entendendo como funciona a lógica das empresas e como ajustar os projetos a essas características, pode levar ao sucesso nas captações. 

Para o vice-presidente regional da FIESC, Célio Bayer, as lives cumpriram sua função de aumentar o nível de conhecimento tanto de entidades proponentes quanto de empresas em relação à potencialidade das leis de incentivo. Ele lembrou que a o Fundo Social tem em sua origem ligações com a região, desde que a ideia começou a ser discutida pela FIESC junto à Associação Empresarial de Jaraguá do Sul em 2017, sendo oficialmente instituído no ano seguinte. 

Hoje presente em outras regiões do estado, a iniciativa busca ampliar os volumes destinados por empresas a projetos sociais. Bayer lembra que cerca de 2 mil empresas que tributam pelo lucro real podem fazer uso da legislação, somando juntas um potencial de mais de R$ 200 milhões, sendo R$ 20 milhões somente em Jaraguá do Sul. "São recursos que podem ser aplicados em projetos nas comunidades em vez de ir para Brasília. A capacitação é muito importante para que tenhamos mais empresas e futuramente pessoas que fazem a declaração individualmente sensibilizadas com a causa social", completou Bayer.

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