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João de Deus cometeu estelionato sexual e costumava oferecer presentes às vitimas

20 Dez 2018 - 18h39Por Renan Truffi, Enviado especial

O delegado Valdemir Pereira, um dos coordenadores da força-tarefa que investiga o médium João de Deus por abuso sexual, disse nesta quinta-feira, 20, que a Polícia Civil de Goiás tem "provas robustas" para que o líder religioso seja condenado por violência sexual mediante fraude. Segundo Pereira, o médium cometeu "estelionato sexual" e tinha o hábito de oferecer presentes às vítimas para silenciá-las.

Nesta quinta-feira, a Polícia Civil de Goiás concluiu o primeiro inquérito contra o líder religioso e decidiu pedir seu indiciamento pelo crime de "violência sexual mediante fraude", artigo 215 do Código Penal, já que o agressor fazia o abuso parecer uma prática comum da consulta espiritual. A pena para esse crime varia de dois a seis anos de cadeia, em regime fechado.

"Foi um estelionato sexual, a vítima foi lá (Casa Dom Inácio de Loyola) para ser curada e ele (João de Deus), aproveitando dessa situação, enganou a vítima e abusou dela sexualmente. A Polícia Civil entende que há provas robustas contra o investigado", afirmou o delegado.

O inquérito concluído pelos investigadores leva em conta o caso de uma única vítima, de aproximadamente 40 anos de idade, que sofreu o abuso sexual em outubro deste ano. Para encerrar a apuração, a Polícia Civil de Goiás levou, na quarta-feira, 19, a mulher ao local, a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia os atendimentos espirituais. Ela reconheceu a sala onde foi abusada e voltou a dar detalhes de como aconteceu o crime.

"Levamos a vítima ao local e ela descreveu onde foi abusada. A perícia esteve no local e a Polícia Civil entende que há provas para uma condenação", afirmou o policial.

Inicialmente, a investigação tinha 15 casos, mas apenas um deles aconteceu depois de junho de 2018, pois, até setembro, o Código Penal determinava prazo máximo de seis meses para a denúncia após o crime. Ainda assim, algumas das vítimas servirão como testemunha no processo. Como se trata da única vítima, o policial relatou que a mulher está "ansiosa" e com "medo".

O delegado contou ainda que João de Deus tinha a prática "comum" de oferecer presentes às mulheres após tentar os abusos, com o objetivo de evitar que elas o denunciassem. "Isso (tentativa de silenciar a vítima) ficou muito claro. Essa é uma prática comum dele. Ele abusa sexualmente da vítima e depois dá presentes às pessoas abusadas", explicou.

O caso. A reportagem apurou que, neste caso específico, a mulher visitou a Casa Dom Inácio de Loyola várias vezes e sempre acompanhada de um namorado. Em uma dessas ocasiões, ela ficou sozinha com o médium em uma sala para a consulta espiritual. Com as luzes apagadas, João de Deus teria começado a tocar próximo à região íntima da denunciante que, neste momento, percebeu que ele estaria com o órgão sexual exposto.

Aos policiais, a vítima contou que, quando percebeu a tentativa do médium, tentou resistiu e interrompeu qualquer contato físico. Nesse momento, João de Deus teria oferecido uma pedra de valor e dois quadros religiosos para a vítima. A reportagem apurou que, em seu depoimento à Polícia Civil, João de Deus disse não se lembrar de ter dado esta pedra, mas admitiu a oferta de "quadros". O médium está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia (GO) desde o último domingo, 16.

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