Agenda cultural - prefeitura de jaragua
Política

Sem o 15

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

04 Jun 2026 - 12h45Por Janici Demetrio
Cláudio Prisco Paraíso - Crédito: Rádio Jaraguá Cláudio Prisco Paraíso - Crédito: Rádio Jaraguá

A situação do MDB catarinense chega a um momento histórico, delicado e até simbólico. Justamente no ano em que o partido celebra seis décadas de existência em Santa Catarina, cresce internamente a possibilidade concreta de que, pela primeira vez desde a redemocratização e a retomada das eleições diretas em 1982, o velho Manda Brasa fique sem o número 15 na urna majoritária estadual.

O debate deixou de ser apenas eleitoral. Passou a ser identitário

Na última segunda-feira, durante sessão especial na Assembleia Legislativa em homenagem aos 60 anos da sigla, o MDB voltou a exibir aquilo que nenhum outro partido conseguiu construir em Santa Catarina: capilaridade, militância orgânica e presença efetiva nos 295 municípios.

Mesmo após perder, em 2024, a condição de partido com o maior número de prefeitos para o PL de Jorginho Mello, o MDB segue sendo a estrutura partidária mais enraizada do Estado.

Mas exatamente aí reside o drama da turma do Manda Brasa.

Preterido

Durante mais de três anos, os emedebistas permaneceram no governo estadual sob a expectativa de ocupar a vaga de vice na chapa de reeleição de Jorginho Mello. Inclusive ocupando cargos de primeiro escalão. Carlos Chiodini era tratado como nome natural para a composição.

Freio de arrumação

Só que, no início deste ano, o governador promoveu um verdadeiro cavalo de pau político. Aproximou-se do Novo e escolheu Adriano Silva, então prefeito de Joinville, como companheiro de chapa. O MDB ficou fora.

Com João

A reação foi inevitável. Ainda existe um grupo alinhado ao projeto de recondução de Jorginho, algo próximo de um terço das lideranças estaduais. Mas a ampla maioria passou a se deslocar para o projeto de João Rodrigues. E justamente levando Chiodini para ocupar, ao lado do prefeito de Chapecó, a mesma vaga que seria sua com Jorginho: a vice-governadoria.

Ausência

O problema é que vice não aparece na urna. E o MDB percebeu que pode chegar a 2026 sem um candidato próprio ao governo e, pior, sem candidato ao Senado. Ou seja, sem o 15 na urna.

Hoje, a composição desenhada ao lado de João Rodrigues contempla apenas um nome ao Senado: Esperidião Amin.

Ajuntamento

E aí surge outro componente histórico carregado de simbolismo. Durante quatro décadas, Amin foi o principal adversário político do MDB catarinense. Para uma geração inteira de emedebistas — especialmente os chamados “de cruz na testa” — o progressista sempre foi tratado como inimigo político preferencial.

Agora, parte do partido se vê diante da necessidade de pedir votos justamente para Amin. A política realmente não é para amadores.

Pressão

É nesse contexto que cresce a pressão sobre o deputado estadual Antídio Lunelli. Empresário bem-sucedido, ex-prefeito de Jaraguá do Sul por dois mandatos e responsável pela eleição do sucessor, Antídio mantém densidade eleitoral, capacidade financeira, recall político e carisma reconhecido até por adversários.

Opção rejeitada

Em 2022, apresentou-se como pré-candidato ao governo justamente para preservar o protagonismo do MDB. Acabou derrotado internamente na convenção partidária.

Agora, muitos emedebistas entendem que ele seria o único nome capaz de manter o 15 vivo na urna majoritária, disputando o Senado numa dobradinha com Esperidião Amin. Não apenas para preservar simbolicamente a presença do partido, mas também para tornar a chapa mais competitiva eleitoralmente.

Declínio

O MDB carrega outra preocupação silenciosa: o desgaste acumulado nas duas últimas eleições estaduais.

Em 2018, Mauro Mariani protagonizou o primeiro grande trauma da sigla ao não conseguir levar o partido ao segundo turno.

Gravidade

Em 2022, a situação se agravou. O MDB abriu mão da cabeça de chapa, indicou Udo Döhler como vice de Carlos Moisés e novamente ficou fora da disputa decisiva.

Ou seja: duas eleições consecutivas sem protagonismo efetivo. Para um partido que governou Santa Catarina durante décadas e construiu parte expressiva da história política do Estado, trata-se de uma mudança brutal de realidade.

Resistência

Antídio Lunelli resiste. Mas a pressão continua aumentando. Não apenas dentro do MDB, mas também entre setores do PSD e até do PP, que enxergam na presença de um candidato emedebista ao Senado uma maneira de ampliar a musculatura política da aliança.

Eleição decisiva

Porque, no fundo, o MDB sabe que 2026 pode representar muito mais do que uma simples eleição.

Pode marcar o momento em que o partido deixará oficialmente de ser protagonista para assumir, pela primeira vez desde 1982, um papel secundário na política catarinense.

Matérias Relacionadas

Geral

Ex-vereador de Guaramirim morre aos 76 anos

A família e a comunidade lamentam a perda de uma figura que deixou sua marca no município
Ex-vereador de Guaramirim morre aos 76 anos
Política

Moraes e Dino: a toga virou palanque

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso
Moraes e Dino: a toga virou palanque
Política

Lunelli intensifica agenda no Norte e ganha tração na corrida ao Senado

A movimentação integra a agenda da chapa majoritária
Lunelli intensifica agenda no Norte e ganha tração na corrida ao Senado
Política

TRE-SC vai convocar 80 mil mesários pelo WhatsApp para as Eleições 2026

Mas atenção: o contato será exclusivamente pelo o número oficial do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC): 0800 647 3888
TRE-SC vai convocar 80 mil mesários pelo WhatsApp para as Eleições 2026
Ver mais de Política