Segurança
GAECO investiga entrada de smartwatches no sistema prisional de Joinville
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, e uma pessoa foi presa em flagrante com medicamentos estrangeiros sem registro na ANVISA.
Crédito: Divulgação Na manhã desta quarta-feira (22), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação Cavalo de Tróia em apoio à investigação conduzida pela 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville. A ação tem como objetivo reunir provas sobre a participação de envolvidos na entrada irregular de cinco relógios inteligentes (smartwatches) no Complexo Penitenciário de Joinville.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Uma pessoa também foi presa em flagrante por estar em posse de medicamentos de origem estrangeira sem registro na ANVISA. A ação contou com a atuação de policiais do GAECO, com apoio do 1º Batalhão de Pronta Resposta (BPR) de Joinville e da Polícia Penal.
As investigações tiveram início a partir de informações repassadas pela Direção da unidade prisional à 13ª Promotoria de Justiça. Os levantamentos indicam que um dos investigados, advogado, teria atuado em conjunto com outras pessoas para introduzir os dispositivos no presídio, onde eram utilizados por internos como meio de comunicação telefônica.
Segundo apurado, o advogado teria se valido indevidamente de suas prerrogativas profissionais para acessar a unidade prisional e ocultar os aparelhos na sala da OAB. Posteriormente, os equipamentos seriam recolhidos por detentos com função de “regalia” e distribuídos a outros presos.
As diligências também apontaram que o investigado atuava em parceria com uma sócia, exercendo a função de “sintonia” da organização criminosa — transmitindo recados entre membros e facilitando a comunicação entre apenados. Além disso, foi identificado o suposto envolvimento de um policial militar, que teria repassado informações sigilosas oriundas de sistemas de segurança pública.
Os materiais apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para perícia. As evidências serão analisadas pelo GAECO, que dará continuidade às investigações com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a possível atuação de uma rede criminosa.
O processo tramita sob sigilo e, conforme houver a liberação judicial, novas informações poderão ser divulgadas.
Operação Cavalo de Tróia
O nome da operação faz referência ao episódio da mitologia grega em que os gregos, ao se aproveitarem da confiança dos troianos, introduzem um cavalo de madeira dentro da cidade, escondendo em seu interior soldados armados. De maneira semelhante, a investigação aponta que um advogado teria se aproveitado das prerrogativas da profissão para inserir, sob aparência de legalidade, objetos ilícitos no interior de unidade prisional. Assim como no mito, o que aparenta ser legítimo carrega, na verdade, potencial de comprometer a segurança e a ordem do sistema.
GAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina e integrada por Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. O grupo atua na identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.
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