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Lesões na pele e dores nas juntas são os primeiros sintomas do Lúpus

08 Jun 2012 - 16h54

Assim como Astrid, estima-se que mais de 65 mil pessoas, mulheres em sua maioria, tenham a doença no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.


A apresentadora de 51 anos, já perdeu 14 quilos desde que foi diagnosticada, em janeiro deste ano, com o Lúpus, doença autoimune com forte caráter genético em que os anticorpos atacam as células do corpo resultando em inflamação em diversos órgãos. É como um ataque ao corpo provocado pela própria defesa do organismo.

Ainda não há um consenso sobre a origem do Lúpus, mas admite-se que a enfermidade resulte da interação de numerosos fatores, entre os quais a predisposição genética, segundo a reumatologista da Unifesp, Dra. Emília Inoue Sato.

- A radiação ultravioleta, as infecções e um hormônio feminino chamado estrógeno são possíveis agentes desencadeantes da patologia. Dentre os casos, 90% ocorrem em mulheres, principalmente na fase hormonalmente ativa, isto é, entre o início da menstruação e a menopausa. Embora a doença possa atingir qualquer faixa etária, a incidência é maior em pacientes entre 15 e 50 anos com pico nos 30 anos - revela.

Os tipos de sintomas e sua intensidade variam entre os portadores. Contudo, os sinais mais comuns são as dores nas articulações, a artrite e as manifestações cutâneas conhecidas como "asa de borboleta", já que o formato da lesão é semelhante à aparência das asas do inseto e costuma aparecer na região das bochechas. O momento ideal para identificar os indícios ocorre quando surgem, além das lesões cutâneas e dores articulares, manchas inflamatórias em regiões expostas ao sol como os braços e o colo, febre, emagrecimento rápido e o surgimento da anemia e a leucopenia (baixa taxa de glóbulos brancos no sangue),

A reumatologista destaca também outra série de consequências decorrentes do Lúpus.

- Além da inflamação nas juntas e na pele, o lúpus pode ocasionar o mesmo problema no rim (nefrite). Nos pulmões, pode ocorrer uma lesão na membrana que recobre o pulmão (pleuris) ou inflamação do tecido pulmonar (pneumonite). Pode haver também complicações nos músculos (miosite) e vasos, provocando a vasculite. O comprometimento dos rins pode ser silencioso (sem sintomas) e, se não tratado, deflagra um quadro de insuficiência renal, situação em que funcionam e o paciente precisa recorrer ao transplante renal.

O lúpus é uma doença que não tem cura, mas pode ser controlada. No entanto, o uso dos medicamentos deve ser feito para toda a vida e o especialista recomendará o tratamento ideal para cada caso, visto que são quadros diferentes. Quanto ao diagnóstico, um exame clínico cuidadoso e exames de sangue e urina devem ser solicitados, já que a patologia não demonstra o mesmo nível de gravidade em todos os pacientes. Não há um exame específico que possibilite o diagnóstico, porém, as alterações no exame de sangue (hemograma), da mucosa bucal, da pele e queixas de dores articulares são as mais observadas na maioria dos portadores.

Lúpus na infância e na gestação

Algumas crianças carregam consigo o Lúpus, o que exige um controle rigoroso da enfermidade. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a qualidade de vida do portador ao longo da vida. Embora raro se comparado à incidência nos adultos, o Lúpus infantil pode manifestar-se de forma mais severa.


-A nefrite (inflamação renal) é mais comum no jovem e a doença ou os remédios utilizados para o seu tratamento podem afetar o crescimento e desenvolvimento, pois o corpo ainda está em formação - explica a Dra Emília Inoue Sato.

Já na fase adulta, o sonho de ser mãe pode enfrentar obstáculos para as pacientes com a patologia. É fundamental que a gestante consulte regularmente um especialista para avaliar seu quadro clínico e programar a gravidez, que é recomendada somente quando a doença estiver controlada por, no mínimo, seis meses e sem uso de medicações que possam prejudicar o feto. A taxa de aborto é um pouco mais alta, o que exige acompanhamento adequado.

Qualidade de vida

O portador do Lúpus precisa seguir as indicações médicas e ter hábitos e estilo de vida saudáveis para manter-se bem. A prática de exercícios físicos regulares, uma alimentação saudável, lembrando que a ingestão de alimentos gordurosos com alta taxa de sal, açúcar e carboidratos precisam ser evitados, bem como o consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo, a redução de níveis de estresse, poupar a exposição ao sol e o buscar tratamento precoce de infecções são medidas que auxiliam no controle da atividade da doença e na prevenção de complicações.

Outra dica importante é o apoio psicológico durante o tratamento, além do acesso aos medicamentos.

-É fundamental que o paciente tenha um suporte para enfrentar o Lúpus. Sentir-se forte e contar com o apoio da família são importantes para conviver com a enfermidade - finaliza a reumatologista.

CLICRBS.COM.BR

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