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Médico morto em SP pode ter sido confundido com policial que matou assaltante

12 Nov 2018 - 15h23Por Felipe Resk

O médico Roberto Kunimassa Kikawa, de 48 anos, criador do projeto Carretas da Saúde, foi morto em um assalto na região do Ipiranga, zona sul de São Paulo, na noite deste sábado, 10. Segundo investigadores, a principal suspeita é de que a vítima foi confundida com um policial pelos assaltantes. A Polícia Civil tenta identificar os autores do latrocínio.

Kikawa havia saído para jantar em uma pizzaria de Moema, também na zona sul, com a secretária e a filha dela, uma jovem de 17 anos. Ao deixá-las em casa, o médico parou na frente do condomínio, que fica na Rua do Manifesto, uma via arborizada e com pouca iluminação. Passavam das 23 horas.

O trio ficou conversando por cerca de 20 minutos dentro do carro: ninguém viu o momento em que dois homens armados apareceram, segundo a relatou na delegacia. Tudo teria acontecido em poucos minutos. "Você é parça? Você é polícia?", perguntou um dos criminosos. Nervoso, o outro disse na sequência: "Atira nele! Atira nele!".

A vítima não teve tempo de desafivelar o cinto: o primeiro disparo pegou na cintura. Na fuga, os bandidos ainda puxaram o gatilho mais uma vez: a bala atravessou o para-brisa e acertou Kikawa na altura da axila. Quando o resgate chegou, o médico já estava sem vida - a suspeita é que o tiro tenha atingido a femoral, por onde corre grande fluxo de sangue e provoca morte em menos de três minutos. Os assaltantes fugiram sem levar nada.

Uma das hipóteses é de que o médico foi confundido e morto por retaliação. Há cerca de duas semanas, um investigador do Departamento de Investigações Criminais (Deic) interveio em um assalto que estava acontecendo na região e trocou tiro com dois bandidos. Um dos suspeitos foi alvejado e acabou preso. O outro morreu no local.

Na ocasião, o policial de folga estava em seu carro particular, uma SUV branca. Por sua vez, o veículo do médico era um Jeep Compassa, também de médio porte e da mesma cor - motivo pelo qual a polícia suspeita que os casos podem estar relacionados. O inquérito da primeira ocorrência corre no próprio Deic.

A Polícia Civil, no entanto, também avalia a possibilidade de ter sido um latrocínio comum. "Nenhum hipótese está descartada", disse o delegado Wilson Zampieri, titular do 17.º Distrito Policial (Ipiranga), responsável pela investigação do latrocínio.

Investigação

Aos policiais, a secretária declarou que trabalhava para o médico há mais de 20 anos e que ele não tinha inimigos e nem havia sofrido ameaças. Ela não conseguiu descrever os assaltantes. Segundo as investigações, Kikawa tinha uma casa nos Estados Unidos, onde morava, mas passava cerca de 15 dias por mês em São Paulo por causa da mãe.

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