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SC e mais oito estados ainda não pagam piso nacional dos professores para 2012

08 Mar 2012 - 14h58

O Ministério da Educação (MEC) anunciou na última semana o valor do piso nacional do magistério para 2012: R$ 1.451. Mas apenas em 18 unidades da Federação os professores da rede estadual receberão na folha de pagamento de março valor igual ou superior ao definido pela lei (veja quadro abaixo). Levantamento feito pela Agência Brasil, com informações repassadas pelas secretarias estaduais de Educação, mostra que 12 estados já praticavam valores superiores ao estipulado para este ano e seis reajustaram a remuneração do seu quadro logo depois que o MEC anunciou o aumento.


 A Lei do Piso foi sancionada em 2008 e determina um valor mínimo que deve ser pago aos professores da rede pública com formação de nível médio e carga horária de 40 horas semanais. Pelas regras, o piso deve ser reajustado anualmente a partir de janeiro, tendo como critério o crescimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Entre 2011 e 2012, o índice foi 22% e o valor passou de R$ 1.187 para R$ 1.451.

 Governos estaduais e prefeituras alegam dificuldade para pagar o novo piso e 11 ainda não garantem a remuneração mínima. No Ceará, o estado pagava o valor do piso até 2011 mas, com o reajuste, aguarda a aprovação de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa para aumentar a remuneração dos profissionais. Em Alagoas, o piso também era cumprido até o ano passado e segundo nota divulgada pela Secretaria de Educação, 'o desejo do governo é continuar pagando', mas antes será feito 'um estudo do impacto financeiro da implantação'. A mesma situação se repete em Santa Catarina.

 O Piauí também pagava o piso até 2011 e, segundo a secretaria, deverá começar a cumprir o novo valor a partir de maio. O governo do Amapá informou que está em negociação com o sindicato da categoria para definir como se dará o reajuste para atingir o piso.

 O Rio Grande do Sul, a Bahia e o Tocantins não têm previsão de quando irão cumprir os R$ 1.451 determinados para 2012. A Secretaria de Educação do Paraná se negou a informar quanto recebem os profissionais de nível médio, alegando que a maioria do quadro tem nível superior. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP), os professores com nível médio e jornada de 40 horas - parâmetro estipulado pela Lei do Piso - têm vencimento inicial de R$ 1.233, portanto, abaixo do valor definido para 2012.

- O fato de nove estados ainda não pagarem o piso mostra que os gestores públicos ainda não entenderam a importância dessa lei para termos uma educação de qualidade no país. É a prova de que as leis no Brasil costumam ser esquecidas. Quatro anos depois da lei aprovada, o gestor dizer que agora vai fazer um estudo orçamentário para ver como pagar é um desrespeito aos trabalhadores e ao Estado brasileiro - criticou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão. A entidade planeja uma paralisação da categoria na próxima semana para cobrar o cumprimento da lei. 

 A situação mais crítica é a dos professores da rede estadual gaúcha que recebem piso de R$ 791 - o menor do país. De acordo com o governo do estado, o problema ocorre porque o vencimento básico dos professores ficou 'achatado' ao longo dos anos. Para 'inflar' o salário, a remuneração total é composta por extras, como gratificações a abonos. Mas a Lei do Piso determina que o valor mínimo se refere ao vencimento inicial e não pode incluir na conta esses adicionais. A Justiça do estado determinou que o governo pague conforme determina a regra.

 A Lei do Piso prevê complementação da União caso o município ou estado comprove que não tem capacidade financeira para pagar o piso a seus professores. Para isso, precisa atender a critérios como, por exemplo, ter um plano de carreira para os docentes da rede e investir 25% da arrecadação de tributos em educação, como determina a Constituição. De acordo com o MEC, nenhum estado entrou com pedido de complementação após o reajuste do piso.

 Confira o valor do piso pago em cada unidade da Federação

 Norte

 Acre - R$ 1.451*

 Amapá - R$ 1.085

 Amazonas - R$ 1.905

 Pará - R$ 1.451*

 Rondônia - R$ 2.011

 Roraima - R$ 2.142

 Tocantins - R$ 1.329

 Nordeste

 Alagoas - R$ 1.187

 Bahia - R$ 1.187

 Ceará - R$ 1.270

 Maranhão - R$ 1.451*

 Paraíba - R$ 1.737

 Pernambuco - R$ 1.451*

 Piauí - R$ 1.187

 Rio Grande do Norte - R$ 1.451*

 Sergipe - R$ 1.451*

 Centro-Oeste

 Distrito Federal - R$ 2.314

 Goiás - R$ 1.460

 Mato Grosso - R$ 1.760

 Mato Grosso do Sul - R$ 1.489

 Sudeste

 Espírito Santo - R$ 1.540

 Minas Gerais - R$ 2.200

 Rio de Janeiro - R$ 1.732

 São Paulo - R$ 1.894

 Sul

 Paraná - R$ 1.233

 Santa Catarina - R$ 1.281

 Rio Grande do Sul - R$ 791

 Fonte: secretarias estaduais de Educação

 Reajuste aprovado será pago na próxima folha
 
 
Valor informado pelo sindicato da categoria no estado

DIÁRIO CATARINENSE

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