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Política

Sinal amarelo

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

03 Abr 2026 - 17h46Por Janici Demetrio
Sinal amarelo - Crédito: Rádio Jaraguá Crédito: Rádio Jaraguá

A pesquisa da AtlasIntel, divulgada no meio desta semana, trouxe um retrato que, à primeira vista, parece confortável ao Palácio — mas que, ao ser examinado com lupa, acende um sinal amarelo no núcleo político do governo.

O governador Jorginho Mello aparece na iminência dos 50% das intenções de voto, tanto no cenário com João Rodrigues quanto naquele com Décio Lima. Soma-se a isso uma aprovação elevada de sua gestão e o desempenho consistente de Carol De Toni, que desponta com vantagem na disputa pela primeira vaga ao Senado.

Mas é justamente na segunda vaga que reside o ponto de tensão, de dúvida, de preocupação. A presença de Carlos Bolsonaro — o “Carluxo” — começa a produzir mais ruído do que convergência dentro da engrenagem governista.

E agora não apenas conceitualmente, mas com base em dados reais.

Ameaça

Interlocutores próximos ao governo admitem preocupação com o avanço de Esperidião Amin, preterido pelo próprio Jorginho na formação da chapa governista. O senador aparece à frente de Carlos Bolsonaro, o que altera o equilíbrio inicialmente projetado para a composição.

É a lógica

A tendência, à medida que a campanha se intensifique, é de acirramento. Nesse contexto, Carluxo entra em campo sob pressão — um cenário que, historicamente, não combina com estabilidade política. E muito menos com o temperamento do filho “02” de Jair Bolsonaro.

Temperamento

O histórico do ex-vereador carioca é conhecido. Trata-se de um político de perfil combativo, por vezes imprevisível.

Sentindo-se acuado diante da possibilidade real de derrota, pode recorrer à sua conhecida “metralhadora giratória” — estratégia que tensiona o ambiente e amplia conflitos, internos e externos.

Esse tipo de comportamento, em uma campanha estadual já complexa, não interessa a ninguém — muito menos ao próprio Jorginho Mello, que precisa preservar coesão e foco.

Nacionalização

A simples presença de Carlos Bolsonaro na disputa catarinense já projeta a eleição para além das fronteiras do estado.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão do senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato do PL à Presidência da República —, Carluxo transforma qualquer movimento local em pauta nacional.

Isso impõe um componente adicional de complexidade: o desempenho dele em Santa Catarina cria vínculos diretos com o projeto nacional do partido.

Articulação

Diante desse quadro, a tendência é de intensificação das articulações.

O governador deve buscar alinhamento não apenas com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, mas também com Flávio Bolsonaro, no sentido de calibrar estratégia, discurso e posicionamento.

A ideia central é clara: evitar ruídos e construir uma narrativa capaz de impulsionar Carlos Bolsonaro sem comprometer o conjunto da obra, que até aqui está bem encaminhado.

Voto casado

Uma das alternativas mais evidentes é o reforço do chamado “voto casado”: Carol De Toni com Carlos Bolsonaro.

Nesse desenho, caberá a Carol um papel estratégico — semelhante ao que já se viu em eleições anteriores, quando lideranças majoritárias atuaram para puxar seus companheiros de chapa.

Precedente

O paralelo histórico é inevitável. Em 2010, Luiz Henrique da Silveira, ao disputar o Senado após dois mandatos como governador, foi categórico ao vincular seu voto ao de Paulo Bauer.

“Quem não votar em Bauer, não vota em mim”, foi, em essência, o recado. O alvo era conter o avanço de Cláudio Vignatti, então filiado ao PT, que ameaçava a segunda vaga.

O resultado foi uma vitória expressiva: Bauer se elegeu com margem confortável, cerca de 250 mil votos à frente de Vignatti. Sem aquele posicionamento firme, o desfecho poderia ter sido outro.

Incógnita

É exatamente esse tipo de movimento que começa a ser desenhado nos bastidores.

Mas, diferentemente de 2010, há um fator de imprevisibilidade relevante: o próprio Carlos Bolsonaro.

Sua candidatura, hoje, é uma incógnita — e, mais do que isso, um ponto potencial de instabilidade dentro de um projeto que, até aqui, se mostrava linear.

Se o sinal amarelo vai evoluir para algo mais grave, dependerá menos dos números e mais da capacidade de articulação — e de contenção — nos próximos meses.

A conferir.

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