INTERNACIONAL

Trump e Kim encerram cúpula de forma repentina e acordo fica distante

01 Mar 2019 - 09h32Por Beatriz Bulla, correspondente

A segunda cúpula entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, terminou nesta quinta-feira, 28, sem acordo sobre a desnuclearização da Península Coreana. Para analistas, o fracasso coloca em risco todo o avanço obtido nas negociações com a Coreia do Norte e na primeira reunião entre Kim e Trump, no ano passado, em Cingapura.

A reunião em Hanói, no Vietnã, foi interrompida abruptamente. Até aquele momento, autoridades dos dois lados esperavam que a reunião fosse capaz de dar resultados mais concretos do que o primeiro encontro em Cingapura.

Para John Ciorciari, diretor do Centro de Política Internacional da Gerald Ford School of Public Policy, da Universidade de Michigan, a ausência de progresso não surpreende. "As partes não estavam perto do ponto de avanço. A reunião foi prematura. Isso deu a Kim uma chance de pressionar Trump por concessões com poucas perspectivas de avanços substanciais na Coreia do Norte", afirmou.

Segundo Trump, a Coreia do Norte exigia a retirada completa das sanções econômicas para avançar no programa de desnuclearização. Por outro lado, o ministro de relações exteriores norte-coreano, Ri Yong-ho, afirmou que a exigência foi pela retirada de algumas sanções - e não todas, contradizendo o americano.

"Parece que os dois julgaram mal um ao outro. Kim pode ter calculado que Trump, ávido por uma vitória em política externa, o recompensaria com o alívio de sanções", escreveram as analistas de Coreia Sue Mi Terry e Lisa Collins, do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS). Já Trump, segundo elas, pensava que Kim havia aceitado negociar graças a sua política de pressão. "Nenhuma das expectativas foi confirmada em Hanói", disseram. Segundo elas, o encontro foi uma perda de energia, tempo e recursos e pode tornar as negociações mais difíceis.

Até esse encontro, Trump usava as negociações como um trunfo de sua política externa e costumava dizer que, sem ele, o mundo estaria vivendo uma guerra. O resultado frustrado da cúpula é um retrocesso para as negociações e para o discurso de Trump.

É consenso entre especialistas, no entanto, que os EUA tomaram a decisão certa em não fazer um acordo se a outra opção era um acordo ruim. Kim tem pressionado para que Trump reduza as sanções antes de desmantelar seu arsenal.

Ciorciari acredita que os dois países não têm escolha e devem seguir negociando. "A retórica pode ficar mais hostil, mas eventualmente eles voltarão à mesa de negociações", afirma. Mesmo assim, ele vê riscos após o fracasso da cúpula. Segundo ele, a Coreia do Norte frequentemente responde a impasses diplomáticos com ameaças, para buscar concessões. "Não seria surpreendente ver mais testes nucleares após o colapso das negociações."

No primeiro encontro, em Cingapura, Trump e Kim concordaram com um plano de desnuclearização. Para especialistas, isso só aconteceu porque os dois não definiram o que de fato significaria a desnuclearização e quais concessões seriam feitas pelos dois líderes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Saúde

Espanha vai doar medicamentos do kit intubação ao Brasil

Insumos chegarão no final da próxima semana
Segurança

Tiroteio em Indianapolis deixa oito mortos e vários feridos

Incidente ocorreu em um armazém da FedExc, empresa de carga aérea
Saúde

Brasil recebe 2,3 milhões de kits de intubação vindos da China

Insumos foram comprados por grupo de empresas e serão doados ao SUS
Brasil recebe 2,3 milhões de kits de intubação vindos da China
Economia

Dólar cai pelo terceiro dia seguido e aproxima-se de R$ 5,60

lsa de valores tem leve alta, com realização de lucros
Ver mais de Mundo