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VARIEDADES

A fé que não se explica e o caso 'Superação': milagre?

15 Abr 2019 - 11h00Por Luiz Carlos Merten

Um dos grandes acontecimentos do Festival de Berlim, em fevereiro, foi a apresentação, em Berlinale Classics, da versão restaurada de "A Palavra", de Carl Theodor Dreyer. O filme é sobre um homem que diz ser Cristo e ressuscita a cunhada, morta em trabalho de parto. Johan pergunta à sobrinha se acredita que ele poderá trazer sua mãe de volta. Ela diz 'Sim!', e o milagre realiza-se.

Algo semelhante ocorre em "Superação - O Milagre da Fé". Um garoto de 14 anos, John Smith, cai num lago gelado e, entre resgate do corpo e socorro, passa-se uma hora até ser declarado morto. A mãe reza - e pede a Deus para salvar seu filho. O pulso volta, mas as chances de sobrevivência seguem mínimas e o médico alerta para as sequelas. O pai acovarda-se. A mãe, amparada pelo pastor da igreja, continua acreditando. A história é real. O título entrega o desfecho.

"Superação" inscreve-se na tendência chamada de 'faith based movies', filmes baseados na fé. Dirigem-se ao público religioso da América profunda. No Brasil, virou um caso porque o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado pela primeira-dama, foi ao cinema para ver o filme. A ministra Damares acompanhou o casal. A sessão foi inclusiva e teve narração de sinais para surdos. "Mãe surda com filho surdo podendo assistir a um filme!", clamou a ministra, na saída, deixando claro que não estava a par de que o recurso faz parte da contrapartida social de obras e eventos feitos com recursos públicos.

A crítica reclama que o filme não aprofunda nada e tem personagens contraditórios - o bombeiro que resgata John é ateu, mas diz que ouviu 'uma voz'. Não tem como explicar a fé, muito menos, quando ocorre, a intervenção do divino - seja num clássico de Dreyer ou num filme como o da diretora Roxann Dawson. A diferença está na forma. Ali onde Dreyer é austero, rigoroso, Roxann derrama-se. Seu filme, o primeiro da Fox a ser distribuído pela Disney Studio Motion Pictures, até é bem feito, mas exagera em tudo - no tom, na emoção, na trilha sonora. É pegar, ou largar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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