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Sobe para 80 o número de mortos em vingança pela morte de Bin Laden no Paquistão

13 Mai 2011 - 11h22

Subiu para 80 o número de mortes em um atentado suicida cometido contra um centro paramilitar da polícia na região noroeste do Paquistão nesta sexta-feira, reivindicado pelos talibãs como o primeiro ataque para vingar a morte de Osama Bin Laden.

Os insurgentes islamitas, ligados à Al-Qaeda e autores de uma campanha de atentados violentos no Paquistão, já haviam ameaçado executar represálias contra Islamabad e as forças de segurança do país, acusadas de cumplicidade no ataque de um comando americano que matou Bin Laden há 11 dias no norte do país.


Na manhã desta sexta-feira em Shabqadar, vilarejo do noroeste do país, um homem que estava em uma motocicleta detonou a bomba que transportava no momento em que os cadetes, já sem uniforme militar, pretendiam subir nos ônibus que os levariam para casa para 10 dias de férias, informou Nisar Jan Marwat, chefe de polícia do distrito de Charsada. O atentado teve como alvo um centro de treinamento da Frontier Constabulary, uma unidade paramilitar da polícia responsável por vigiar as fronteiras.

Mais tarde, quando os policiais e as equipes de emergência atendiam os feridos, outro homem-bomba, também em uma moto, provocou uma nova carnificina.

- Pelo menos 80 pessoas morreram, 69 delas da Frontier Constabulary e 11 civis - afirmou Bashir Ahmed Bilur, ministro da província de Jiber-Pajtunjwa, onde aconteceu a tragédia.

Mais de 140 pessoas ficaram feridas, 40 delas em estado grave, segundo fontes médicas.

- Estava sentado no ônibus e esperava meus colegas. Estávamos felizes por termos a chance de ver nossas famílias e escutei alguém gritar "Alá Akbar" (Deus é grande) antes de uma forte explosão. Depois ouvi uma segunda explosão. Saí do ônibus todo ensanguentado - contou o cadete Ahmad Ali, internado no hospital.

Este foi o ataque mais violento do ano no Paquistão.

- É uma primeira ação para vingar o martírio de Osama, foi executada por dois de nossos combatentes - declarou Ehsanullah Ehsan, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP).

- Esperem grandes ataques no Paquistão e no Afeganistão - ameaçou.

O TTP, que jurou lealdade à Al-Qaeda em 2007, é o principal responsável pelos mais de 450 atentados que mataram mais de 4,3 mil pessoas em todo o país em quase quatro anos. Em 2007, o TTP decretou a jihad (guerra santa) contra Islamabad por seu apoio a Washington na "guerra contra o terrorismo".

Shabqadar fica perto das zonas tribais na fronteira com o Afeganistão, reduto dos talibãs paquistaneses e principal santuário no mundo da Al-Qaeda. Também serve de retaguarda aos talibãs afegãos, sobretudo à rede Haqani, que tem como alvo prioritário os soldados americanos, que compõem dois terços das forças internacionais no Afeganistão.

A Al-Qaeda usa campos de treinamento nas zonas tribais e preparou nestes locais os terroristas que cometeram atentados ou tentaram nos Estados Unidos e na Europa, como os de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Londres em 2005, Madri em 2004 e Times Square de Nova York em 2010. Era nesta região fronteiriça e com montanhas que analistas esperavam, há 10 anos, encontrar Bin Laden e não na cidade de Abbottabad, a duas horas de estrada de Islamabad. Mas foi nesta última onde uma operação relâmpago de 79 soldados de elite americanos mataram o líder da Al-Qaeda na madrugada de 1º para 2 de maio.


A operação unilateral executada sob comando da CIA, que não advertiu Islamabad, por medo de vazamento, provocou uma forte tensão. As autoridades americanas pedem ao Paquistão que investigue como foi possível que Bin Laden morasse por anos oculto em uma cidade habitada por 10 mil militares. Islamabad qualificou as acusações de cumplicidade de "absurdas".

Grande parte da opinião pública paquistanesa sente aversão aos Estados Unidos. Muitos consideram que Washington transferiu a guerra contra Al-Qaeda após uma campanha militar frustrada no Afeganistão. Islamabad já ameaçou Washington com uma revisão da cooperação na luta antiterrorista. O número dois do Exército paquistanês, general Khalid Shameem Wynne, cancelou uma visita aos Estados Unidos, prevista para a próxima semana, como sinal do momento de desconfiança.

Fonte: AFP

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