PROCON
INTERNACIONAL

Mulher de turco preso exibe extrato em defesa

27 Abr 2019 - 12h05Por Luiz Raatz

A mulher de Ali Sipahi diz não entender por que o marido foi preso, nem saber o motivo de o presidente turco, Recep Erdogan, ter pedido sua extradição ao governo brasileiro.

Merve Sipahi visitou o marido na carceragem da Polícia Federal na sexta-feira, em São Paulo e chorou ao lembrar do encontro, ao qual levou o filho de 4 anos, que nasceu no Brasil. "Ele (a criança) está muito nervoso com a situação, principalmente porque o pai dele apareceu na TV e não entende direito o que está acontecendo", conta.

Sipahi foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando voltava com a mulher dos EUA. Merve pensou, a princípio que ele fora levado para prestar esclarecimentos. Quando a Justiça negou um pedido de libertação no dia 16, ela entendeu que a situação era mais grave. "Toda a comunidade ficou surpresa de isso acontecer no Brasil, que é numa democracia", disse.

Merve diz que as transações financeiras que o governo de Erdogan alega terem sido usadas para financiar o terrorismo fazem parte de presentes dados em ouro ao casal no seu casamento, como exige a tradição turca. "Que tipo de terrorismo é financiado com R$ 1 mil", questiona ela, mostrando um extrato bancário, com o valor convertido em liras. "Se não fosse o banco, teriam pedido a prisão porque ele é assinante do jornal do Hizmet, ou porque tomou aulas em cursos do Hizmet. Foi um pretexto", reclama.

Ilyas Kar diz que prisão de seu sócio alterou a rotina do pequeno restaurante no Baixo Augusta, em São Paulo, conhecido pelos kebabs, baklavas e lahmajouns - uma espécie de esfiha típica. O restaurante, conta Kar, conta com funcionários brasileiros e alguns refugiados, como haitianos e venezuelanos. "Essa perseguição começou na Turquia. Depois passou para países vizinhos fracos politicamente. E agora ao Brasil", disse o empresário. "Começaram cancelando cursos de língua turca do Hizmet no Brasil. Agora, estão prendendo nossos membros."

O restaurante de Kar e Sipahi costuma encher nos fins de semana, quando o movimento na Augusta é intenso, e é comum os dois trabalharem até as 5 horas da manhã. O negócio fica longe de Santo Amaro, coração da colônia turca em São Paulo, que, segundo Kar, reúne cerca de mil pessoas - 25% delas ligadas ao Hizmet.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Matérias Relacionadas

Economia

Cerca de 13,2 mil sites de bets ilegais são bloqueados

Apostadores ainda tem R$ 1,3 bilhão a serem devolvidos
Cerca de 13,2 mil sites de bets ilegais são bloqueados
Geral

Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

Especialistas apontam maior vulnerabilidade de jovens a apostas online
Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência
Economia

Nova tarifa dos EUA reforça preocupação da indústria exportadora catarinense, avalia FIESC

Entidade ressalta que a taxação anunciada nesta quinta, apesar de ter impacto moderado, já que é aplicada também aos demais concorrentes do Brasil, cria uma nova camada de obstáculos, ao favorecer as empresas que produzem dentro dos Estados Unidos
Nova tarifa dos EUA reforça preocupação da indústria exportadora catarinense, avalia FIESC
Economia

Subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina é prorrogado por 30 dias

Medida busca conter alta dos combustíveis causada pela guerra
Subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina é prorrogado por 30 dias
Ver mais de Mundo