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GERAL

Jovem ativista Greta influenciou a mãe a parar de voar de avião

16 Mar 2019 - 09h05Por Giovana Girardi

Quando você começou a aprender sobre mudanças climáticas e que impacto isso teve em você?

Acho que eu tinha uns 9 anos. Pensei como era estranho que uma coisa que parecia tão importante não estava sendo levada a sério. Os professores diziam uma coisa e ainda assim todo mundo estava fazendo exatamente o oposto.

Como você decidiu que tinha de fazer algo a respeito? Soube que seus pais foram seu primeiro alvo. Como isso evoluiu para as greves escolares?

Foi um desenvolvimento muito gradual. Uma coisa levou a outra. Eu via filmes impactantes na escola, com potencial de mudar vidas, e ainda assim ninguém parecia se importar. Eu fiquei deprimida e parei de ir à escola. Então meus pais começaram a me ouvir. E uma das coisas que mudaram foi sobre pegar aviões. Quando eu percebi o quanto voar era ruim (em relação a emissões de gases), em um nível individual, e ainda assim ninguém se importava… Minha mãe sempre voou muito a trabalho (Malena Erman é cantora de ópera). Depois de muita conversa, meus pais acabaram ficando sem desculpas nem argumentos. Então minha mãe decidiu que ia parar de voar. E isso mudou tudo, me deu energia para ser ouvida por outras pessoas.

Qual era o seu plano quando você decidiu entrar sozinha em greve escolar pelo clima? Como você se sentia, sentada sozinha em frente ao Parlamento sueco?

Eu não tinha um plano, simplesmente decidi que tinha de fazer algo. Senti que era meu dever moral. Eu tinha apenas um panfleto recheado de fatos de cientistas e de artigos. No começo, eu ficava fazendo minha lição de casa enquanto estava sentada lá.

Muitas outras pessoas em todo o mundo já marcharam, alertando para os riscos das mudanças climáticas. O que você acha que fez a diferença no seu caso?

Acho que o momento foi o certo, e o conceito de desobediência civil gentil foi bem recebido. Mas é importante perceber que os canais estavam todos lá: as pessoas estão lutando e tentando há tanto tempo. Após três semanas da primeira greve, fiz meu primeiro discurso. Então, depois de três meses e meio, eu fui para a 24.ª Conferência do Clima (COP), na Polônia. É preciso ser paciente e apenas continuar. Agora a gente não deve parar nunca. As mudanças necessárias estão além do horizonte mais distante.

Quais são suas expectativas para o movimento agora?

Não importa o que acreditamos ou se há esperança. Tudo o que temos de focar é em continuar fazendo essas ações até que a mudança real comece a acontecer.

No Brasil, há algumas manifestações, mas nem de longe no mesmo nível de mobilização que tem ocorrido na Europa...

Sim, a maioria das pessoas em todo o mundo ainda desconhece as consequências da crise climática e de nossa inação. Esse desconhecimento é provavelmente a maior ameaça para a humanidade, juntamente com crenças exageradas em soluções tecnológicas. A chave é educação e informação. E tem de começar hoje.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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