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Sobe para 11 número de mortos em naufrágio na Itália

17 Jan 2012 - 20h43

As equipes de resgate italianas localizaram mais cinco corpos no interior do navio Costa Concordia, que naufragou na sexta-feira (13), elevando para 11 o número oficial de mortos pela tragédia. Oficialmente continuam desaparecidos 29 pessoas cujas nacionalidades foram divulgadas mais cedo pelo governo.


De acordo com a imprensa italiana os cadáveres foram encontrados na parte do navio que está submersa, após as equipes terem tido acesso ao local por meio de explosivos detonados na manhã desta terça-feira.

O jornal "Corriere della Sera" diz que o novo saldo de mortos pelo desastre foi confirmado por membros da Guarda Costeira italiana.

Já o "La Stampa" diz que a lista de desaparecidos com a qual Giuseppe Linardi, prefeito da ilha de Giglio, trabalha, conta com 40 nomes, e não 29.

DESAPARECIDOS

Mais cedo o governo italiano divulgou a nacionalidade das 29 pessoas que continuam desaparecidas após o naufrágio do navio de cruzeiro. Entre os que ainda são buscados estão 25 passageiros e quatro tripulantes, sendo 14 alemães, quatro franceses, dois americanos, uma peruana, um indiano e um húngaro.

Até ontem (16) durante o dia as equipes trabalhavam com o número de 15 desaparecidos, mas à noite o comandante-geral da Capitania dos Portos italiana, Marco Brusco, atualizou a cifra para 29.

Entre a tripulação desaparecida estão a peruana Erika Soria, 26, que trabalhava como camareira. As últimas informações sobre seu paradeiro indicam que ela embarcou em um dos botes salva vidas mas desde então não foi mais vista.

Também integravam a equipe o húngaro que atuava como bailarino e o músico italiano Giuseppe Girolamo, que tocava em um dos restaurantes no momento do impacto com uma rocha, além do indiano, sobre o qual as agências de notícias não têm mais informações.

PASSAGEIROS

Os outro cinco italianos são William Arloti e sua filha de cinco anos, Maria D'Introna, Maria Grazia Trecanico e Lucia Virzi.

Os dois americanos são Gerrald Heil, 69, e sua mulher Barbara, 70.

Sobre os 14 alemães e quatro franceses não houve mais informações divulgadas.

Dentre os seis cadáveres já recuperados, que somam o total oficial de mortos até o momento, estão o do peruano Thomas Alberto Costilla Mendoza, 50, e o do espanhol Guillermo Gual, 68.

TELEFONEMA

Mais cedo a imprensa italiana divulgou um telefonema entre o capitão do cruzeiro Costa Concordia e a Capitania dos Portos em que ele confirma ter abandonado o navio antes da retirada de todos os passageiros e que não voltou apesar de ter recebido ordem para retornar.

A imprensa italiana transcreve nesta terça trechos da conversa entre o capitão Francesco Schettino, de 52 anos, e a Capitania dos Portos que revelam que ocultou o motivo do naufrágio.

Às 21h54 (18h54 de Brasília), com o navio já encalhado em frente à ilha de Giglio, no centro da Itália, o capitão garantiu que tudo estava bem e enfrentava apenas um problema técnico.


Segundo o "Corriere della Sera", a Capitania perguntou a Schettino às 0h32 (21h32 de Brasília) quantas pessoas ainda restavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

A resposta fez levantar suspeitas à Capitania que perguntou se ele ainda estava a bordo e Schettino confessou que o navio estava inclinando e ele havia deixado o barco.

"Mas como que abandonou a nave?", perguntaram a partir da Capitania.

Mesmo que o capitão tenha se retratado dizendo que não tinha abandonado o cruzeiro, a partir da Capitania ninguém conseguiu encontrá-lo.

"Volte imediatamente a bordo, suba pela escada de segurança e coordene a evacuação. Deve nos dizer quantas pessoas há lá dentro: crianças, mulheres, passageiros, o número exato de cada categoria", acrescentaram.

"Comandante, é uma ordem, agora comando eu. Anteriormente o senhor declarou que havia abandonado o navio, volte à proa e coordene o resgate porque há mortos", exigiram.

Como informou a empresa dona do transatlântico, a Costa Cruzeiros, o naufrágio foi causado por um "erro humano" do capitão que aproximou a embarcação até 150 metros do litoral dessa pequena ilha do mar Tirreno. A manobra acabou levando o barco para as rochas.

TÁXI PARA UM HOTEL

Conforme os investigadores, Schettino, que estava em terra firme e não retornou ao transatlântico, perguntou quantos corpos havia na tragédia.

"É o senhor quem tem de me dizer quantos. O que quer fazer? Ir para sua casa? Volte imediatamente e nos diga o que é preciso fazer, quantas pessoas restam e o que necessitam", ordenaram a partir da Capitania.

O comandante garantiu que voltaria, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso, afirmam que ele não voltou e o viram pegar um táxi em direção a um hotel.

Em nota, o advogado dele, Bruno Leporatti, disse que o capitão está "arrasado, perturbado e entristecido com a perda de vidas", mas considera que conseguiu salvar muitas vidas ao realizar uma difícil manobra de emergência com as âncoras depois do acidente, o que deixou o barco mais perto da costa.

EXPLOSIVOS

Equipes de resgate que tentam encontrar sobreviventes do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, na Itália, passaram nesta terça-feira a utilizar explosivos para tentar acessar partes isoladas da embarcação onde consideram que possam estar algumas das 29 pessoas que continuam desaparecidas.

FOLHA.COM.BR

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