iptu
Política

Após a ressaca municipal, a esquerda tenta se reorganizar em Santa Catarina

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso

06 Fev 2026 - 10h35Por Janici Demetrio
Após a ressaca municipal, a esquerda tenta se reorganizar em Santa Catarina - Crédito: Rádio Jaraguá Crédito: Rádio Jaraguá

A esquerda catarinense passou 2025 em ritmo de recuperação. A derrota nas eleições municipais de 2024 foi dura, tanto em números quanto em moral política. Num universo de 295 municípios, o PT elegeu apenas sete prefeitos, todos em cidades de pequeno e médio porte. Partidos aliados no campo progressista, como PDT e PSB, não conquistaram nenhuma prefeitura. O resultado expôs a fragilidade estrutural desse campo e impôs um período de recolhimento.

Mas 2026 se aproxima, e o calendário eleitoral não permite longas pausas. A mudança de postura começou a partir de Brasília.

Com a eleição presidencial no horizonte e a necessidade de montar palanques competitivos nos estados, o Planalto passou a pressionar por reorganização em Santa Catarina. O ex-candidato ao governo Décio Lima, que após 2024 dedicou-se mais às agendas nacionais do que à articulação partidária no estado, voltou ao centro das conversas.

Estratégia

O desenho em construção indica Décio como candidato ao Senado, buscando a segunda vaga na disputa. A avaliação interna é de que, depois de duas campanhas majoritárias ao governo e de ter levado o PT ao segundo turno em 2022, ele mantém recall suficiente para uma candidatura competitiva em uma eleição de duas vagas.

Peça-chave

Para o governo do Estado, o nome que emerge como aposta do campo progressista é o do ex-deputado Gelson Merisio, que deve se filiar ao PSB. Com histórico de articulação e trânsito em diferentes espectros políticos, Merisio surge como tentativa de ampliar o alcance da esquerda para além do eleitorado tradicional do PT.

Amplitude

A leitura estratégica é clara: repetir em Santa Catarina a fórmula de alianças mais amplas, combinando um nome com perfil de centro ou centro-esquerda ao governo e um quadro petista consolidado ao Senado.

O desafio de preencher a chapa

Com Merisio ao governo e Décio ao Senado, restam espaços importantes na composição majoritária. E é aí que aparece um problema estrutural: a esquerda catarinense enfrenta escassez de quadros com densidade eleitoral estadual.

Coadjuvantes

O PDT não dispõe hoje de um nome com capilaridade ampla. O PSOL tem figuras conhecidas em nichos urbanos, como Afrânio Boppré, que poderia integrar a chapa ao Senado, mas sem força para encabeçar um projeto majoritário. Diante desse cenário, cresce dentro do PT a tendência de indicar o nome para a vice.

Pedro Uczai ganha centralidade

O deputado federal Pedro Uczai desponta como opção natural. Um dos parlamentares mais votados do estado, com base consolidada no Oeste e trajetória que inclui mandato como prefeito de Chapecó, Uczai tem tudo para ampliar visibilidade nacional ao assumir nesta semana função de maior projeção na Câmara dos Deputados: a liderança do PT.

Opção

Sua eventual presença como vice numa chapa liderada por Merisio serviria para equilibrar o perfil político: um articulador com trânsito mais amplo ao governo e um quadro orgânico do PT, garantindo mobilização da militância e identidade programática.

Reconstrução, não hegemonia

A esquerda não reaparece como força dominante, mas como campo em reconstrução. A estratégia não é de enfrentamento isolado, e sim de composição ampliada, buscando viabilidade eleitoral em um estado historicamente resistente ao PT em disputas majoritárias.

Ar da graça

Depois de um 2025 de silêncio e reorganização interna, 2026 começa a ser desenhado com mais pragmatismo do que discurso. A esquerda catarinense entendeu que, sozinha, encolheu. Agora tenta crescer por soma — e não por hegemonia.

Matérias Relacionadas

Política

Fazendo a roça

Confira os bastidores da política com o comentarista Cláudio Prisco Paraíso
Fazendo a roça
Política

Deputado Pezenti anuncia seu destino político

"Eu tenho dois caminhos: ou mudo de partido, ou mudo o partido. Preferi ficar no MDB, pra ajudar a conduzir o time pra uma outra direção", declarou o parlamentar
Deputado Pezenti anuncia seu destino político
Política

MDB de SC se opõe à aliança com Lula e apoia manifesto pela neutralidade nas eleições presidenciais

Diretórios de 16 Estados são contrários à articulação com o PT e a possível indicação de vice-presidente da chapa com o petista
MDB de SC se opõe à aliança com Lula e apoia manifesto pela neutralidade nas eleições presidenciais
Política

Câmara aprova regras para comercialização de remédios em supermercados

Texto segue agora para sanção presidencial
Câmara aprova regras para comercialização de remédios em supermercados
Ver mais de Política