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Política

Vantagem consolidada

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

02 Abr 2026 - 18h00Por Janici Demetrio
Vantagem consolidada - Crédito: Rádio Jaraguá Crédito: Rádio Jaraguá

O mais recente levantamento do AtlasIntel, com cerca de 1.300 entrevistas realizadas entre os dias 25 e 30 de março, não chega a surpreender no cenário do governo do Estado — mas oferece nuances importantes que merecem atenção mais cuidadosa.

Na corrida pelo Executivo, confirma-se aquilo que outros institutos já vinham apontando: a ampla dianteira do governador Jorginho Mello. Ele aparece com 49,4% das intenções de voto, contra 21,4% de João Rodrigues, enquanto Gelson Merisio surge próximo dos 14%.

O quadro, neste momento, aponta para uma eleição com viés de definição ainda em primeiro turno — em favor de Jorginho. Os demais postulantes (fora o trio citado) somados sequer atingem dois dígitos, um indicativo claro da concentração de forças e da dificuldade de fragmentação do voto.

Mas há mais em jogo do que a liderança folgada do atual governador neste momento de definições.

Merisio cresce

O dado mais instigante da pesquisa está no desempenho de Gelson Merisio. Fora da vida político-partidária desde 2018 — quando foi ao segundo turno contra Carlos Moisés e fez menos votos do que havia conquistado no primeiro round —, ele ressurge com densidade eleitoral imediata.

E aqui reside o contraste: enquanto João Rodrigues constrói sua pré-candidatura há cerca de dois anos e meio, Merisio, praticamente recém-reinserido no processo (seu nome começou a ser ventilado há cerca de dois meses), aparece apenas seis a sete pontos atrás.

Projeção

Trata-se de um sinal inequívoco de potencial de crescimento para o ex-pefelista, que agora vai liderar a frente de esquerda em Santa Catarina. Mantida a trajetória, a tendência é que Merisio avance sobre o segundo lugar, alterando o eixo da disputa e reposicionando o campo oposicionista.

Primeiro turno

Com Jorginho Mello beirando os 50%, o cenário atual sugere uma eleição resolvida sem necessidade de segundo turno. Evidentemente, campanhas ainda têm capacidade de alterar tendências, mas o grau de consolidação do governador impõe um desafio considerável aos adversários.

A oposição, fragmentada e ainda em processo de organização, não demonstra, até aqui, musculatura suficiente para forçar uma segunda etapa.

Favoritismo

No Senado, a pesquisa reafirma uma leitura que já vinha sendo feita há mais de um ano: o protagonismo de Carol De Toni.

Com 30,7%, ela lidera com folga e se consolida como o principal nome da disputa. É, sem exagero, “o nome da vez” em Santa Catarina, com capital político suficiente para encaminhar a conquista da primeira vaga.

Segunda vaga

A novidade aparece na briga pela segunda cadeira. Esperidião Amin, de forma até surpreendente, surge numericamente à frente de Carlos Bolsonaro: 20,1% contra 18,3%.

Ainda que dentro da margem de erro — configurando empate técnico —, o dado tem peso político. O petista Décio Lima aparece em quarto, com 14%. Ou seja, há uma disputa clara pela segunda vaga.

Amin demonstra resiliência eleitoral e capacidade de manter competitividade, enquanto Bolsonaro enfrenta resistências mais estruturais.

Resistência

E aqui está o ponto mais sensível da pesquisa: a percepção do eleitor catarinense sobre a candidatura de Carlos Bolsonaro.

Metade dos entrevistados (50%) considera sua eventual candidatura no estado como oportunismo político. Apenas 25,6% veem sua presença como uma boa alternativa, enquanto outros 20,6% até reconhecem legitimidade, mas fazem ressalvas.

Ou seja: há uma rejeição consolidada ou, no mínimo, uma resistência relevante. Não se trata de desconhecimento — mas de juízo formado.

Desafio

Carlos Bolsonaro carrega, evidentemente, o peso do sobrenome e a força eleitoral do pai, Jair Bolsonaro, que teve votações expressivas em Santa Catarina em 2018 e 2022.

Ainda assim, a transferência automática desse capital político não se confirma de maneira plena.

Colando

O cenário exige estratégia: proximidade intensa com Jorginho Mello e, sobretudo, alinhamento com Carol De Toni tornam-se quase obrigatórios.

A eleição passa, necessariamente, por uma tentativa de “colar” sua imagem às lideranças locais consolidadas. Sem essa ancoragem, o caminho se torna significativamente mais difícil.

Histórico pesa

Por fim, há um componente adicional que não pode ser ignorado: o histórico recente.

Santa Catarina já elegeu, em 2022, Jorge Seif, um nome com vínculos externos ao estado — e a avaliação de seu mandato está longe de ser consensual.

Esse fator contribui para elevar o grau de exigência do eleitor em relação a candidaturas percebidas como “importadas”.

Trocando em miúdos

A pesquisa do AtlasIntel não altera o favoritismo no governo, mas reorganiza a leitura estratégica da disputa.

Merisio emerge como variável relevante, Amin mostra fôlego e Carlos Bolsonaro enfrenta um teste real de adaptação ao eleitor catarinense.

No Senado, uma vaga já parece ter destino; a outra, ao contrário, promete uma disputa intensa — e carregada de significado político.

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