Política
Crise em viagem constante
Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso
Crédito: Rádio Jaraguá Era meados da década de 1980, quando da investidura de Zé Sarney na Presidência da República. Nos dois, três primeiros meses, ele estava no cargo como interino, afinal, Tancredo Neves convalescia depois de uma sequência de cirurgias e veio a falecer em 21 de abril, quando Sarney foi confirmado no cargo. E lá ficou por cinco anos.
Fernando Henrique Cardoso, à época senador por São Paulo, cunhou uma frase célebre, muito badalada, que dizia aos veículos de comunicação: “A crise viajou.” Referia-se, claro, ao presidente, que teve que conviver, num determinado momento — na reta final do seu governo, antes das eleições de Fernando Collor e da transmissão da máquina federal ao representante de Alagoas — com uma inflação que chegou a 80% ao mês.
Lucidez
Hoje, Zé Sarney, lúcido e com boa saúde, está com 95 anos. Fernando Henrique Cardoso, verdade seja dita, está fora de circulação. Parece um tanto abalado e comprometido no aspecto cognitivo, aos 94 anos.
Turismo
Lula não para de viajar. Em dois anos e meio de governo — portanto, 30 meses —, quatro deles, ou seja, 120 dias, ele passou fora do país. Em viagens internacionais, o ídolo vermelho completou 50 incursões, com essa agora para o G7, no Canadá.
Bolada
Coincidentemente, nesse período, só com transporte aéreo e hospedagens em luxuosas suítes, foram despendidos R$ 50 milhões. Do meu, do seu, do nosso bolso.
Repeteco
Dá o que pensar. Será que outra liderança poderia se apropriar da frase de FHC? “A crise viajou.” Só que, agora, ela viaja, mas os problemas continuam aqui — exatamente como aconteceu com Zé Sarney.
Em sequência
Veja que o líder esquerdista voltou de uma viagem de uma semana à França, ficou menos de quatro ou cinco dias no Brasil, e rumou para o Canadá. Com um detalhe: enquanto ele se deslocava para o país da América do Norte, a Câmara dos Deputados se reunia para aprovar o regime de urgência relativo à criação de impostos, particularmente o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Revés
Ocorre que o governo não conseguiu sensibilizar a Câmara dos Deputados, e resolveu enfiar goela abaixo, editando medidas provisórias. Houve reação imediata da Câmara, na figura do próprio presidente Hugo Motta.
Cara de paisagem
Quando Lula viajou, sabia da votação. Motta até assumiu o compromisso de não colocar em votação o mérito, mas votaria o regime de urgência — que, uma vez aprovado, dispensa tramitação nas comissões. A qualquer momento, o plenário pode se reunir para derrubar, naturalmente, as medidas provisórias com majoração de impostos.
João bobo
Mesmo sabendo disso, Lula viajou e fez um belíssimo papel de bobo da corte ante os holofotes internacionais. Seus ministros estratégicos sequer estavam em Brasília.
Bem longe
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, correu para São Paulo. O da Casa Civil, Rui Costa, viajou para sua terrinha natal, a Bahia. Ou seja: existe uma desarticulação absoluta do governo, dando a sensação de que é uma gestão já em modo “apagar das luzes”. Ou seja: o próprio desgoverno.
Lavada
Na aprovação do regime de urgência, por 346 votos dos 513 deputados, tivemos uma votação expressiva contra o governo. Desses 346 votos, uma grande quantidade veio de bancadas partidárias hoje representadas na Esplanada dos Ministérios. Com 11 ministros. Dessas bancadas, 65% dos deputados votaram a favor do regime de urgência.
Fim da linha
Ou seja, o governo Lula está para lá de Bagdá. A impressão que se tem é que não há mais esperança de reversão do quadro delicadíssimo sob os aspectos econômico e financeiro.
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