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Papéis mostram que filho de Maluf geriu contas em Jersey

24 Jul 2012 - 12h55

Documentos obtidos pelas autoridades brasileiras mostram que um filho do deputado Paulo Maluf (PP-SP) movimentou pessoalmente recursos que teriam sido transferidos ilegalmente para a ilha de Jersey, um paraíso fiscal britânico, em sua gestão como prefeito de São Paulo.

Os documentos foram obtidos entre 2004 e 2007, durante as investigações conduzidas em Jersey, e incluem cartas em que o empresário Flávio Maluf dá instruções para a movimentação de contas associadas ao seu pai.

A Folha obteve cópias desses papéis e comparou-as com documentos da Eucatex, empresa controlada pela família Maluf no Brasil. As assinaturas de Flávio nas cartas encontradas em Jersey são idênticas às que aparecem nos registros da Eucatex.

A Prefeitura de São Paulo move uma ação na Justiça de Jersey contra as empresas que controlam esse dinheiro e pede a repatriação de US$ 22 milhões dos US$ 175 milhões que a família Maluf teria depositado na ilha. As mensagens assinadas por Flávio fazem parte da causa.

Maluf e seus advogados negam ter relação com as empresas, mas os documentos do processo fazem várias referências a ele e seu filho Flávio, que é mencionado como diretor das empresas.

Segundo a prefeitura e o Ministério Público de São Paulo, o dinheiro depositado em Jersey foi desviado dos cofres públicos durante a construção da avenida Jornalista Roberto Marinho, uma das principais obras da administração Maluf (1993-1996).

Os documentos examinados pela Folha que têm a assinatura de Flávio incluem cartas da Durant, a empresa que controla as contas associadas a Maluf, e da Sun Diamond, que controla a Durant.

A carta da Durant tem data de 25 de novembro de 1998 e é endereçada ao banco Citibank. Flávio determina o fechamento de uma conta no Citibank e a transferência do saldo para os bancos UBS e Deutsche Bank.

Na carta com o cabeçalho da Sun Diamond, de 13 de maio de 1997, o filho de Maluf solicita uma transferência entre duas contas abertas no banco Deustche Morgan Grenfell.

A Folha enviou cópias dos documentos ao advogado José Roberto Batochio, que representa Flávio no Brasil. Ele não quis discutir seu conteúdo, limitando-se a dizer que "desconhece" as mensagens.

Os advogados da Durant em Jersey citaram Flávio como diretor da empresa e da Sun Diamond no processo, mas Batochio diz que ele "não tem nada a ver" com as empresas da ilha.

De acordo com o advogado, as afirmações feitas pelas companhias sediadas em Jersey são "meras alegações de terceiros", que não resultam em responsabilidade para o filho de Maluf.

Na sexta-feira, foram encerradas em Jersey as audiências em que os advogados da prefeitura e das empresas associadas a Maluf expuseram seus argumentos. A sentença deve sair em até três meses e caberá recurso.

OUTRO LADO

A defesa do empresário Flávio Maluf, filho do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), limitou-se a afirmar que desconhece os documentos que indicam assinaturas de Flávio em documentos de empresas acusadas em processo na ilha de Jersey.

A Folha encaminhou as cartas obtidas no paraíso fiscal ao advogado de Flávio, o criminalista José Roberto Batochio, por e-mail.

"Desconhecemos o documento a que você se refere no seu e-mail", respondeu o defensor de Flávio.

A reportagem enviou nova mensagem eletrônica a Batochio com cópias dos papéis de Jersey e solicitou um posicionamento específico sobre as assinaturas e o teor dos documentos.

Porém, a resposta foi a de que a manifestação iria se limitar "ao texto anteriormente enviado".

A defesa fez críticas às investigações do Ministério Público sobre corrupção em obras da gestão Maluf.

"Não conseguimos entender a aritmética do Ministério Público. Isto é, acusam de ter havido desvio de US$ 10,5 milhões nas obras da avenida Água Espraiada [atual av. Jornalista Roberto
Marinho] e do túnel Ayrton Senna. No entanto, apontam branqueamento de US$ 175 milhões em Jersey", disse Batochio.

"Teria o valor inicial passado pelo fenômeno metafísico da multiplicação dos pães ou se trata de uma aritmética especial, mui exclusiva, dos acusadores?", completou o defensor de Flávio.

A assessoria de Paulo Maluf foi indagada sobre os documentos com a assinatura do filho, mas se limitou a afirmar que o ex-prefeito nunca teve contas no exterior.

Sobre acusações de corrupção, a assessoria negou irregularidades e afirmou que a gestão de Maluf foi aprovada pelo Tribunal de Contas.

BOL.COM.BR

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