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Raimundo Colombo vai para o PSD por "uma nova forma de fazer oposição"

03 Mai 2011 - 11h39

O fim de um ciclo, um caminho novo, uma autocrítica sobre o papel da oposição nos oito anos de governo federal petista. No primeiro dia em que acordou como um ex-liberal, na prática, o governador Raimundo Colombo tentou explicar os motivos que estão levando ele e seu grupo político a embarcar na aventura de seguir os passos do prefeito paulistano Gilberto Kassab e fundar o PSD, o 28º partido político brasileiro.

A debandada do grupo catarinense deve significar um golpe de misericórdia no DEM nacional, que passa a contar com apenas uma governadora, Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, dá ao futuro PSD uma estrutura de causar inveja em SC. Os novos pessebistas devem nascer como segundo maior partido catarinense, rivalizando com o PMDB em posições na Câmara dos Deputados e na AL. Confirmada a adesão dos principais nomes do DEM catarinense e de dissidentes do PSDB e do PP, o novo partido deve estrear com pelo menos quatro deputados federais e oito estaduais - conta que cresce nos bastidores. Com um movimento político que só encontra paralelo na história política catarinense na fundação do próprio PFL (atual DEM) em 1985, restou a pergunta: por quê? Colombo tentou responder.

- O PSD está em sintonia com o movimento da sociedade que quer uma coisa nova - disse o governador, referindo-se às disputas entre PT e PSDB nas últimas cinco eleições presidenciais, que elegerem FHC (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT).

Colombo diz que a situação do DEM em SC era confortável, mas que a falta de projeto nacional da sigla comprometia o futuro. Sua aposta é que o PSD, a sigla que Kassab definiu como "nem esquerda, nem direita, nem centro", será o espaço para construir uma nova política.

- Estamos em uma era pós-ideológica. Buscar o novo é a melhor forma de encarar essa realidade - teoriza.


Base aliada?

Nós não vamos nos alinhar ao PT. Nós vamos nos manter no nosso projeto original de posição de contraponto. É importante que a sociedade tenha quem governe e quem faça oposição. Nossa oposição não será, como nunca foi, contra tudo, contra todos, o tempo todo. Mas é importante que haja uma oposição e nós a faremos. Claro, existem pessoas que vêm e que são da base e provavelmente continuarão sendo. E há os que vêm da oposição e continuarão sendo. O PSD não irá participar com cargos, não irá consolidar uma aliança efetiva. Poderá votar a favor de projetos que são bons para o Brasil e contra projetos que, no nosso entendimento, ferem o interesse nacional.

PFL/DEM

Acho que terminou um ciclo. Aquele de 1985, eu tinha 27 anos, era secretário e renunciei para fundar o PFL. Foi uma coisa muito complicada. A origem daquele movimento, eu era a favor das eleições diretas, queria que elas fossem praticadas.

O novo partido

Ele está em sintonia com o movimento da sociedade que quer uma coisa nova. A oposição não pode ser construída com os métodos e da forma como o PT fez. As oposições se enfraqueceram porque não enxergaram isso. Não foi fácil mudar de partido. Haverá, eu sei, incompreensões. Mas tem momentos em que é necessário tomar uma decisão.


Federais devem seguir governador


Os três deputados federais liberais de SC também devem seguir com o governador Colombo. Paulo Bornhausen, líder da oposição na legislatura passada e atualmente licenciado da Câmara para administrar a secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável, já assumiu a mesma posição do governador.

- Agora, é trabalhar para montar o novo partido - diz ele.

Bornhausen conta que já começou a receber ligações de filiados que querem orientações de como proceder para rumar para o PSD. O deputado acredita que a mudança terá boa aceitação nas bases. Os deputados João Rodrigues e Onofre Agostini ainda não confirmaram a troca de partido, mas, segundo companheiros, eles já teriam se comprometido com o próprio grupo de Colombo a participar da fundação do novo partido.

 

Fonte: A NOTÍCIA

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