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Sírio Assad vê 'conspiração' e não cede sobre lei de emergência

30 Mar 2011 - 16h08

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, desafiou nesta quarta-feira as expectativas de que fosse revogar a lei de emergência em vigor há décadas, depois de quase duas semanas de protestos que representam o mais grave desafio de seus 11 anos no poder.


Falando em público pela primeira vez desde o início da onda de protestos sem precedentes no país, inspirada pelos levantes em vários pontos do mundo árabe, Assad disse que é favorável a reformas, mas não mencionou qualquer novo compromisso em modificar o rígido sistema político unipartidário da Síria.

"Ficar sem reformas é destrutivo para o país", disse Assad, sem mencionar uma promessa feita na semana passada por seu assessor Bouthania Shaaban de que o presidente analisaria a possibilidade de revogar a lei de emergência.

O fim dessa lei, imposta após o golpe de 1963 que conduziu ao poder o Partido Baath, de Assad, é uma reivindicação central dos manifestantes. Mais de 60 pessoas já foram mortas nos esforços das forças de segurança para sufocar protestos, em muitos casos usando balas reais.

A lei de emergência vem sendo usada para sufocar a oposição política, justificar prisões arbitrárias e dar rédea solta ao aparato de segurança onipresente no país de 22 milhões de habitantes, que é aliado do Irã e apoia os grupos militantes Hamas e Hezbollah.

Assad falou um dia depois de dezenas de milhares de sírios terem participado de manifestações organizadas pelo governo em todo o país, numa expressão de massa de lealdade ao líder de 45 anos que tornou-se presidente em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad.

O presidente disse que adversários estão tentando difundir choques sectários. "A Síria está sendo sujeita hoje a uma grande conspiração", disse ele a parlamentares, que interromperam seu discurso em vários momentos com aplausos e gritos de apoio.

Assad aceitou a renúncia de seu gabinete na terça-feira, mas demitir o governo é visto como mudança apenas superficial, já que o governo exerce pouca autoridade na Síria, onde o poder se concentra nas mãos da família Assad e do aparato de segurança.

De acordo com advogados e ativistas, desde que Shaaban disse que Assad estuda a possibilidade de revogar a lei de emergência, as detenções arbitrárias continuam a acontecer na Síria em grande número.

Assad disse que uma minoria de pessoas tentou "desencadear o caos" na cidade de Deraa (sul do país), centro dos protestos recentes, mas que essas pessoas terão seus esforços frustrados pela maioria da população.


Ele também afirmou que as forças de segurança receberam instruções claras para não ferir ninguém durante os protestos.

Inicialmente os manifestantes reivindicavam apenas mais liberdades, mas mais tarde, cada vez mais incensados pela repressão sofrida, passaram a pedir "a queda do regime".

Deraa é centro de tribos pertencentes à maioria sunita síria, muitos de cujos integrantes repudiam a concentração de poder e riqueza nas mãos da elite da minoria alauíta de Assad.

A repressão movida por Assad contra os protestos suscitou condenação internacional, também dos Estados Unidos e da Turquia, país vizinho e aliado da Síria. Mas é pouco provável que a Síria enfrente o tipo de intervenção militar estrangeira visto na Líbia.

Quando tomou o lugar de seu pai, Bashar al-Asssad foi saudado como "reformista". Ele permitiu uma "primavera de Damasco" de curta duração, durante a qual tolerou debates que criticaram o sistema autocrático sírio, mas mais tarde reprimiu seus críticos.

Fonte: Estado de SP



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