Jaraguá do Sul

Promotor de Justiça diz que Parque Via Verde era um sonho antigo

Jaraguá do Sul possui poucos parques e praças. O Parque Malwee, que é o mais usado pela população, é privado.

20 Fev 2019 - 06h00
Promotor de Justiça diz que Parque Via Verde era um sonho antigo - Crédito: Divulgação / PMJS Crédito: Divulgação / PMJS

O promotor da 1ª Promotoria de Justiça, Alexandre Schmitt dos Santos, que atua na área de meio ambiente na microrregião, comentou sobre a implantação do Parque Via Verde, na Ilha da Figueira, em Jaraguá do Sul, e lembrou que há quase 20 anos vinha se discutindo a necessidade de criar espaços públicos aqui no município. De acordo com ele, Jaraguá do Sul tem uma restrição muito grande, com poucos parques e praças, citando o Parque Malwee, que é o mais usado pela população, mas é privado, “aberto ao público por um ato de grandeza”, enfatiza.

Desde as primeiras discussões sobre a necessidade de criar novos parques, o promotor lembra das ideias de aproveitar esses ‘vazios urbanos’ existentes em margens de cursos d’água para implantação de parques lineares, “que, também, não é nenhuma invenção aqui de Jaraguá do Sul. A ideia dos parques lineares é uma coisa difundida, que funciona muito bem”, avalia o promotor. 

Ele destaca que há cerca de 15 anos, aproximadamente, percebeu uma grande obra de aterro sendo feita na margem direita do Rio Itapocu, no bairro Ilha da Figueira e a necessidade de discutir o assunto com o Município para evitar a diminuição das áreas naturalmente inundáveis. “Era uma prática que se a gente continuasse a fazer, iríamos colocar Jaraguá do Sul embaixo d’água, porque a partir do momento em que você impede que a água de cheia tenha acesso às áreas inundáveis, você faz com que, automaticamente, o rio quando encha vá para outros locais”. 

A partir daí, um grupo passou a discutir alternativas e surgiu a ideia de transformar estas áreas em parques lineares, que fossem construídos usando materiais e de forma que as cheias dos rios não causassem grande estragos. “Isso, para que o rio, saindo do seu nível normal, possa continuar tendo essas áreas como depósito de água de enchente, mas, a partir do momento em que as águas recuem, essas áreas possam ser novamente utilizadas pela população, após a devida limpeza”, explica o promotor. “Assim foi planejado o Parque Via Verde, e existe a ideia de implantar outros em locais com as mesmas características, no Rio Cerro, no Rio Jaraguá”, complementa.

Na avaliação do promotor, a população virou as costas para os rios, consideradas atualmente áreas feias e que ninguém utiliza. “Esse parque quebra esse paradigma e convida as pessoas a olharem para o rio”, enfatiza. “As obras estão acontecendo e já tem gente fazendo uso, o que demonstra a carência destas áreas públicas aqui em Jaraguá do Sul”.

Falta de recursos 

Uma das dificuldades encontradas até então, era a falta de recursos orçamentários para a implantação destes espaços, segundo Alexandre Schmitt dos Santos, tanto para as obras quanto para eventuais desapropriações de imóveis na região de interesse dos parques. Nos últimos anos, houve a assinatura de alguns Termos de Ajustes de Condutas na área de meio ambiente, especificamente de medidas compensatórias por danos causados à áreas de preservação permanentes, e que resultaram na destinação de recursos financeiros para a implantação do Parque Via Verde.

“Esse dinheiro está sendo utilizado para o pagamento das desapropriações e também para os serviços e materiais à implantação do Parque”, comenta. No Parque, há ainda recursos oriundos da regularização fundiária em áreas urbanas consolidadas, cuja Lei Municipal que trata do assunto prevê a geração de medidas compensatórias ambientais, que acabam revertidas em recursos financeiros para uma conta especifica da Prefeitura de Jaraguá do Sul e quem são usados para desapropriar imóveis que estão em área inundáveis, preferencialmente em áreas de preservação permanente, que possam ser utilizadas para proteger, recuperar esses locais ou para a implantação de parques lineares para uso da população.

Sonho antigo realizado

“O Parque Via Verde é um sonho antigo, de muitas pessoas que sempre imaginaram projetos deste tipo aqui em Jaraguá do Sul, e agora a gente está conseguindo, graças às verbas destes termos de ajustamentos de condutas, verbas do Município e das medidas de compensação ambiental”, destaca. Na expectativa do promotor, o parque vai acontecer num curto espaço de tempo, graças ao empenho das pessoas e instituições envolvidas no projeto. “Em breve, nós teremos um local belíssimo em Jaraguá do Sul, com uma opção muito agradável para o lazer”, finaliza.

Duas etapas em andamento

O Parque da Via Verde está sendo construído no bairro Ilha da Figueira, a partir da Ponte Marly Freishler Baumer, margeando a Via Verde, que será uma importante alternativa de tráfego no bairro.   As obras da primeira e da terceira etapas começaram no dia 7 de janeiro deste ano, com previsão de entrega até o mês de julho. O investimento será de R$ 4,2 milhões. Para a segunda etapa, estão previstos investimentos de R$ 3,2 milhões, dos quais R$ 800 mil serão utilizados para desapropriação de imóveis. A área total do parque será de aproximadamente 75 mil metros quadrados, mas, nesta etapa – em 30 mil metros quadrados – está sendo feita a preparação do terreno entre o Rio Itapocu e o trecho da Via Verde já pavimentado e cujas desapropriações já foram feitas pelo Município.

O projeto foi dividido em três fases e, quando da sua finalização, contemplará um parque de contemplação, com espaços para a práticas de atividades físicas e lazer. Terá parque para animais, slackline, deck contemplativo, estacionamento, pista de skate, quadra poliesportiva, praça de jogos de mesa, playground, área para food truck, sanitários, quadra de vôlei, academia da melhor idade, academia funcional, campo de futebol, gramado e tabelas de basquete. Segundo o projeto, serão instalados equipamentos de concreto, robustos que resistam a eventuais alagamentos que possam ocorrer naquela região. Câmeras de vigilância instaladas na Estação de Tratamento de Esgoto do Samae servirão para monitorar o parque, especialmente na região onde serão construídos os sanitários.


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Premix Concreto

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