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Política

Derrota Histórica e o fim de Lula

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

30 Abr 2026 - 12h18Por Janici Demetrio
Derrota Histórica e o fim de Lula - Crédito: Rádio Jaraguá Crédito: Rádio Jaraguá

A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado Federal não é apenas um revés circunstancial — é um marco político de grandes proporções. O episódio expõe, com nitidez, o esgotamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, fragilizado econômica, moral e, sobretudo, politicamente. Trocando em miúdos: o (des)governo sob Lula III acabou, exauriu-se. Deu.

O povo brasileiro, aliás, está contando as horas para no dia 4 de outubro se livrar definitivamente de tudo isso que está aí. Ninguém aguenta mais.

A incapacidade de articulação com o Congresso Nacional, já perceptível há meses, ganhou contornos definitivos. O Planalto perdeu o controle da agenda e, mais grave, perdeu a autoridade. O resultado da sabatina e da votação no Senado funciona como um atestado inequívoco: Lula sofreu sua maior derrota política, histórica, acachapante, no exercício da presidência.

Marco histórico

A última vez que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro. Trata-se de um precedente remoto, de outra era institucional, social, econômica e política.

Lado a lado

Ao repetir esse feito, Lula não apenas entra para a história — entra da pior forma possível. Equipara-se, simbolicamente, a um governante militar frequentemente criticado por ele próprio ao longo de sua trajetória política. E sempre, naturalmente, de forma ácida, crítica e debochada, que é como Lula e seus camaradas enxergam as Forças Armadas deste país.

Fragilidade

A derrota evidencia algo mais profundo: a perda de condições de governabilidade. Lula já não consegue coordenar sua base, tampouco impor sua vontade política.
A rejeição de Messias também reflete o ambiente de desgaste do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. Os atuais integrantes do STF arrastaram a Corte para a maior crise de sua história, e os reflexos começam a ganhar forma, saindo dos discursos indignados. O Senado captou esse sentimento e reagiu.

Pressão ao STF

A decisão abre um flanco relevante. Se o Senado foi capaz de barrar uma indicação presidencial para o STF, também sinaliza que pode avançar sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte.
E não faltam pedidos nesse sentido. Há dezenas deles na direção de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino. O risco, portanto, deixa de ser teórico e passa a ser concreto.

Bastidores

Não se pode ignorar o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Sua atuação foi decisiva para o desfecho.
Alcolumbre operou politicamente, como de costume, condicionado a interesses e reivindicações não atendidas pelo governo. Ainda assim, o dado central permanece: o Senado deu o recado — ainda que sob liderança circunstancial e pouco confiável deste cidadão.

Efeito eleitoral

O impacto é imediato no tabuleiro eleitoral. A derrota de Lula fortalece o campo oposicionista e, dentro dele, nomes como o de Flávio Bolsonaro, que esteve presente tanto na sabatina quanto na votação. Ele é senador pelo Rio de Janeiro.

Senil

A mensagem é direta: Lula perdeu densidade política e energia eleitoral. Sua eventual candidatura a um quarto mandato, que já estava sob desconfiança, passa a ser seriamente questionada.
Aos 80 anos, submeter-se novamente ao crivo das urnas, sem base parlamentar sólida e com a popularidade ladeira abaixo, torna-se uma equação de alto risco.

Novo revés

E a crise não se encerra no episódio do STF. O Congresso Nacional, novamente sob comando de Alcolumbre, deve apreciar, ainda nesta quinta, antes do feriado, a dosimetria de penas relacionada à farsa de 8 de janeiro.
O encaminhamento é pela redução drástica das punições persecutórias impostas pelo regime.
A tendência é de nova derrota para o governo — o que representaria mais um golpe político no Planalto e no PT.

Agenda travada

Sem maioria consistente na Câmara e no Senado, Lula perde capacidade de propor e aprovar qualquer agenda relevante. Projetos sensíveis, especialmente na área econômica, enfrentam resistência crescente, inclusive do empresariado.
O risco de derrotas sucessivas desestimula o próprio governo a pautar temas estratégicos.

Desfecho

O que se viu no Senado não foi um episódio isolado, mas o gatilho de uma reorganização política mais ampla. A rejeição de Jorge Messias desencadeia uma série de efeitos institucionais, administrativos e eleitorais.

Em síntese: a derrota não é apenas acachapante — é estruturante. Marca o início de um novo ciclo, no qual o governo Lula deixa de ser protagonista para se tornar refém das circunstâncias. E que venha logo o dia 4 de outubro.

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