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INTERNACIONAL

Sri Lanka limita direitos individuais e atribui ataque a grupo radical islâmico

23 Abr 2019 - 11h00

As autoridades do Sri Lanka impuseram estado de emergência em todo o país a partir desta terça-feira, 23, para combater o terrorismo, depois dos atentados no Domingo de Páscoa contra três igrejas, quatro hotéis e um condomínio de casas, que deixaram cerca de 300 mortos e 500 feridos.

A autoria dos ataques não havia sido reivindicada por nenhum grupo, mas o governo responsabilizou o National Thowheet Jama'ath (NTJ) e disse que não entende "como uma pequena organização poderia fazer tudo isso". "Estamos investigando uma possível ajuda estrangeira e seus outros vínculos, como formaram homens-bomba, como produziram as bombas", disse um porta-voz, acrescentando que o governo "buscará ajuda de outros países" nas investigações.

As autoridades cingalesas disseram que a maioria dos ataques foi cometida por suicidas e anunciaram a detenção de 24 pessoas, mas não revelaram detalhes sobre nenhuma delas. Também informaram que o FBI tem ajudado na investigação e a Interpol enviou uma equipe. Sob a lei de emergência, a polícia e os militares terão poderes amplos para deter e interrogar suspeitos sem mandados judiciais. Um toque de recolher entrou em vigor nesta segunda-feira, 22.

O NJT tornou-se conhecido no ano passado por atos de vandalismo contra estátuas budistas. Em 2016, um dos líderes da organização, Abdul Razik, foi detido por incitar práticas racistas. O líder do obscuro grupo teria morrido no ataque suicida contra o Hotel Shangri-La, em Colombo, disseram investigadores. Um perito em segurança internacional, Rohan Gunaratna, disse ao jornal The Mirror que o grupo é um representante do Estado Islâmico no Sri Lanka e os detidos têm ligações com cingaleses que se juntaram à jihad na Síria e no Iraque.

No dia 4, a polícia recebeu o primeiro alerta de que o grupo preparava atentados suicidas contra igrejas e contra a Embaixada da Índia em Colombo. Desde janeiro, as forças de segurança sabiam que radicais islâmicos, possivelmente ligados ao grupo, estavam estocando armas e detonadores. Na ocasião, a polícia apreendeu 100 quilos de explosivos e prendeu quatro extremistas islâmicos, mas nenhum foi indiciado.

O fracasso das agências de segurança em impedir os atentados - e mesmo compartilhar as informações com as autoridades, incluindo o primeiro-ministro - provocou uma grande crise no governo. Vários ministros criticaram o presidente Maithripala Sirisena, que controla o serviço de segurança, por não ter tomado precauções ao ser alertado. Ele e o primeiro-ministro romperam no ano passado e, aparentemente, Sirisena excluiu o premiê dos memorandos de segurança.

O Soufan Center, centro de estudos sobre ameaças à segurança mundial, com sede em Nova York, disse que o planejamento e a minuciosa coordenação dos atentados têm similaridades com os ataques da véspera de Natal do ano 2000, na Indonésia, cometidos por um grupo extremista local em coordenação com a Al-Qaeda.

Quase 1,2 milhão de católicos vivem no Sri Lanka, um país de 21 milhões de habitantes, onde os cristãos representam quase 7% da população, majoritariamente budista (70%). O país também tem 12% de hinduístas e 10% de muçulmanos.

Os ataques começaram de forma simultânea por volta das 8h45 de domingo (0h15 em Brasília), com fortes explosões em três hotéis de luxo de Colombo, em uma igreja da capital, além de outra em Katana, no oeste do país, e de um terceiro templo cristão na cidade de Batticaloa.

As explosões continuaram horas depois com uma sétima detonação em um pequeno hotel e a última delas em um condomínio residencial em Dematagoda, também em Colombo, onde morreram policiais.

Ao menos 32 estrangeiros, entre eles indianos, portugueses, turcos, britânicos, australianos, japoneses, americanos, dinamarqueses e um francês, estão entre os mortos. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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