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Na África, nasce neste sábado o Sudão do Sul, país mais pobre do globo

09 Jul 2011 - 12h35

Sob o olhar preocupado da comunidade internacional, nasce neste sábado, 09, o 193º país do mundo.


Devastado por décadas de guerras civis, o Sudão do Sul partilhará com Somália e Afeganistão os piores indicadores sociais do planeta.

Brasil busca cidadão local para ser cônsul em novo país.

"É um momento histórico, mas os desafios são gigantescos", afirma Erwin van der Borght, diretor para África da Anistia Internacional.

O país é o lugar no mundo onde mais morrem grávidas e recém-nascidos, e 90% das mulheres são analfabetas.

"Levará anos para o Sudão do Sul deixar de depender da assistência", diz Borght.

Falta tudo no novo país: hospitais, escolas, esgoto, iluminação, polícia. Estradas são poucas e precárias. Na capital, Juba, há apenas uma rua asfaltada. No lugar de táxis, garotos levam estrangeiros na garupa de motos, as "boda-bodas".

Só não faltam Coca-Cola e esperança. As garrafinhas vermelhas eram vendidas quentes, mesmo no precário posto da alfândega na fronteira com Uganda, que a Folha atravessou em janeiro.

"As pessoas estão tão otimistas que é até assustador", conta Jane Some, funcionária da ONU no Quênia.

"Os jovens esperam que a vida vá melhorar da noite para o dia, que vão conseguir emprego, estudo. A geração mais velha está radiante em testemunhar a independência depois de duas décadas de guerra", acrescenta.

A cerimônia de independência contará com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, representantes de vários países vizinhos e celebridades, como o ator George Clooney.

SEGURANÇA

Crucial para a construção da nova nação, porém, é superar a insegurança. Em 2011, 1.800 sul-sudaneses morreram e 150 mil foram deslocados após renovados conflitos na fronteira, segundo a ONU.


Este é o ano mais inseguro no Sudão desde o fim da guerra civil de duas décadas, em 2005, quando rebeldes do sul (negros) e o norte (árabe) assinaram acordo de paz.

Disputas por terras e reservas de petróleo nas regiões fronteiriças de Abyei e Kordofan do Sul, porém, ainda trazem instabilidade, apesar de o sul ter legitimado sua secessão em referendo em janeiro.

O sul abriga 80% do petróleo sudanês, mas depende das refinarias do norte para exportar.

"É preciso estabilidade para explorar este petróleo", diz Jon Temin, diretor do think-thank USIP, em Washington.

Os EUA são o principal ator internacional no país e investem em infraestrutura, para fazer frente à presença chinesa no norte. Ontem, a ONU aprovou nova força de paz para o Sudão do Sul, com 7.900 homens.





FOLHA.COM

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