Delivery Much
INTERNACIONAL

Roraima recebe leva de imigrantes após nova crise

02 Mai 2019 - 09h42Por Cyneida Correia, especial para AE, e Luiz Raatz; com colaboração de Tânia Montei

O número de refugiados venezuelanos que entraram no Brasil na terça-feira, no posto de fronteira de Pacaraima, chegou a 848, informou nesta quarta-feira, 1º, por meio de nota a Operação Acolhida, que cuida dos refugiados venezuelanos em Roraima.

Na comparação com os números medidos na última semana, a movimentação na fronteira na terça-feira, dia em que o líder opositor Juan Guaidó tentou liderar uma sublevação militar contra o presidente Nicolás Maduro, o volume de venezuelanos que chegam a Pacaraima dobrou. Mas, segundo a Operação Acolhida, esse número varia muito e não é possível estabelecer ainda um vínculo entre o aumento do fluxo na fronteira e o que ocorreu na terça-feira.

Segundo a Operação Controle, que monitora a fronteira entre Roraima e Venezuela, a cifra é um indício de que o fluxo migratório está retornando à média registrada antes de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinar o fechamento da fronteira, em fevereiro.

Com o fechamento, o fluxo diário chegou a cair para uma média de 200 pessoas por dia. Nas últimas semanas foi se recuperando até chegar a 400 pessoas por dia. Nesta quarta, chegou perto dos 900 - o número médio registrado antes do fechamento da fronteira. No total, mais de 150 mil venezuelanos entraram no Brasil pela fronteira desde 2016.

Para o porta-voz da Operação Controle, tenente Alyson Mendonça, isso é um sinal de que mais venezuelanos que chegam ao Brasil por Santa Elena de Uairén estão cruzando a fronteira por caminhos alternativos - as chamadas "trochas".

A Operação Acolhida informou que não houve reforço na fronteira por causa da confusão ocorrida na Venezuela. Segundo os militares, a movimentação foi tranquila durante todo o dia em Pacaraima.

De acordo com um comunicado divulgado pela Operação Acolhida, um total de 936 venezuelanos passaram pelo Posto de Recepção e Identificação de Pacaraima. Desse número, 848 entraram no Brasil e 88 saíram.

O governador de Roraima, Antônio Denarium (PSL), disse que teme que a população de seu Estado se volte contra os venezuelanos, que aumentaram a imigração para o Brasil depois do acirramento do conflito na Venezuela. Segundo o governador, com o agravamento da crise no país vizinho, apesar da fronteira fechada do lado de lá, quase mil venezuelanos continuam entrando no Estado por dia, agravando a situação de superlotação já existente de população nas cidades e nos serviços públicos locais.

"Temo que a população se revolte. Temo que se volte contra os venezuelanos porque não tem nenhum benefício para brasileiro, só tem benefício para venezuelanos", afirmou. "O que vem é só pro venezuelano. Não dá cesta básica pro brasileiro que está passando fome. Mas, pro venezuelano, dá tudo, almoço, jantar, aluguel. Dá tudo que o brasileiro não tem."

Ao falar sobre o repasse de recursos, o governador reclamou que o dinheiro que o Estado recebe é só do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ou para o Exército usar no atendimento aos venezuelanos. "Preciso de dinheiro para cobrir as despesas que Roraima está tendo com a chegada dos venezuelanos", disse. "O problema de migração dos venezuelanos para o Brasil não é problema de Roraima. É um problema do Brasil. Precisamos de investimento para custeio para atender os brasileiros também."

O governador já tem uma fatura pronta para apresentar ao governo federal. Lembrou que está tramitando uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo R$ 280 milhões de restituição com as despesas com a crise imigratória. "Já tentamos fazer acordo pela metade do valor, mas a AGU (Advocacia-Geral da União) não concordou. Não há reembolso das despesas que temos com os venezuelanos".

Denarium lembrou que esteve com o presidente Jair Bolsonaro na semana passada em Brasília e pediu ajuda. "Bolsonaro tem se esforçado, mas não encontrou mecanismo para fazer ainda repasses para o Estado", lamentou. Segundo ele, metade das vagas dos hospitais está ocupada por venezuelanos, mais de 5 mil alunos venezuelanos estão nas escolas estaduais e 10% da população carcerária também é venezuelana. A taxa de desemprego dobrou de 8% para 16% e a população do Estado aumentou 20%. "Não temos emprego nem infraestrutura para isso", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Política

Biden vai pedir quarentena a passageiros internacionais

Ele pediu ainda o uso de máscaras em transportes entre os estados
Saúde

Weg integra grupo que fará doação para nova usina de oxigênio ao Amazonas

O grupo fará uma doação para o programa Unidos Contra a Covid-19 no valor de R$ 1,6 milhão, referente a uma usina de produção de oxigênio, que deverá dar suporte aos hospitais públicos da região
Weg integra grupo que fará doação para nova usina de oxigênio ao Amazonas
Saúde

Vacinas da Índia devem chegar no fim da tarde de amanhã no Rio

Foram contratadas duas milhões de doses
Vacinas da Índia devem chegar no fim da tarde de amanhã no Rio
Saúde

Covid-19: Índia vai exportar doses de vacina para Brasil nesta sexta

Covid-19: Índia vai exportar doses de vacina para Brasil nesta sexta
Ver mais de Mundo