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Oposição da Venezuela monta acampamentos para aguardar ajuda humanitária

18 Fev 2019 - 19h02

A oposição da Venezuela instalou no domingo 17 uma dezena de acampamentos em todo o país, por onde milhares de voluntários prestaram ajuda médica à população do país. No próximo sábado, dia 23, os opositores pretendem passar da cidade de Cúcuta (Colômbia) para a Venezuela com os kits humanitários enviados pelos Estados Unidos.

O deputado opositor Winston Flores afirmou à imprensa que os acampamentos fizeram a "classificação e triagem" de doenças entre a população mais vulnerável, principalmente entre crianças e idosos. "É um trabalho essencial para que tenhamos essa ponta da lança que será a avalanche humanitária em 23 de fevereiro, quando será a entrada dessa ajuda, em massa, de que tanto necessitam os venezuelanos", acrescentou.

Flores também disse que foram distribuídos "alguns remédios" para hipertensão ou diabetes a pacientes que apresentavam a receita médica. Os primeiros dados recolhidos dos acampamentos em Caracas mostram que as doenças mais comuns entre a população são doenças de pele, diabetes, hipertensão, parkinson, osteoporose e desnutrição (esta última nas crianças).

Segundo o parlamentar, centenas de médicos, psicólogos, nutricionistas e militantes da oposição se voluntariaram, assim como mais de 600 mil pessoas de uma rede que trabalhará na chegada de doações.

"Sou voluntário"

Yamila Vargas, enfermeira desempregada e sobrevivente de câncer, aguardou em uma fila quilométrica debaixo de um sol escaldante: queria ser voluntária para atenuar a escassez de alimentos, remédios e insumos hospitalares.

O opositor Juan Guaidó, autodeclarado presidente interino da Venezuela, encabeçou a juramentação de milhares de pessoas da Coalizão Ajuda e Liberdade, na qual espera reunir um milhão de colaboradores. O movimento é encarado como um desafio aberto a Nicolás Maduro, que considera a ajuda como "esmola" e recusa a entrada de kits humanitários doados pelos EUA em território venezuelano justificando ser uma estratégia para a intervenção estrangeira em seu país.

O próprio presidente bolivariano afirmou na semana passada que os alimentos americanos são "presentes apodrecidos" que têm o "veneno da humilhação", enquanto a sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, declarou, sem apresentar provas, que são "cancerígenos".

O opositor Flores respondeu que "a única comida contaminada que chega à Venezuela" é aquela que o governo distribui no programa conhecido como Clap. Segundo parlamentares da oposição, a política de assistência provocou perdas patrimoniais milionárias pelos custos e pela corrupção.

O voluntário Francisco García, artista plástico de 43 anos, abraçava a imagem do médico venezuelano José Gregorio Hernández enquanto esperava pela juramentação. A sua mãe luta contra um câncer de pulmão e viu morrer vários conhecidos por falta de remédios, o que lhe levou a se voluntariar.

Ele não acredita na tese do governo de Maduro de que a ajuda humanitária é um "espetáculo" para intervenção estrangeira. Em alusão ao Clap, ele afirma: "Eles têm o espetáculo com essas caixas de comida, agora obrigam a gente a se posicionar contra os Estados Unidos para entregá-las". (Com agências internacionais)

Premix Concreto

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