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Postos chegam a cobrar R$ 5 por litro de gasolina em São Paulo

07 Mar 2012 - 14h34

Muitos postos de São Paulo já estão sem combustível devido à paralisação de caminhoneiros. Com isso, estabelecimentos que ainda têm o produto aproveitam para subir os preços. Em um posto em Santana, zona norte, o valor da gasolina comum passou de R$ 2,79 o litro para R$ 4,49. A gasolina aditivada chegou a R$ 4,99.


"Mas não é só aqui, é em vários. Tem postos em que a gasolina já é mais de cinco", tentou justificar o funcionário Norival Sales Martins, 47. "O cliente reclama, mas fazer o que, se não entregam? Eu mesmo não vou pôr combustível e venho de busão ao trabalho até normalizar", afirmou.

Mesmo com os preços altos, motoristas faziam fila para garantir o tanque cheio dos carros. "A gente fica refém. É um abuso, mas não temos outra opção", disse o consultor comercial Elino Carvalho, 46.

O designer gráfico Alexsandro Breternitz, 40, levou os dois carros para abastecer. O supervisor Maurício Ianiello, 47, foi além: mandou encher um galão extra de 20 litros.

Gerente de um posto da Nove de Julho, José Augusto Martins, 34, aumentou o valor de todos os combustíveis em R$ 0,10. "Assim o cliente vem menos", disse. "Se voltarem a entregar, abaixamos de novo."

O desabastecimento é provocado pela paralisação de caminhoneiros em protesto contra as restrições de circulação na marginal Tietê. Com a paralisação, caminhões-tanque não estão abastecendo os postos.

A medida estava em vigor desde dezembro, mas as multas começaram na segunda-feira (5). Estão proibidos de entrar na marginal veículos pesados entre as 5h e as 9h e entre as 17h e as 22h, de segunda a sexta-feira, e das 10h às 14h aos sábados. A multa é de R$ 85,13 e acarretará acréscimo de quatro pontos na habilitação.

Ontem, o Procon já tinha alertado para a possibilidade de aumentos abusivos do valor da gasolina e do álcool, e por isso orienta o motorista a exigir nota fiscal quando abastecer. O consumidor que tiver dúvidas ou quiser fazer uma reclamação deve ligar para o número 151.

JUSTIÇA

O Sindicam (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens do Estado) informou que vai acatar a decisão da Justiça que determinou ontem a retomada da distribuição de combustível em São Paulo.


O sindicato afirmou que já encaminhou uma cópia da liminar (decisão provisória) para as bases de caminhoneiros para que todos retornem ao trabalho, mas destacou que eles têm autonomia para acatar ou não. A multa diária pelo descumprimento da decisão, cobrada do sindicato, é de R$ 1 milhão.

Em outra decisão, também da noite de ontem, a Justiça concedeu uma liminar ao Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes) que garante o direito de livre trânsito de caminhões-tanque e que eles tenham escolta policial para isso. Nesse caso, a multa ao sindicato foi fixada em R$ 5.000.

Na manhã de ontem, caminhões que tentaram sair de uma distribuidora em São Caetano do Sul (Grande SP) foram apedrejados. Manifestantes pró-paralisação arrancaram as chaves dos veículos e as jogaram no rio Tamanduateí, na avenida dos Estados, segundo a distribuidora. O sindicato da categoria disse que não incentivou vandalismo.

A Polícia Militar instalou um gabinete de gerenciamento de crise para monitorar a situação e está escoltando caminhões-tanque para o abastecimento de serviços essenciais, como hospitais, bombeiros, transporte público e aeroportos.

FOLHA.COM.BR

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