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Política

Chapa posta, tabuleiro em movimento

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

26 Fev 2026 - 18h52Por Janici Demetrio
Chapa posta, tabuleiro em movimento - Crédito: Rádio Jaraguá Crédito: Rádio Jaraguá

A formalização antecipada da chapa majoritária governista, em Brasília, funciona como um divisor de águas no pré-jogo eleitoral catarinense. Sob a condução do senador Flávio Bolsonaro, presidenciável do partido, o PL sacramentou a composição pura, com o governador Jorginho Mello à reeleição, tendo Carlos Bolsonaro e Carol De Toni na disputa pelas duas vagas ao Senado.

O gesto, praticado com larga antecedência, não é apenas simbólico: delimita território, organiza a tropa e, sobretudo, força aliados e potenciais parceiros a redefinirem rotas, dando contornos bem mais nítidos ao cenário — faltando ainda pouco mais de sete meses para o pleito. Ao mesmo tempo em que transmite confiança do núcleo bolsonarista, explicitada no otimismo quanto ao desempenho dos três nomes, a decisão impõe, por óbvio, constrangimentos a quem orbitava o projeto esperando espaço na majoritária.

Preteridos

A montagem da chapa deixa evidente que não houve acomodação para antigos interlocutores. O senador Esperidião Amin, apesar dos elogios públicos recebidos — e merecidos, por sua destacada atuação na Câmara Alta —, e a federação União Progressista se veem diante da necessidade de reorganização estratégica.

Permanência

O dado mais curioso é que tanto o PP quanto o MDB seguem integrando a administração estadual pilotada por Jorginho Mello. No primeiro caso, com o ex-deputado Silvio Dreveck na Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. No segundo, com Jerry Comper na Infraestrutura, Cleiton Fossá no Meio Ambiente e a presidência da Fesporte.

Trata-se de uma convivência política típica de transição: partidos fora do projeto eleitoral, mas ainda dentro do governo até o limite da desincompatibilização.

Progressistas

Na seara do PP, o caminho parece mais linear. A tendência dominante aponta para alinhamento com o projeto liderado por João Rodrigues ao governo, com candidatura própria ao Senado. É um movimento de afirmação, menos defensivo e mais programático, já relativamente consolidado nos bastidores.

Encruzilhada

A situação do MDB, por sua vez, é substancialmente mais complexa. Sob a presidência do deputado federal Carlos Chiodini, o partido convive com fissuras internas relevantes. Há, na prática, vários MDBs dentro do MDB catarinense.

Existe um segmento que, mesmo fora da chapa, prefere manter proximidade com o governo Jorginho. Outro, minoritário, chegou a cogitar aproximação com o projeto de Gelson Merisio — hoje no Solidariedade e em movimento rumo ao PSB — hipótese praticamente descartada pelo elevado risco de defecções em série.

Sacrifício

Resta, portanto, a alternativa mais coerente com a tradição emedebista: candidatura própria, ainda que em caráter de resistência, possivelmente com o próprio Chiodini assumindo o protagonismo. É, até aqui, o sentimento majoritário das bases.

Importante destacar, contudo, que nem mesmo os principais líderes do partido demonstram plena clareza sobre qual seria o melhor rumo para a tradicional sigla.

Bastidores

Rumores alimentados no entorno do PSD sugerem uma eventual convergência do MDB ao projeto de João Rodrigues. No curto prazo, porém, esse cenário não se sustenta. O MDB encomendou pesquisas qualitativas e quantitativas para balizar decisões e dificilmente antecipará movimentos em um contexto tão delicado.

Qualquer precipitação poderia aprofundar a fragmentação interna justamente no momento em que o partido sofre assédio direto do próprio governador sobre prefeitos e parlamentares.

Bastidores (II)

Em conversas reservadas, há pessedistas graduados afirmando que, no dia 21 de março, quando for anunciada a adesão da federação União Progressista à candidatura de João Rodrigues ao governo, o MDB entraria junto.

Mas, como já observado, trata-se de um encaminhamento pouco plausível. O MDB tende a formalizar suas decisões apenas na undécima hora, no prazo fatal das convenções homologatórias, em 5 de agosto. Qualquer antecipação, nesse contexto, pode representar um duríssimo — e irreversível — tiro no pé.

Delicadeza

O quadro atual revela graus distintos de estabilidade entre as forças políticas. O campo governista exibe coesão e narrativa clara; os progressistas têm direção definida; e o MDB permanece como a equação mais delicada do tabuleiro.

Carlos Chiodini enfrenta uma das missões mais espinhosas do ciclo: conduzir o partido sem permitir que fissuras internas se transformem em rachaduras incontornáveis, o que poderia levar à perda de quadros estratégicos em pleno período pré-eleitoral.

Vida real

No tabuleiro catarinense, a chapa do PL inaugura a fase do posicionamento real. A partir daqui, há menos especulação e mais movimento concreto, mais alinhamento e mais articulação para fortalecer projetos.

É exatamente nesse ponto que a fragilidade emedebista se transforma no principal foco de atenção do processo eleitoral em curso.

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