Saúde
ALERTA: Doença transmitida por animais traz riscos à saúde humana em região de Jaraguá do Sul
Chamada de esporotricose acomete animais, especialmente gatos, e pode ser transmitida para humanos. Neste ano, 12 pessoas já foram diagnosticadas com a doença na cidade e mais de 40 animais estão em tratamento
Crédito: Reprodução / Diário da Jaraguá A esporotricose é uma doença causada por um fungo é uma infecção cutânea que pode ser transmitida principalmente através do contato com animais infectados, especialmente gatos. infecção ocorre quando o fungo entra no organismo por meio de cortes ou feridas na pele. Em ambientes urbanos, o contato com gatos doentes — que apresentam feridas abertas, geralmente no rosto, patas e cauda — é o principal meio de transmissão para os humanos.
Moradora do bairro Tifa Martins, a ouvinte da Rádio Jaraguá, Luana Rodrigues, precisou sacrificar o gato de estimação por conta da doença.
"Uma doença muito dolorosa, uma doença cara, ela acaba deixando um animal muito debilitado, porque ele fica cheio de feridas, né? Então, assim que você tem o diagnóstico, você já isola o animal, você já entra com medicamento, com pomadas para ajudar na cicatrização dessas feridas, porém cicatriza num lugar e estoura em outro, então é muito difícil de você conter essa doença, né. Infelizmente, nós perdemos o nosso gato depois de seis anos.”
A médica veterinária que atendeu este caso, Nicole Braz, comenta sobre os casos.
“O bairro já está bem contaminado já desde o começo do ano, já apareceu bastante casos ali. No bairro já foram diagnosticados ali comigo, mais de dez animais. Três deles já vieram para a eutanásia. É uma doença transmitida por um fungo. O mais comum é a transmissão através de gatos. Mas ela não é uma doença exclusiva de gatos, ela pode passar para cães e para humanos também. O tratamento é feito com antifúngico e pode levar até seis meses de tratamento.”
Há cerca de dois meses, o morador do mesmo bairro, Jeferson Lunelli, acabou contraindo a doença após ser mordido por um gato infectado. Ele conta que ainda segue em tratamento e não está curado.
“Ele estava todo machucado, até no momento eu não sabia do que se tratava. Para mim, o gato tinha sido atropelado, coisa parecida, ele estava todo machucado da cabeça. Eu tenho facção atrás da minha casa e ele estava sujando as peças de sangue. E eu fui tentar atirar ele da cima das peças. Na hora do momento que eu fui tentar atirar, ele me mordeu, ele me mordeu na minha mão em dois lugares. Até no momento eu não imaginava que era isso aí, que eu nem sabia que existia essa doença.”
A situação tem gerado preocupação na Secretaria Municipal de Saúde, que está monitorando o avanço dos casos. Embora ainda não seja classificado como surto, o número de ocorrências aumentou significativamente neste ano.
De acordo com dados do setor de Zoonoses, em 2024 foram registrados sete casos de esporotricose em animais. Já em 2025, 42 animais estão em tratamento: 17 gatos de rua, atendidos em clínicas conveniadas com a Prefeitura, e 25 animais domésticos acompanhados por seus tutores. Em todos esses casos, profissionais da Secretaria fazem visitas periódicas e orientam as famílias.
A diretora de Vigilância em Saúde, Talita Piccoli Sevengnani, informa que a doença já vinha sendo observada no município desde 2021, com registros esporádicos. No entanto, o aumento recente de casos acende um alerta para a população. Ainda segundo Talita, 18 casos em humanos foram notificados em 2025. Destes, 12 foram confirmados e seis descartados.
SAIBA MAIS SOBRE A DOENÇA
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix que entram no organismo principalmente, por inoculação do fungo na pele ou mucosas, por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira; contato com vegetais em decomposição; arranhadura ou mordedura de animais doentes, sendo o gato o mais comum.
As principais formas clínicas da doença são as seguintes:
- Esporotricose cutânea: caracteriza-se por lesão única ou lesões múltiplas, localizadas no local da inoculação ou disseminadas em mais de uma região do corpo.
- Esporotricose linfocutânea: é a forma clínica mais frequente. São formados pequenos nódulos, localizados na camada da pele mais profunda, seguindo o trajeto do sistema linfático da região corporal afetada. A lesão localiza-se preferencialmente nos membros;
- Esporotricose extracutânea: nesta forma clínica, a doença acomete outros locais do corpo, como ossos, articulações, mucosas, entre outros;
- Esporotricose disseminada: acontece quando a doença se dissemina para outros locais do organismo, com comprometimento de vários órgãos ou sistemas.
Causas
- A esporotricose é causada por fungos do gênero Sporothrix. Estes fungos podem apresentar duas formas no seu ciclo de vida: filamentosa e leveduriforme. Na forma filamentosa, o fungo está presente na natureza, no solo rico em material orgânico, nos espinhos de arbustos, em árvores e vegetação em decomposição, enquanto a forma de levedura está presente nas lesões de animais contaminados.
Transmissão
Os indivíduos geralmente adquirem a infecção pela implantação do fungo na pele ou mucosas por meio de um trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira; contato com vegetais em decomposição; ou arranhadura ou mordedura de animais doentes, sendo, o gato, atualmente, o principal transmissor da doença, protagonista da esporotricose de transmissão zoonótica, conforme informações publicadas na Nota técnica.
Sintomas
Os sintomas da esporotricose aparecem após a inoculação do fungo na pele. O desenvolvimento da lesão inicial é bem similar a uma picada de inseto, podendo evoluir para feridas ou nódulos, a cura espontânea é rara. Em casos mais graves, por exemplo, quando o fungo afeta os pulmões, podem surgir tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. Na forma pulmonar, os sintomas se assemelham aos da tuberculose.
O fungo também pode afetar os ossos e articulações, manifestando-se como inchaço e dor aos movimentos, bastante semelhantes ao de uma artrite infecciosa. As formas clínicas da doença vão depender de fatores como o estado imunológico do indivíduo e a profundidade da lesão. O período de incubação é variável, de uma semana a meses, podendo chegar a até seis meses após a inoculação.
Diagnóstico
A esporotricose pode ser diagnosticada por meio de uma correlação entre dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. A confirmação diagnóstica laboratorial é feita por meio do isolamento do fungo obtido de material de biópsia ou aspirado de lesões.
Nos casos mais graves, outras amostras, tais como escarro, sangue, líquido sinovial e líquor podem ser analisadas, de acordo com os órgãos afetados.
Técnicas sorológicas são ferramentas diagnósticas que auxiliam no resultado rápido tanto nos indivíduos que apresentam formas clínicas cutâneas quanto atípicas, inclusive manifestações sistêmicas de esporotricose. O resultado negativo em amostras suspeitas não afasta o diagnóstico.
Tratamento
O tratamento deve ser realizado após a avaliação clínica, com orientação e acompanhamento médico. A duração do tratamento pode variar de três meses a um ano, até a cura completa do indivíduo. Os antifúngicos utilizados para o tratamento da esporotricose humana são o itraconazol, o iodeto de potássio, a terbinafina e as formulações lipídicas de anfotericina B, para as formas graves e disseminadas. O Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, oferece gratuitamente o itraconazol e as formulações lipídicas de anfotericina B para o tratamento da esporotricose humana.
Prevenção
A principal medida de prevenção e controle a ser tomada é evitar a exposição direta ao fungo. É importante usar luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas, bem como o uso de calçados em trabalhos rurais. Os indivíduos com lesões suspeitas de esporotricose devem procurar atendimento médico, preferencialmente um dermatologista ou infectologista, para investigação, diagnóstico e tratamento.
Toda e qualquer manipulação de animais doentes pelos seus donos e veterinários deve ser feita com o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Além disso, animais com suspeita da doença não devem ser abandonados, assim como o animal morto não deve ser jogado no lixo ou enterrado em terrenos baldios, pois isso manterá a contaminação do solo. Recomenda-se a incineração do corpo do animal, de maneira a minimizar a contaminação do meio ambiente e, assim, interromper o ciclo da doença.
Fonte: Minitério da Saúde
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